Risco político não pode se tornar risco financeiro

Entrevistamos Fernando Lobo, diretor de tesouraria e crédito para a BASF na América do Sul, sobre os principais desafios para os profissionais da área em um ano de indefinição no quadro político e econômico do país

Neste momento de incerteza eleitoral e pressão cambial, as empresas precisam estar protegidas dos riscos financeiros para se manter fiéis às suas estratégias. Fazer dinheiro com a volatilidade é trabalho dos bancos, não da indústria, do comércio ou dos serviços. Esta é a opinião de Fernando Lobo, diretor de tesouraria e crédito para a BASF na América do Sul.

Para o executivo, a tesouraria não pode se deixar contaminar pelo ambiente externo e precisa garantir exposição mínima aos fatores de câmbio e liquidez. Lobo lembra ainda que o custo de hedge está em um dos níveis mais baixos que já vimos no Brasil, sinalizando que uma troca por curva DI futura pode ser desejável neste cenário. Confira a seguir a entrevista de Fernando Lobo para o blog Finanças e Risco da Thomson Reuters:

 

Quais os principais desafios para a área de tesouraria no Brasil nos próximos meses, tendo em vista a volatilidade normal em época de eleições?  

Neste momento, o principal desafio é manter sua estratégia de financiamento e de proteção sobre risco cambial sem se deixar levar por interpretações de leitura de mercado.

Muitos executivos sêniores podem ter sua própria leitura de como o mercado vai se comportar, porém o comportamento da empresa na tesouraria não deve ser definida por leituras individuais, e sim por estratégias previamente definidas.

 

Leia também: Tesouraria em posição de destaque

 

Como os tesoureiros corporativos lidam com a volatilidade cambial nos mercados?

Estratégia para ganhar dinheiro com volatilidade cambial é para bancos e não para indústria, comércio e serviços. Tesourarias em empresas devem proteger-se do risco e permanecer firmes com sua estratégia. A exposição de balanço deve estar, preferencialmente, 100% protegida.

A sugestão é trocar variação cambial por curva DI futura, aproveitando um dos menores custo de hedge que já tivemos no Brasil.

 

Leia também: O novo papel do tesoureiro corporativo

 

Por falar em câmbio, quais as maiores dificuldades para o mercado de câmbio no Brasil se ajustar ao novo código de conduta global?

"Eu acredito que quanto mais automatizados estivermos no mercado de câmbio, mais transparência e compartilhamento de informações teremos. Dessa maneira estaríamos mais ajustados ao código de conduta global."

Todos os controles que o Banco Central faz hoje no mercado têm a sua razão de existir. Além disso, o BC tem sempre estado na vanguarda de novas legislações em relação às instituições financeiras. Portanto, acredito que ele irá reagir de forma adequada para que o Brasil esteja alinhado as códigos globais.

 

Leia também: A atuação decisiva da tesouraria em momentos de crise

 

Cenário incerto

Não há previsão para que as turbulências no cenário interno e externo cessem em breve. No Brasil, a situação política pode ainda amargar meses de instabilidade e, no exterior, permancerão no radar fatores como as disputas comerciais globais.

Apesar do crescente escopo das funções do tesoureiro corporativo, o gerenciamento de câmbio continua sendo uma parte importante do seu trabalho –e ele começa com a capacidade de definir exposições cambiais e de coletar informações de qualidade sobre elas. Para ajudá-los nessa tarefa, esses especialistas têm expandido as capacidades de seus sistemas atuais ou até mesmo procurado ferramentas mais eficazes

Encontrar maneiras de minimizar as consequências negativas dessas taxas de câmbio extremamente flutuantes e conduzir um programa de gestão de FX consistente é atualmente um dos grandes desafios dos departamentos de tesouraria corporativa.

Novas ferramentas de Análise de Qualidade estão disponíveis no FXall para tornar as suas decisões na área de tesouraria ainda mais eficazes.

 

Saiba mais sobre como a Thomson Reuters podem ajudar sua organização a compartilhar melhores práticas e a implementar um programa de gerenciamento cambial mais eficaz

Fernando Lobo é graduado em Economia pela USP e realizou seu MBA na Erasmus University Rotterdam. Na área de tesouraria da BASF desde 2003, Lobo é atualmente diretor de tesouraria e crédito para a América do Sul

 

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