Hedging: melhor aqui ou no exterior?

Diante da recente volatilidade, que tem levado cada vez mais empresas no país a adotar políticas de hedge, profissionais de tesouraria de multinacionais discutem os prós e os contras de adotar uma estratégia baseada no Brasil ou no exterior

A volatilidade deste ano destacou a necessidade de fortes políticas de hedge. Mas o uso especulativo de derivativos por empresas brasileiras durante a crise financeira de 2008 revelou-se perigoso. Portanto, para evitar tais riscos, as empresas multinacionais tendem a calcular as exposições localmente, mas fazem hedge de forma central, a partir tesouraria corporativa.

Em um nível consolidado, isso funciona bem e as perdas locais são absorvidas nos livros contábeis. No entanto, fazer o hedge no exterior pode afetar a liquidez e os resultados do país. Por esta razão, as tesourarias no Brasil muitas vezes exigem fazer o hedge local.

No painel “Hedging: Local ou no Exterior?”, destaque da 11ª conferência anual da EuroFinance sobre “Gerenciamento Internacional de Tesouraria, Caixa e Riscos para Empresas no Brasil”, realizada nos dias 07 e 08 de novembro em São Paulo, profissionais de tesouraria de multinacionais discutem os prós e os contras de ambas as estratégias, como de que forma os escritórios centrais podem manter o controle e quais são os custos e as implicações tributárias.

Partciparam do debate os panelistas Silvia Mello, gerente sênior de tesouraria e seguros da Heineken Brasil; Fernando Lobo, gerente de tesouraria para América do Sul da Basf; e Roberto Souza, diretor financeiro para o Brasil da Johnson Electric. O moderador foi Ivo Katz, diretor de cash management Brazil do BNP Paribas. 

Veja, a seguir, os principais destaques:

 

Heineken –“Como o mercado de cerveja é muito competitivo em relação a preço, a gestão de custos e de margem é fundamental para nossa sobrevivência. Por isso, a nossa política de hedging é global, mas com autonomia controlada”, diz Silvia Mello, da Heineken Brasil. Ela explica que, em termos de commodity, a maior exposição de sua empresa é no preço da lata, pois tem o preço do dólar e do alumínio, acarretando em um duplo hedge. “Praticamos hedge account. E, no que diz respeito à moeda, olhamos doze meses à frente por causa da volatilidade. Quando é commodity, como o alumínio, são 36 meses”, completa.

Johnson Electric – Roberto Souza, diz que sua empresa, líder mundial na fabricação de micro-motores, adota um padrão parecido com o citado acima. Eles praticam hedge account e olham doze meses adiante para moeda e 36, para commodity, mas não têm nenhuma autonomia local. “Em relação ao grau de exposição, o ajuste é sempre feito na matriz. E a tributação também é um definidor na hora de considerarmos empréstimos locais ou no exterior. Temos feito só lá fora”, afirma.   

Basf –Já Fernando Lobo, da Basf, que atua no setor químico, conta que não fazem hedge account. “Lidamos com um nível alto de compliance e é preciso valer a pena de fato”, salienta. Ele afirma que a estratégia de hedging de sua unidade é dada pela política geral do grupo, e que, de tempos em tempos, sua área questiona se não deveriam ter alguma exposição. “Afinal, se há uma boa previsão, de apreciação da moeda local, poderíamos ter. “Mas a nossa política é de exposição 0”, diz. Já quando fazem algum empréstimo da matriz, ele explica que pode ser em dólar, real ou euro, mas que em real os juros são bem maiores. “Então temos que fazer um cálculo de eficiência de hedge”, diz.  

Basf – “O hedge offshore tem o detalhe da tributação, mas a dedutibilidade dos juros depende de como se interpreta a lei. Preferimos no entanto, o hedge onshore”, afirma Fernando Lobo.

Heineken –Silvia Mello diz que na Heineken eles nem cogitam fazer offshore. “A não ser em casos bem específicos. Com a aqusição da Kirin, por exemplo, herdamos uma exposição a hedge de açúcar, e estamos pensando em ter só essas operações offshore”, complementa.

  • E o que vocês tem a dizer sobre hedge para taxa de juros?

Heineken – “Não fazemos hedge de taxa de juros no Brasil –seja para Selic ou TJLP. É uma decisão da nossa matriz”. explica Mello.

Johnson—“Também não fazemos cálculo de exposição para juros. Isso porque você acaba adotando sua estratégia de hedge (pré ou pós) de acordo com sua análise de juros de médio ou longo prazo”, afirma Roberto Souza.  

 

 

> SOBRE A THOMSON REUTERS  | FINANCIAL & RISK
Combinamos as notícias, dados e informações  em tempo real com ferramentas analíticas e plataformas de negociação eletrônica. Conectamos mais de 440.000 profissionais em 150 países das comunidades de trading, investimentos, finanças e corporativos através nossas soluções customizáveis, com pacotes e custos de acordo com suas necessidades.

> AGÊNCIA DE NOTÍCIAS REUTERS
Fundada há mais de 165 anos, a agência de notícias Reuters conta com 2,600 jornalistas, 600 jornalistas fotográficos em cerca de 200 localidades ao redor do globo. Produzindo 2.500+ reportagens, 1,5+ Milhões de alertas de notícias, 100+ reportagens investigativas, 850.000+ fotos, 100.000+ vídeos.

> PARA QUEM PRECISA SABER ANTES > EIKON 
As notícias e dados estão disponíveis em tempo real através do terminal de informação

> PARA QUEM PRECISA DISTRIBUIR DADOS > ELEKTRON 
Dados e tecnologia para sua instituição, em tempo real ou EOD

> PARA QUEM PRECISA DE CONTEÚDO > DIGITAL
Soluções digitais de conteúdo para Fintechs e Advisors.

> PARA QUEM PRECISA DE IMPACTO > REUTERS PLUS
Imagens, fotos e vídeos premiados da Reuters, atualizados 24/7

> PARA QUEM PRECISA DE GESTÃO DE RISCO E COMPLIANCE > RISK
Soluções para riscos de terceiros e clientes, governança e treinamentos de compliance