Entenda como a alta de juros nos EUA afeta seu dia-a-dia

Entenda de que forma as ações do Fed, banco central norte-americano, afetam toda a economia mundial
Quando o Federal Reserve, banco central norte-americano, se reunir mais uma vez nesta quarta-feira, 1º de novembro, a maioria dos cidadãos comuns, tanto nos EUA quanto em outro países, como o Brasil, provavelmente não perderão sequer um segundo pensando sobre os potenciais efeitos desse evento. Afinal, elevação de taxas de juros nos EUA ainda soa, para meros mortais, como algo que só diz respeito às autoridades monetárias daquele país e profissionais de Wall Street. 

Mas o fato é que as ações do Fed refletem na vida de qualquer um que, de uma forma ou outra, esteja inserido na economia norte-americana.

E a partir disso, uma reação em cadeia global, faz com que respingos dessa enxurrada sejam sentidos por cidadãos de países ao redor do globo.    

 

Mas, afinal, como isso acontece?

Na reunião desta semana economistas acreditam que o Fed manterá inalteradas as taxas de juros, mas a questão é que, desde dezembro de 2015 a entidade monetária tem se dedicado a elevar de forma gradual os juros norte-americanos – e essa tendência deve continuar.

Então vamos lá: taxas de juros significam, de maneira simplificada, o custo de emprestar dinheiro. E qualquer mudança nisso desencadeia uma reação em série na economia. 

Como as pessoas são mais propensas a pegar dinheiro emprestado quando os juros estão baixos, a sua elevação pelo Fed pode fazer com que empresários e pessoas em geral desistam de requisitar crédito para realizar grandes compras.

A compra de um carro ou de uma casa, por exemplo, pode ser deixada para outra hora. E empresários podem desistir de ir atrás de crédito para expandir, limitando assim investimentos e contratações de funcionários. De forma geral, tudo isso leva a menos gastos e, consequentemente, a uma menor atividade econômica. 

 

E, como o aumento das taxas de juros afeta o cidadão comum?

Bem, vamos começar analisando os mecanismos de Wall Street. Grandes bancos dos EUA emprestam dinheiro e tomam dinheiro emprestado do Federal Reserve, o banco central americano. Mas, a partir do momento que o Fed aumenta as taxas de juros, essa reação em cadeia citada acima já começa. Diante disso, o Fed oferece aos bancos pagar uma taxa de retorno mais alta, em um exclusivo mercado overnight.

Essas taxas mais altas, por sua vez, afetam outros mercados, e acabam restringindo a disponibilidade de fundos como um todo – simplesmente porque pegar dinheiro emprestado agora ficou mais caro. Ou seja, eventualmente, esse dinheiro (mais valioso) acaba penetrando em inúmeros mercados e influencia as taxas de juros oferecidas para quem precisa comprar casas, carros e etc.

E não são apenas os norte-americanos que sentirão as consequências. 

Juros mais altos nos Estados Unidos atraem investidores internacionais em busca de retornos maiores, o que quase sempre impulsiona o valor do dólar, fazendo com que outras moedas se desvalorizem diante da norte-americana.

E isso, inevitavelmente, acabará deixando os cidadãos desses outros países um pouco mais pobres.

Para o americano comum, no entanto, o primeiro efeito seria sentido ainda dentro de casa. As parcelas de financiamento da casa própria e do carro, assim como as taxas de juros dos cartões de crédito e de outros empréstimos, provavelmente vão subir em uma reação em cadeia conforme o Fed for aumentando os juros.

No meio de tudo isso há pelo menos uma boa notícia: quem tem dinheiro aplicado será recompensado com retornos maiores, especialmente em investimentos seguros como bonds. Tudo bem que aumentos de 0,25% de tempos em tempos podem parecer pouca coisa, mas para quem vive de aposentadoria, por exemplo, isso pode significar um pouco mais de dinheiro no bolso. Enfim, é assim que uma pequena alteração em um obscuro mercado overnight pode realmente afetar cada um de nós.        

TAXAS DE JUROS NOS EUA

Acompanhe abaixo a trajetória das taxas de juros do Federal Reserve desde a década de 1970. Iniciado em dezembro de 2015, o movimento de elevação gradual de juros pelo banco central norte-americano deve continuar neste e no próximo ano –e demonstra que a autoridade monetária aposta no fortalecimento da economia do país

Acesse o gráfico interativo da Reuters Graphics aqui.

Segundo uma pesquisa da Reuters com economistas realizada na semana passada, o Federal Reserve deve elevar os juros em dezembro e mais duas vezes no próximo ano.

A maioria dos entrevistados espera que a economia do EUA determine futuros aumentos dos juros, mas uma mudança de regime no Fed também pode afetar a política monetária. E o presidente dos EUA, Donald Trump, deve decidir ainda nesta semana se indicará o diretor do Federal Reserve Jerome Powell como próximo chair do banco central norte-americano, afirmou uma fonte familiarizada com o assunto. O anúncio, afirmou separadamente uma autoridade da Casa Branca, deve ocorrer nesta quinta-feira. O mandato da atual chair do Fed, Janet Yellen, termina em fevereiro de 2018. Powell, Yellen e John Taylor, economista da Universidade de Stanford, estão na lista do presidente (leia mais aqui).

Ao escolher Powell, diretor do Fed desde 2012, Trump conseguiria a combinação de mudança de liderança com a continuidade oferecida por alguém que faz parte do Fed de Yellen, que manteve a economia e os mercados estáveis nos últimos anos.

Powell, de 64 anos, apoiou a direção geral de Yellen na definição da política monetária e nos últimos anos compartilhou suas preocupações de que a inflação baixa justifica abordagem cautelosa e contínua de aumento das taxas de juros.

 

Novo aumento em dezembro

Ainda assim, uma grande maioria dos mais de 100 economistas na mais recente pesquisa da Reuters espera que os aumento dos juros aconteça de acordo com o desempenho da economia norte-americana.

Segundo boletim divulgado na sexta-feira passada pelo Departamento de Comércio, a economia dos EUA manteve inesperadamente o ritmo acelerado de crescimento no terceiro trimestre, com o aumento do investimento em estoques e um déficit comercial menor compensando a desaceleração nos gastos dos consumidores relacionada aos furacões e o declínio da construção. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anual de 3,0 por cento no período entre julho e setembro, depois de expandir a um ritmo de 3,1 por cento no segundo trimestre (leia mais aqui).

Quarenta dos 50 economistas que responderam a uma pergunta extra também disseram que a economia dos EUA, que está em um ritmo de crescimento constante, não precisa de um grande estímulo fiscal na forma de cortes de impostos amplos.

Os economistas projetam que o Fed vai elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 1,25 e 1,50 por cento em dezembro.

Todos os 100 economistas esperam que a política monetária seja mantida na reunião desta quarta-feira.

O banco central projeta mais três altas em 2018, enquanto os economistas veem apenas mais duas, o que levaria a taxa para a faixa entre 1,75 e 2 por cento.

 

Teste para o Brasil

A América Latina e o Brasil em particular estão bem posicionados entre os países em desenvolvimento para resistir aos aumentos esperados dos juros pelos bancos centrais dos Estados Unidos e europeu nos próximos meses, disseram investidores e economistas.

Nos meses depois de maio de 2013, quando o então chair do Federal Reserve Ben Bernanke anunciou planos para reduzir o estímulo monetário, o JPMorgan Emerging Markets Global Bond Index recuou quase 15% desde a máxima de maio, atingindo a mínima para o ano em setembro. E o índice MSCI de ações do mercado emergente recuou 17,4% da máxima de maio para a mínima do ano em junho.

Mas esse padrão não deve se repetir mesmo se o Fed começar a reduzir sua carteira de títulos de 4,5 trilhões de dólares e com a perspectiva de que continue a elevar os juros, disseram analistas. "Se você olhar os fundamentos desta vez, há uma situação melhor do que antes" disse a diretora sênior do Institute for International Finance, Sonja Gibbs.

O Brasil, em particular, viu a inflação desacelerar durante a recessão severa e fez alguns progressos em reformas estruturais, aumentando o conforto dos investidores com seu plano de continuar cortando os juros, mesmo com o aperto monetário do Fed.

A maior economia da América Latina foi anteriormente chamada pelos analistas da Morgan Stanley como uma das "Cinco Frágeis" –economias mais vulneráveis à fuga de capitais. Mas desta vez a economia brasileira é uma das que estão melhor situadas, disseram autoridades e economistas.
Acesse o gráfico interativo da Reuters Graphics aqui.

 

 

 

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