Exploração madeireira ilegal: você consegue gerenciar o risco da cadeia de suprimentos?

Estima-se que a exploração madeireira ilegal seja o maior de todos os crimes ambientais. As empresas precisam considerar como podem evitar que suas cadeias de suprimentos contribuam para este negócio.
A view of logs made from the sawdust collected from the mills that cut Amazon trees.
REUTERS/Paulo Santos

Atraídas pelo baixo risco e altos retornos, quadrilhas criminosas em todo o mundo estão voltando a sua atenção para a prática da exploração madeireira ilegal. Suas operações abrangem o Extremo Oriente Russo e as nações tropicais produtoras de madeira do Sudeste Asiático, África Ocidental e Central e América do Sul.

 

Apenas uma política no papel?

Até recentemente, as abordagens estratégicas por parte dos governos e organizações para combater a exploração madeireira ilegal basearam-se quase inteiramente na criação de regimes de certificação que visam boas práticas florestais e normas para coibir a entrada de madeira ilegal nos mercados.

Embora estes programas visem reunir as partes interessadas e criar incentivos para as exportações legais e manejo florestal sustentável, estudos recentes sugerem que eles têm sido apenas parcialmente eficazes.

Baixe o artigo — O custo do crime ambiental: exploração madeireira ilegal

 

Países de alto risco

Este ano, os Países Baixos e o Reino Unido tomaram medidas contra empresas que importaram produtos de Camarões associados à extração ilegal de madeira.

Embora Camarões tenham assinado o Acordo de Parceria Voluntário com a União Europeia em 2010 para interromper o corte ilegal e fortalecer a governança florestal no país, ele não parece estar totalmente implementado, uma vez que práticas de exploração madeireira não sustentáveis e ilegais ainda ocorrem imperturbavelmente.

O desmatamento, destruição do ecossistema local e diminuição da resistência às mudanças climáticas continuam sendo um resultado desta prática.

Este comportamento levou muitos países europeus a rotular Camarões como um país de “alto risco” para a extração madeireira ilegal.

Em julho, o governo  brasileiro anunciou que desmantelou o maior grupo de exploração madeireira ilegal e apropriação ilegal de terras do país, culpado de causar danos ambientais da ordem de US$ 94 milhões.

O Brasil promulgou uma lei para proteger as florestas e estabelecer regras claras de combate ao desmatamento em 2012. As autoridades estão dando um passo na direção correta, mas certamente outras medidas precisam ser tomadas.

Enquanto isso, um relatório do Greenpeace mostrou que o número de casos de exploração madeireira ilegal registrados pelas autoridades na Romênia aumentou de 62 por dia em 2013-2014 para 96 em 2015. Também houve cerca de 20.000 ligações para a Forest Radar hotline  para verificar a legalidade da madeira.

 

Impacto ambiental

O desmatamento em grande escala e a destruição de florestas tropicais por queimadas ilegais são responsáveis por 17% de todas as emissões provocadas pelo homem, 50% maiores do que todo o transporte terrestre, marítimo e aéreo combinado

Trata-se de um fator colaborador significativo para a mudança climática, perda irreparável na biodiversidade e para a taxa exponencial de extinção das espécies mais emblemáticas do mundo.

A dimensão do problema torna-se clara em uma estatística: apenas 10% da cobertura florestal primária do mundo permanece atualmente.

Baixar infográfico – Distribuição geográfica dos países que sofrem com a extração madeireira ilegal

O custo humano

A mídia divulgou amplamente que aldeias inteiras na Ásia foram expulsas e suas áreas desmatadas para dar lugar a plantações de palmeiras de óleo de palma lucrativas.

O óleo de palma é transformado em diversos produtos finais de consumo diariamente, que vão do chocolate, passando pelos cosméticos e óleo de cozinha, a combustíveis.

Em alguns países da América do Sul, comunidades indígenas são utilizadas como trabalho forçado para as operações de exploração madeireira ilegal.

Além disso, as redes de tráfico de pessoas muitas vezes fornecem trabalho para locais remotos de exploração madeireira. De acordo com estatísticas da Organização Internacional do Trabalho, o Brasil tem áreas com alta incidência de trabalho escravo, e estima-se que o Peru tenha 33.000 pessoas realizando trabalhos forçados na indústria madeireira.

 

Combate ao desmatamento ilegal

Portanto, quais são as perguntas que as organizações devem fazer para evitar que a extração madeireira ilegal faça parte da sua cadeia de suprimentos?

Um dos primeiros fatores a serem considerados é se a localização do seu fornecedor tem algum risco associado a ela.

Veja a posição das jurisdições no índice anticorrupção da Thomson Reuters

Abordagem baseada no risco

É importante considerar que a exploração ilegal da madeira pode ocorrer em toda a cadeia de suprimentos.

A leniência do cumprimento das leis, políticas e normas é um fator contribuinte.

A adoção de uma abordagem baseada no risco holística e ter acesso às ferramentas e dados relevantes podem ajudar as empresas a mitigar esses riscos.

 

Como a Thomson Reuters pode ajudar

Uma vez que as organizações entendam o risco jurisdicional e setorial dos seus fornecedores, elas precisam de acesso a dados de qualidade para monitorar estes riscos.

Saiba mais sobre como a Thomson Reuters pode ajudar a prevenir que a madeira ilegal entre na sua cadeia de suprimentos 

Durante décadas a inteligência de riscos Thomson Reuters World-Check vem fornecendo às organizações os dados de que elas necessitam para monitorar os riscos, incluindo sanções, pessoas politicamente expostas, suborno e corrupção, comunicações negativas dos meios de comunicação, escravidão e abuso dos direitos humanos e crimes ambientais.

A madeira ilegal e crimes ambientais associados estão sendo monitorados mundialmente 24/7 pela equipe de análises do World-Check.

A Thomson Reuters também oferece due diligences aprimoradas que permitem que as organizações solicitem um relatório mais profundo de uma equipe de analistas treinados em quaisquer riscos aumentados sinalizados por indivíduos/entidades na sua cadeia de suprimentos.