A turbulência da transição

Em meio à atual instabilidade política e econômica que percorre o planeta, em que a globalização e até a democracia sofrem ameaças, o professor Marcos Troyjo, da Columbia University, oferece insights sobre as principais tendências do momento e traça um panorama do que podemos esperar para o Brasil e a América Latina
Para pessoas, sociedades e empresas, o mundo parece um lugar instável. Certezas políticas e econômicas estão desmoronando; globalização e democracia parecem estar ameaçados; as novas tecnologias têm minado as noções tradicionais que temos sobre empresa, trabalho e até mesmo governo. 

• Mas estamos mesmo sendo dragados pela conectividade e digitalização?

• Ou será que voltaremos para uma era de hard power, de estadonação e competição de soma-zero?

• E em um mundo des-globalizado e protecionista, as empresas precisam reaprender métodos antigos?

Na palestra “A turbulência da transição: um guia de sobrevivência”, destaque da 11ª conferência anual da EuroFinance sobre “Gerenciamento Internacional de Tesouraria, Caixa e Riscos para Empresas no Brasil”, realizada nos dias 07 e 08 de novembro em São Paulo, o professor Marcos Troyjo*, diretor do BRICLab da Columbia University, nos Estados Unidos, analisa se o futuro será moldado menos por países do que por conectividade. E se a globalização foi muito longe e nós estaríamos entrando em uma era de conflitos de recursos.

Dinte de tudo isso, indagamos: como será o Brasil e a América Latina? Embora não possamos prever o futuro, insights sobre as principais tendências do momento atual lhe darão uma pausa para pensar.

Confira os principais destaques da apresentação de Marcos Troyjo.

Por que as nações (e empresas) têm exito

Algum tempo atrás virou uma verdadeira coqueluxe falar que o principal motivo para os países darem certo era a educação. Mas se realmente fosse assim, o que dizer da Rússia, Argentina e Cuba, por exemplo? “Apesar de avanços tecnológicos notáveis, os russos, por exemplo, não conseguiam fazer nem um fogão que funcionasse”, lembra Troyjo.

Ok, então percebeu-se que só a educação não era a saída. E começou-se a teorizar sobre o papel das guerras para que uma nação desse certo. Afinal, passar pela experiência de privações e disciplina necessárias para enfrentar um conflito armado de longo prazo tornaria qualquer povo mais apto. “Mas, se isso fosse verdade, Egito e (mais uma vez) Rússia, seriam riquíssimos”, comenta ele.

Ah, então outros teóricos vieram com uma nova hipótese: era necessário ter uma imprensa livre, com uma forte opinião pública! “Aí rebato, mas e a China? Como é que deram tão certo?”, diz.

Após todas essas hipóteses chegou-se a uma conclusão: todos os exemplos de êxito possuem um denominador comum. Ou seja, esses países e suas empresas conseguiram se adaptar bem à globalização. 

Mas, que globalização é essa?

A partir dessa premissa, precisamos definir do que se trata essa globalização. Se o desafio desse painel é gerenciamento internacional de risco, precisamos fazer um scanning do que é globalização. “Eu a enxergo como uma nuvem orgânica que vai se alimentando de tendências ao longo do tempo”, afirma.

Para entender melhor, vamos fazer uma espécie de viagem no tempo e parar em 8 de novembro de 1992.

Pensem que a nossa empresa é a nossa empresa e as circunstâncias que a rodeiam. E em 1992, no pós-desmantelamento da União Soviética, havia a percepção de que o mundo estava caminhando para um horizonte sem fronteiras. Via-se que o livre comércio era não apenas irreversível, mas uma lei; e que a democracia representativa tinha vindo para ficar. E havia um país que representava tudo isso: os Estados Unidos. “Aliás, 25 anos atrás, acreditava-se que se havia um país que podia ameaçar os EUA, seria o Japão. Em termos de relevância econômica, ninguém nem falava em China”, destaca o professor. “E outra característica desse mundo de 25 anos atrás era a inovação –palavra sagrada na época”.

Enfim, há 25 anos, esse era o cenário para quem quisesse estar apto a se adaptar à globalização. Mas e agora? Como estamos?

Mudanças no protagonismo econômico e populacional

Há fatores importantes que definem o cenário atual:

  • A tendência de “made in the world goods” (mercadorias feitas ao redor do mundo, em português) começou a ser vista como algo ruim. “E está aí Donald Trump representando isso”, diz Troyjo.
  • Estamos começando a presenciar um eclipse dos EUA pela China em termos econômicos. “Em até dez anos a China deverá ser a maior economia do mundo”.   
  • Em menos de dez anos, a India deverá ultrapassar a China como país mais populoso do mundo. 

Essa mudanças serão cruciais para o Brasil e suas empresas nos próximos 25 anos. Isso porque, como a China está ficando muito cara como grande manufaturador do mundo, a produção agora está migrando para países como Indonésia, Paquistão, Myanmar e India. “Eles serão consumidores muito fortes. E a América Latina terá grande oportunidade de fazer caixa exportando commodities minerais e agrícolas para esses países.

“A minha impressão é que um vento bom começa a soprar de novo em direção aos países da América Latina. E só compete a nós repetir os erros ou aproveitar para investir em pesquisas, desenvolvimento e inovação”, diz o professor de Colúmbia.   

Marcos Troyjo é graduado em ciência política e economia pela Universidade de São Paulo (USP), doutor em sociologia das relações internacionais pela USP e diplomata. É integrante do Conselho Consultivo do Fórum Econômico Mundial, diretor do BRICLab da Universidade Columbia, pesquisador do Centre d´Études sur l´Actuel et le Quotidien (CEAQ) da Universidade Paris-Descartes (Sorbonne), fundador do Centro de Diplomacia Empresarial e conselheiro do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). É colunista do jornal "Folha de S.Paulo".

 

 

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