Tendências tecnológicas para o Direito: o futuro da prática jurídica

Entenda os principais movimentos tecnológicos que estão mudando a rotina, a gestão e o modelo operacional dos escritórios de advocacia.

Por que falar de tendências tecnológicas no Direito agora?

A maioria dos escritórios já reconhece que precisa incorporar tecnologia à operação. Poucos, porém, têm clareza sobre por onde começar e como medir se os investimentos estão gerando resultados.

As tendências tecnológicas influenciam decisões que vão além da escolha de ferramentas. Elas afetam a forma como escritórios organizam demandas, distribuem trabalho, acompanham riscos, entregam valor aos clientes e planejam crescimento.

E essa mudança aparece em várias frentes ao mesmo tempo   

  • A pesquisa jurídica passa a exigir fontes mais confiáveis e rastreáveis.
  • A gestão de contratos depende de fluxos mais controlados, da criação à execução.
  • O contencioso demanda mais previsibilidade sobre prazos, volumes e riscos.
  • E a inteligência artificial começa a entrar em atividades como resumo de processos, análise documental, revisão de informações, perguntas e respostas jurídicas e apoio à tomada de decisão.

Adotar tecnologia é uma parte da resposta. Entender onde ela gera eficiência, qualidade, controle e novas formas de atuação jurídica é o que permite transformar uso em impacto real.

Como a tecnologia está transformando a prática jurídica?

Eficiência operacional e qualidade técnica precisam avançar juntas. O ganho real aparece quando a tecnologia melhora a organização das informações, a previsibilidade da operação e a consistência das entregas ao cliente.

A mudança estrutural está no desenho do trabalho jurídico

Rotinas antes apoiadas em verificações individuais começam a ser redesenhadas com dados mais organizados, workflows, trilhas de auditoria e critérios de governança.

Esse movimento altera como os escritórios pensam seu modelo de negócio

A produtividade deixa de depender do esforço individual e passa a envolver processos mais claros, informações mais acessíveis e indicadores capazes de mostrar onde há gargalos, oportunidades de melhoria e riscos acumulados. Neste contexto, a tecnologia passa a sustentar decisões sobre capacidade da equipe, priorização de demandas, gestão de riscos, experiência do cliente e rentabilidade.

Esse ponto também aparece na relação entre eficiência e faturamento

Parte da ineficiência jurídica não aparece apenas como atraso ou retrabalho, mas como valor que deixa de ser faturado. Quando tarefas consomem mais tempo do que o previsto, ou exigem correções sucessivas, o escritório pode reduzir ou retirar horas da cobrança ao cliente.

Na prática, isso mostra que a ineficiência operacional não afeta apenas o tempo da equipe. Ela também impacta margem, precificação, previsibilidade financeira e percepção de valor pelo cliente.

Onde a eficiência pode reduzir perdas invisíveis

As principais áreas de revenue leakage estão ligadas a atividades que fazem parte da rotina jurídica, mas podem consumir mais tempo do que o previsto quando não há processos, dados e tecnologia bem estruturados:

Tendências tecnológicas para o Direito precisam ser analisadas a partir de seus efeitos práticos

Digitalização, analytics, automação e inteligência artificial têm mais relevância quando ajudam o escritório a responder perguntas concretas: quais demandas consomem mais tempo? Onde há retrabalho? Quais riscos exigem atenção? Quais processos podem ser padronizados? Como medir qualidade, eficiência e valor entregue ao cliente?

A discussão sobre tendências tecnológicas no Direito não deve começar pela ferramenta, mas pelo problema que ela ajuda a endereçar

Quando tecnologia, dados, processos e pessoas atuam de forma conectada, o escritório ganha mais condições de organizar sua operação, proteger a qualidade técnica e tomar decisões com mais clareza.

IA generativa, agentes e automação: o novo vocabulário da eficiência jurídica

A eficiência jurídica está sendo discutida com um novo vocabulário. Termos como automação, IA generativa e agentes de IA aparecem com frequência, mas representam capacidades diferentes dentro da operação do escritório.

Juntas, essas tecnologias começam a mudar a arquitetura do trabalho jurídico

Dados de uso de IA generativa nas áreas de Legal, Tax, Accounting, Audit, Risk e Government

Definir um programa de governança se torna cada vez mais importante

A governança define as regras para usar tecnologia com segurança, consistência e responsabilidade na rotina jurídica.

Esse cuidado ganha força em um cenário no qual a adoção ainda avança mais rápido do que a formalização de políticas internas:

Segundo Pesquisa Inteligência Artificial no Judiciário 2024, do CNJ, metade dos tribunais e conselhos declarou não possuir diretrizes internas específicas sobre o uso de IA generativa. O relatório detalha que 26,3% afirmaram não haver diretrizes sobre o assunto e 23,7% indicaram que elas estão em desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o debate regulatório já oferece referências importantes para orientar esse uso. A Resolução CNJ nº 615/2025 estabelece normas para desenvolvimento, governança, auditoria, monitoramento e uso responsável de IA no Poder Judiciário. Já a OAB aprovou recomendações para orientar o uso de IA generativa na prática jurídica, com atenção a ética profissional, confidencialidade, privacidade, supervisão humana e transparência com o cliente.

O gráfico abaixo resume os principais pontos dessas duas referências e mostra como elas ajudam a estruturar uma base comum para o uso responsável da IA no contexto jurídico.

Outras perguntas que devem ser respondidas antes da adoção:

  • Quais dados podem ser inseridos em ferramentas de IA e automação;
  • Quais informações precisam ser anonimizadas antes do uso;
  • Quais tarefas podem ser apoiadas por IA, automação ou outros recursos tecnológicos;
  • Quais fluxos podem ser automatizados e quais etapas exigem intervenção humana;
  • Quais entregas exigem revisão obrigatória antes de serem enviadas ao cliente;
  • Quem será responsável pela validação técnica, jurídica e operacional;
  • Quais critérios devem classificar tarefas por nível de risco;
  • Como documentar decisões, aprovações e alterações feitas com apoio da tecnologia;
  • Como monitorar erros, inconsistências ou usos fora da política interna;
  • Como registrar aprendizados, boas práticas e usos aprovados.

A qualidade da resposta também depende da qualidade do conteúdo usado como fonte

Uma base desatualizada, mal classificada ou cheia de versões antigas pode gerar análises menos confiáveis, mesmo com uma ferramenta avançada.

Por isso, o escritório precisa gerir a curadoria do próprio conhecimento com critério.

Algumas ações necessárias:

  • Remover modelos obsoletos;
  • Separar teses superadas ou pouco recomendadas;
  • Atualizar documentos conforme mudanças legislativas e jurisprudenciais;
  • Identificar materiais aprovados como referência interna;
  • Padronizar nomes, versões e categorias;
  • Classificar documentos por área, tema, tipo e grau de atualização;
  • Definir responsáveis pela revisão periódica.

E cresce a importância de medir impacto

Como medir o impacto da IA em escritórios de advocacia?

O impacto da IA pode ser medido por indicadores de eficiência, adoção, qualidade e capacidade operacional. Entre as métricas que podem ser acompanhadas estão:

  • Tempo economizado por tipo de tarefa;
  • Redução de retrabalho;
  • Volume de documentos analisados;
  • Frequência de uso por área ou equipe;
  • Quantidade de usuários ativos;
  • Qualidade percebida das entregas;
  • Necessidade de revisão após o uso da IA;
  • Cumprimento de SLAs internos ou externos;
  • Novos fluxos criados com apoio da tecnologia;
  • Capacidade de absorver mais demandas sem ampliar a equipe na mesma proporção.

 

Para aprofundar

Alguns conteúdos ajudam a detalhar essas frentes:

  • IA na pesquisa jurídica: entenda por que confiança, rastreabilidade e responsabilidade são critérios centrais;
  • IA generativa no Direito Civil: veja aplicações práticas em contratos, peças processuais e análise jurídica;
  • Melhor IA jurídica: conheça critérios para escolher uma tecnologia com base especializada, segurança e governança;
  • Robôs jurídicos para diligências: aprofunde o uso de automação em diligências, monitoramento de processos e tarefas repetitivas.
  •  IA em escritórios de advocacia: como implementar com estratégia, segurança e resultado
  • CoCounsel: conheça o assistente de IA da Thomson Reuters, criado por advogados para advogados. A solução apoia tarefas jurídicas complexas com conteúdo confiável e integração ao fluxo de trabalho.

 

Quais tendências tecnológicas estão transformando a gestão de contratos?

Sobretudo para escritórios de médio e grande porte, os contratos precisam estar conectados a fluxos de aprovação, modelos padronizados, trilhas de auditoria, alertas, dashboards e critérios claros de governança.

O desafio está em organizar todo o ciclo contratual, desde a entrada da demanda até a assinatura, o acompanhamento de obrigações, a gestão de prazos, os aditivos e a análise posterior dos documentos.
 

A dor contratual não termina na assinatura

Em muitos casos, documentos operacionais, relatórios, registros de execução e comunicações posteriores sustentam discussões jurídicas futuras. Quando essas informações ficam dispersas, o escritório perde contexto e aumenta o risco de retrabalho, divergências e análises incompletas.
 

Workflows e IA ampliam a capacidade de prevenção e análise

Fluxos bem desenhados ajudam a padronizar etapas, reduzir gargalos e registrar decisões. Já a IA pode apoiar a leitura de grandes volumes de documentos, a identificação de pontos relevantes e a organização de informações para revisão jurídica.
 

Case: gestão contratual e preventiva na Giaccio

A Giaccio Advocacia Empresarial, grupo com 15 anos de atuação, enfrentava dificuldades para gerenciar informações que não estavam ligadas diretamente a processos judiciais.
 

A virada de chave

Com o apoio do HighQ e do Legal One, soluções tecnológicas da Thomson Reuters para gestão jurídica, workflows e controle de processos e contratos, o escritório passou a organizar melhor processos, tarefas e informações dos clientes. Com isso, conseguiu personalizar serviços, entregas e relatórios conforme a necessidade de cada cliente.

Esse resultado mostra como a tecnologia pode fortalecer a gestão contratual quando conecta documentos, fluxos, dados e acompanhamento contínuo.

A lógica é: quanto mais rastreável é a operação, melhores são as condições para prevenir riscos, responder clientes e sustentar análises jurídicas.

Fluxo da gestão contratual

Para aprofundar

Alguns conteúdos ajudam a detalhar essa frente:

  • Automatizar contratos: entenda como escolher ferramentas e estruturar fluxos com modelos, CLM, minutas automáticas e IA;
  • Smart contracts em contratos imobiliários: veja limites jurídicos, desafios práticos e pontos de atenção em transações imobiliárias;
  • M&A: aprofunde o papel da governança, da due diligence e da gestão de projetos em operações complexas;
  • Migração de dados jurídicos: conheça riscos técnicos e operacionais ao transferir informações entre sistemas.

Como a tecnologia pode apoiar escritórios de advocacia na Reforma Tributária?

A Reforma Tributária amplia a demanda por interpretação jurídica. Para profissionais do direito, isso significa apoiar clientes em dúvidas que envolvem contratos, operações, riscos, disputas, teses e decisões estratégicas.
 

A tecnologia pode apoiar escritórios na leitura, organização e aplicação prática das mudanças trazidas pela transição

1. IA generativa e Q&A jurídico
Ferramentas como o CoCounsel podem apoiar perguntas e respostas sobre temas da Reforma Tributária, indicar pontos de atenção em documentos e ajudar na estruturação inicial de cenários para revisão dos profissionais jurídicos.
 

2. Monitoramento regulatório e bases de informação
Plataformas como Westlaw, Checkpoint e Biblioteca Jurídica Digital ProView acompanham mudanças legislativas, regulatórias e jurisprudenciais e apoiam o escritório a trabalhar com conteúdo especializado, atualizado e estruturado para consulta profissional.
 

3. Dados, analytics e leitura de impactos
Soluções de analytics ajudam a comparar impactos, mapear riscos contratuais, identificar obrigações afetadas e antecipar discussões que podem chegar ao contencioso ou à negociação com clientes, fornecedores e parceiros. O Legal One Analytics é um exemplo de solução que ajuda a transformar dados jurídicos em painéis, indicadores e análises para decisões mais estruturadas. Em projetos consultivos mais complexos, o HighQ também pode apoiar a gestão de informações, tarefas e entregas por cliente.
 

4. Automação e workflows
Há tecnologias que apoiam a padronização de análises, revisões e aprovações internas. Também ajudam a organizar demandas recorrentes, controlar prazos e reduzir retrabalho em projetos consultivos ligados à Reforma Tributária. Soluções como Workflow Smart e Legal One, por exemplo, podem apoiar a criação de fluxos, distribuição de tarefas, acompanhamento de etapas e registro das decisões tomadas ao longo do projeto.
 

5. Gestão de documentos e conhecimento
Plataformas de gestão de arquivos permitem centralizar contratos, pareceres, teses, notas técnicas e materiais de referência. Com documentos bem classificados e atualizados, o escritório ganha mais consistência para revisar impactos e orientar clientes. Soluções como HighQ apoiam a organização segura de documentos, projetos e colaboração.
 

Para aprofundar

Como a tecnologia amplia previsibilidade na gestão do contencioso?

Quanto maior a carteira, maior a necessidade de organizar a gestão do contencioso. Para isso, é necessária uma estrutura que garanta controle sobre volume, prazos, andamentos, documentos e histórico.

Sistemas de gestão jurídica ajudam a centralizar processos, compromissos, documentos e tarefas. Já a automação pode apoiar rotinas repetitivas, como monitoramento de andamentos, leitura de publicações, controle de prazos e encaminhamento de providências.

Na prática, a tecnologia pode apoiar:

  • Centralização de processos, publicações e compromissos;
  • Monitoramento de intimações;
  • Organização do histórico processual e documental;
  • Automação de tarefas repetitivas e fluxos de aprovação;
  • Leitura e resumo de documentos;
  • Criação de dashboards para acompanhar carteira, risco e produtividade;
  • Uso de indicadores para priorizar demandas e distribuir capacidade da equipe.

A IA também ganha espaço na rotina contenciosa

Ela pode apoiar resumos de processos, leitura de documentos extensos, organização de informações relevantes e identificação de pontos que exigem análise do profissional jurídico. Com isso, o time reduz tempo em etapas operacionais e ganha mais foco para decisões técnicas.

Esse movimento também avança dentro do próprio Judiciário

Indicadores para uma gestão mais previsível

A tecnologia ganha mais valor quando ajuda o escritório a medir a operação. Alguns indicadores relevantes são volume de processos por área, prazos críticos, taxa de êxito, tempo médio de resposta, custo por processo, produtividade por equipe e risco por carteira. Dados apoiam decisões sobre priorização, alocação de profissionais, estratégia processual e relacionamento com clientes.

O Legal One na gestão do contencioso

O Legal One ajuda a oferecer uma visão unificada de processos, prazos, compromissos e informações da carteira. A plataforma também contribui para a gestão de contratos, tarefas, governança e centralização de intimações eletrônicas, ajudando escritórios a acompanhar a operação com mais controle.

 Ao conectar informação, automação e indicadores, a gestão do contencioso passa a apoiar decisões mais consistentes sobre risco, eficiência e estratégia jurídica.

Para aprofundar

Alguns conteúdos ajudam a detalhar essa frente:

·       Gestão de passivo de massa com workflow jurídico: entenda como workflows ajudam a padronizar fluxos, reduzir retrabalho e escalar a gestão do contencioso;

·       Mitigação de riscos no contencioso: veja como dados, tecnologia e jurimetria apoiam uma atuação mais preventiva;

·       Gestão de contencioso com mais previsibilidade: aprofunde práticas para organizar prazos, controladoria jurídica e indicadores;

Biblioteca de referências

Aprofunde os principais temas por área de interesse:

IA e automação jurídica

  • Robôs jurídicos para diligências: entenda como automatizar diligências, monitoramento de processos e tarefas repetitivas com mais escala e controle;
  • IA na pesquisa jurídica: veja por que confiança, rastreabilidade e responsabilidade são critérios centrais na pesquisa jurídica com IA;
  • IA generativa no Direito Civil: conheça aplicações práticas em contratos, peças processuais e análise jurídica, com riscos e cuidados de uso;
  • Melhor IA jurídica: saiba quais critérios considerar ao escolher uma tecnologia com base especializada, segurança, integração e governança.

Contratos e documentos

  • Automatizar contratos: entenda como escolher ferramentas e estruturar fluxos com modelos, CLM, minutas automáticas e IA;
  • Smart contracts em contratos imobiliários: veja desafios jurídicos reais envolvendo boa-fé objetiva, função social dos contratos e segurança jurídica;
  • Modelos de contratos: acesse materiais de referência para apoiar a estruturação de documentos jurídicos em situações específicas;
  • M&A: aprofunde o papel da governança, da gestão de projeto e da due diligence em operações com maior exposição a risco.

Contencioso e riscos

Gestão e crescimento do escritório

Relatórios e pesquisas | Thomson Reuters Institute