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IA na pesquisa jurídica: por que confiança é o critério que mais importa

A adoção de inteligência artificial no Direito deixou de ser uma tendência distante. Hoje, ferramentas generativas já fazem parte da rotina de muitos escritórios: resumem documentos, sugerem argumentos, organizam informações, estruturam pesquisas e aceleram tarefas que antes consumiam horas de trabalho jurídico. Esse avanço é real, e ignorá-lo não é uma opção.

É muito importante se questionar: a resposta gerada por essa IA pode ser sustentada diante de um cliente, de um juiz, de um regulador ou de um sócio responsável pela decisão? É nesse ponto que a discussão sobre IA e o futuro da pesquisa jurídica deixa de ser apenas sobre produtividade e passa a ser sobre confiança.

Em artigo publicado pelo Financial Times, Steve Hasker, CEO da Thomson Reuters, chamou atenção para uma diferença essencial: profissões fiduciárias, como Direito, Tributos, Auditoria e Compliance, exigem mais do que a aceleração do trabalho intelectual. Nesses contextos, o resultado precisa ser autoritativo, rastreável e responsável perante padrões profissionais.

Em outras palavras: em ambientes de alto risco, velocidade não é o diferencial. Confiança é.

O que a IA genérica entrega e o que ela não garante

A popularização das ferramentas de IA generativa trouxe uma promessa objetiva para os escritórios: produzir mais, em menos tempo e com menos fricção operacional.

Para equipes pressionadas por prazos, volume de documentos, demandas simultâneas e margens cada vez mais apertadas, a proposta parece evidente. Se uma ferramenta consegue resumir uma peça, organizar uma linha do tempo ou sugerir caminhos de argumentação em segundos, por que não incorporá-la ao fluxo de trabalho?

A questão é que boa parte das soluções de IA usadas hoje no mercado jurídico não foi construída para o Direito. São modelos genéricos, treinados para responder a uma ampla diversidade de tarefas, temas e contextos. Funcionam bem para usos gerais, mas nem sempre operam com os critérios exigidos por uma prática profissional em que erro, omissão ou imprecisão podem gerar consequências materiais.

Na prática, muitos escritórios ainda avaliam IA pelo critério mais visível: velocidade.

Quanto tempo a ferramenta economiza? Quantos documentos processa? Quantas tarefas automatiza? Quantas horas libera da equipe?

Essas perguntas são importantes, mas insuficientes. Especialmente quando o uso envolve atividades como:

  • Pesquisa jurídica
  • Análise contratual
  • Revisão de documentos
  • Identificação de riscos
  • Elaboração de minutas
  • Organização de informações sensíveis de clientes

O risco não está apenas em a IA errar. Está em errar de uma forma difícil de detectar.

Ferramentas genéricas podem produzir respostas bem escritas, com estrutura lógica e tom convincente. Mas isso não significa que a informação esteja correta, atualizada ou sustentada por uma fonte confiável. Em alguns casos, a resposta pode apresentar alucinações, referências inexistentes, interpretações frágeis ou conclusões sem base verificável.

Para uso pessoal ou exploratório, esse risco pode ser administrável. Para um escritório que presta aconselhamento jurídico, representa outra categoria de problema.

Afinal, a responsabilidade profissional não desaparece quando uma ferramenta entra no fluxo de trabalho. O advogado continua responsável pelo que entrega, recomenda, assina e sustenta.

Por que profissões fiduciárias exigem outro padrão de IA

O conceito de profissão fiduciária parte de uma relação de confiança. O cliente delega a um profissional uma responsabilidade que envolve julgamento técnico, dever de cuidado, confidencialidade e compromisso com seus interesses.

No Direito, isso é especialmente sensível. O advogado não lida apenas com informação, mas também com risco, reputação, patrimônio, estratégia, governança e, muitas vezes, com decisões que podem impactar o futuro de pessoas e organizações.

Por isso, a IA aplicada à prática jurídica precisa responder a critérios diferentes dos aplicados a ferramentas de uso geral.

O output precisa ser:

Autoritativo

Deve se apoiar em conteúdo jurídico confiável, atualizado e adequado ao contexto da pergunta.

Rastreável

O profissional precisa verificar a origem da informação, entender de onde veio a resposta e validar o caminho percorrido.

Responsável

A tecnologia precisa estar alinhada a padrões profissionais, segurança da informação, privacidade e governança.

Essa tríade muda o eixo da discussão. O valor da IA não está apenas em “fazer mais rápido”. Está em apoiar o profissional a decidir melhor, com mais clareza sobre as fontes, os limites e os riscos envolvidos.

IA e o futuro da pesquisa jurídica: por que a fonte importa

Quando falamos em IA e o futuro da pesquisa jurídica, a discussão sobre confiança se torna ainda mais crítica.

A pesquisa jurídica não é uma simples busca por palavras-chave. Ela envolve interpretação, contexto, hierarquia de fontes, atualização normativa, leitura jurisprudencial, comparação de entendimentos e avaliação de aplicabilidade. Em muitos casos, o desafio está em encontrar uma resposta juridicamente sustentável.

É por isso que a IA genérica pode criar uma falsa sensação de segurança. Ela entrega uma formulação rápida, fluida e aparentemente completa. Mas, sem fontes claras, sem conexão com bases jurídicas confiáveis e sem mecanismos de verificação, o ganho de velocidade pode vir acompanhado de um aumento silencioso de risco.

Para escritórios de médio porte, esse ponto é especialmente relevante. Essas bancas vivem uma pressão dupla: precisam competir com estruturas maiores, ganhar eficiência, melhorar prazos e oferecer mais valor aos clientes, mas sem abrir mão da qualidade técnica que sustenta sua reputação.

A IA pode ser uma alavanca importante nesse cenário apenas se a escolha da tecnologia considerar a natureza fiduciária da profissão.

Como escolher uma IA para a prática jurídica?

Durante anos, a adoção de tecnologia jurídica foi orientada por eficiência operacional: automatizar tarefas, reduzir retrabalho, organizar documentos, ganhar escala.

Com a IA generativa, a eficiência continua relevante. Mas ela deixa de ser o único critério.

A escolha passa a envolver perguntas mais exigentes:

→ A ferramenta foi desenhada para o contexto jurídico?

→ Ela trabalha com fontes confiáveis?

→ Permite verificar a origem das respostas?

→ Protege os dados inseridos pelo escritório?

→ Reduz o risco de alucinação?

→ Está alinhada a padrões de segurança e governança?

→ Integra-se ao ambiente de trabalho sem comprometer a confidencialidade?

Essas perguntas ajudam a separar a IA como experimento da IA como infraestrutura de trabalho jurídico.

E essa distinção importa. Porque uma coisa é testar uma ferramenta para tarefas de baixa sensibilidade. Outra é incorporá-la a fluxos que envolvem dados de clientes, documentos estratégicos, decisões de risco e entregas profissionais.

A maturidade do uso de IA no Direito não será medida apenas pela velocidade de adoção. Será medida pela capacidade dos escritórios de estabelecer critérios claros para o que pode, deve ou não deve ser automatizado.

O papel da IA jurídica especializada em decisões de alto risco

É nesse contexto que soluções de IA jurídica especializada ganham relevância.

A proposta não é substituir o julgamento do advogado. Pelo contrário: é apoiar o profissional para que ele tenha mais tempo, contexto e segurança para exercer esse julgamento.

O CoCounsel, da Thomson Reuters, foi desenvolvido especificamente para o setor jurídico. A solução atua em tarefas como:

  • Pesquisa jurídica
  • Análise de documentos
  • Revisão, comparação, resumo e elaboração de rascunhos

Tudo isso com foco em eficiência, precisão e qualidade dos trabalhos legais.

Mais do que acelerar fluxos, a proposta é oferecer uma base mais adequada para contextos em que confiança, rastreabilidade e responsabilidade são critérios centrais. O CoCounsel traz recursos como referências à fonte, integração ao ambiente de trabalho, proteção de dados, instância privada, servidores dedicados, criptografia e a não utilização dos dados do cliente para treinamento de modelos.

Esse ponto é essencial. Em um mercado no qual muitas ferramentas parecem semelhantes na superfície, a diferença está na arquitetura, no conteúdo, na governança e no contexto para o qual a solução foi desenhada. Para o Direito, isso muda tudo.

Quando confiança vira vantagem competitiva

A discussão sobre IA no Direito muitas vezes começa pela produtividade. Porém, tende a avançar para um tema mais estratégico: competitividade.

Escritórios que adotam IA com critério podem ganhar eficiência sem comprometer consistência. Podem liberar profissionais seniores de tarefas repetitivas sem reduzir o rigor analítico. Podem acelerar a pesquisa, a revisão e a organização de informações sem abrir mão da validação.

Mas, para isso, precisam escolher ferramentas compatíveis com a responsabilidade da prática jurídica.

Afinal, a confiança não é um atributo abstrato. Ela se traduz em processos, fontes, segurança, rastreabilidade, governança e capacidade de sustentar uma decisão diante de terceiros.

No futuro da pesquisa jurídica, a pergunta não será apenas sobre qual IA responde mais rápido, mas qual IA ajuda o advogado a responder com mais segurança.

E, em um ambiente de alto risco, essa diferença deixa de ser técnica e passa a ser estratégica.

Conheça o CoCounsel, a IA jurídica da Thomson Reuters desenvolvida para apoiar profissionais do Direito em decisões que exigem confiança, rastreabilidade e responsabilidade.