Como a tecnologia está criando líderes mais responsáveis

O maior desafio nesta época de rápidas mudanças tecnológicas, crescente automação e machine learning é fazer com que a sociedade use essas ferramentas não apenas para melhorar nossa qualidade de vida, mas também seus propósitos

É inegável que a revolução tecnológica atual oferece novas técnicas e abordagens para desvendar as forças e os processos que gerem a vida em nosso planeta. Mas, a cada novo aprendizado, devemos adaptar também a nossa forma de gerar riquezas neste ambiente.

Dia após dia, conhecemos mais sobre o nosso mundo e como ele funciona. Os avanços tecnológicos nos municiam com uma infinita gama de dados e aumentam nossa percepção sobre as formas de interação do ser humano com o meio ambiente. Assim, temos conseguido responder melhor às mudanças; muitas vezes no momento em que elas acontecem. No entanto, quanto maior nosso conhecimento tecnológico e sobre os efeitos de nossas ações, mais responsáveis nos tornamos sobre ​​a gestão do planeta e de seus recursos. Informação quase sempre exige ação.

Mudanças na forma de consumir

Um dos resultados da revolução tecnológica atual é a rápida mudança da nossa sociedade e da forma com que vivemos. Diante disso, os líderes mundiais precisam assumir a responsabilidade de chamar atenção para as oportunidades oferecidas por essas novas tecnologias. Só assim elas poderão começar a beneficiar um maior numero de pessoas. 

Pense no mundo corporativo, por exemplo. Hoje em dia, muitas empresas estão abraçando duas grandes mudanças que têm ocorrido ao redor do globo: a revolução digital e novos parâmetros na nossa forma de consumir. Em cada indústria, país e economia, vemos a crescente capacidade de guardar informações na nuvem, o poder de processamento de informações disponível em nossos bolsos e a ânsia pelo consumismo. Tudo isso é parte da revolução digital.

Para se ter uma ideia, a cada dois minutos são tiradas mais fotos do que durante todo o século XIX. E a cada dois dias são criados mais dados do que em toda a história da humanidade até 2003. Em junho de 2016, após a votação sobre o Brexit no Reino Unido, apenas a área de Finanças e Risco da Thomson Reuters fez mais de 79 bilhões de atualizações de dados em 24 horas. Impressionante, né?

 

Turbilhão de dados

E o lado curioso disso tudo é que há mais máquinas do que pessoas consumindo esses dados, análises e insights. Esses micro-pedaços de informação alimentam algoritmos e sistemas de computador dos nossos próprios clientes, em velocidades muito maiores do que uma pessoa poderia processar. Hoje, quando discutimos o grau de fidelidade do cliente, nos concentramos em máquinas e desenvolvedores, e não apenas nos usuários finais. E esta tendência veio pra ficar -- e crescer!

Além disso, há a iminente blockchain revolution. A receita anual para investimentos nessa sistema tecnológico, que garante a segurança das operações realizadas por bitcoins, as moedas criptografadas, deverá crescer globalmente de US$ 2,5 bilhões em 2016 para US$20 bilhões na próxima década. Já existem 25 consórcios de empresas ao redor do globo que trabalham para trazer ao mercado novas aplicações para essa tecnologia.

O mais incrível sobre o sistema blockchain é que ele incentiva esse tipo de colaboração. No final de 2016, por exemplo, a própria Thomson Reuters hospedou um hackathon em que trouxe desenvolvedores para criar em nossa plataforma BlockOne ID. Depois, tudo foi colocado online em versão beta para posterior desenvolvimento. Os resultados dessa postura colaborativa têm sido bastante encorajadores.

Mudanças de expectativas

Após esses avanços tecnológicos, as expectativas dos consumidores também mudaram. A maneira como consumimos quase tudo mudou: de livros, música e filmes a roupas e notícias. Queremos que todos os produtos sejam entregues da forma mais pronta possível e que cheguem adaptados à nossa conveniência. E, claro, essa experiência como consumidor tem influenciado também nosso jeito de encarar a vida profissional. Quase não dá mais para separar esses dois mundos.

E, mercados tradicionais, como os que oferecem serviços financeiros, precisam atender a essas expectativas em mutação, tanto por parte dos consumidores como dos clientes empresariais. Em suma, eles precisam se adaptar às novas demandas.

Toda essa tecnologia também tem feito com que as empresas ajam de forma mais responsável – na verdade, são quase forçadas a isso. Com a crescente quantidade de dados e informações sobre suas cadeias de abastecimento, por exemplo, elas têm muito mais meios para controlar a origem de suas matérias-primas e as condições sob as quais seus forncedores operam.

Em países como o Reino Unido, isso se tornou uma exigência legal. O Modern Slavery Act (Lei Moderna sobre Escravidão) exige que as empresas declarem anualmente quais medidas tomaram para garantir que não estão (mesmo que inadvertidamente) compactuando com regimes de escravidão. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 21 milhões de pessoas ao redor do globo ainda sejam submetidas a trabalho forçado, movendo uma indústria que fatura cerca de US$150 bilhões por ano.

Na Thomson Reuters, estamos trabalhando com diversas organizações para criar novas ferramentas que ajudem a identificar os envolvidos nesses crimes. A nossa capacidade de vasculhar grandes quantidades de informações tem ajudado a revelar onde as empresas correm maior risco de serem expostas a cadeias de fornecimento que empregam trabalho escravo.

Hoje em dia, quando gestores devem cada vez mais satisfação aos clientes e acionistas, é preciso provar que os negócios estão sendo conduzidos de forma responsável. Temas como mudanças climáticas, biodiversidade, direitos humanos, ética empresarial e governança corporativa estão na mira do público e dos governos. E o modo como as empresas respondem a essas questões é fundamental na hora de investidores avaliar suas perspectivas no mercado.

 

Novas ferramentas de análise da Thomson Reuters

A Thomson Reuters tem desenvolvido novas ferramentas para ajudar investidores a analisar fatores ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG, na sigla em inglês) e incorporá-los nas análises de portfólios, pesquisas de patrimônio e análises quantitativas, por exemplo –tudo em tempo real. E os investidores estão usando essas ferramentas não só porque elas indicam práticas corporativas éticas, mas porque apontam quando uma empresa está comprometida com um plano de negócios de longo prazo. Ou seja, uma boa pontuação em relação aos fatores ESG costuma significar um futuro promissor.

Classificamos também milhares de empresas listadas publicamente levando em conta fatores que demonstram ambientes de trabalho mais inclusivos. Esse tipo de informação, transparente e padronizada, é vital na hora de investir, já que empresas com uma cultura diversificada e inclusiva costumam atrair uma base de clientes mais ampla. Nosso Índice de Diversidade e Inclusão (Diversity & Inclusion Index) demonstra maiores retornos quando comparado aos FTSE4GOOD 100 GLOBAL, MSCI World e Thomson Reuters Global Developed Index.

Um alerta

É importante ressaltar, no entanto, que partimos sempre do pressuposto que as informações a que temos acesso por meio dessas novas tecnologia são precisas, reais e passivas de comprovação. Mas, como temos visto recentemente, nem sempre é assim. Tanto que uma das expressões que ganhou destaque desde o ano passado foi a “pós-verdade” (considerada pelo dicionário Oxford como o termo do ano de 2016). Ela exprime o conceito de que a opinião pública dá menos valor a fatos objetivos do que aos apelos da emoção e crenças pessoais. 

Por isso, mesmo amparado por tecnologia de ponta, antes de tomar qualquer decisão é indispensável que investidores e líderes corporativos verifiquem a veracidade de suas informações. Pensando nisso, a Reuters lançou recentemente o aplicativo Reuters News Tracer. Com base em um algoritmo desenvolvido pela Reuters especialmente para “decifrar” as redes sociais, a ferramenta oferece a agentes financeiros, executivos de grandes empresas e jornalistas um ponto de partida para o caminho que leva a notícias verdadeiras e relevantes. Esse aplicativo foi programado para fazer perguntas-chave, consultar dados históricos e avaliar a relevância de cada notícia exatamente como uma pessoa faria, mas em 40 milissegundos. Esse é, sem dúvida, um bom exemplo de como podemos empregar inovações tecnológicas para tornar o processo de coleta de dados mais responsável e transparente.

Em uma sociedade em que a informação em tempo real anda de braços dados com ferramentas de análise cada vez mais potentes –e empresas são obrigadas a se adaptar cada vez mais a mudanças—, saber exatamente o que se lê nunca foi tão importante. Obter respostas confiáveis é o atual desafio para todos os envolvidos nesta quarta revolução industrial. Fique atento.