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Veja as principais tendências de Comércio Exterior para o futuro

No pós-pandemia, as tendências para o comércio exterior incluem novos processos para desburocratizar os procedimentos e a implementação de tecnologia. Leia o post.

Comércio Exterior: as tendências futuras envolvem mudanças e inovação

O ano de 2020 prometia novas tendências para o comércio exterior. A necessidade por inovação trouxe muitas transformações e tecnologias para o comércio exterior, principalmente automação, integração de dados e computação em nuvem.  

Mas, de repente, apareceu no meio do caminho a pandemia do Covid-19 e a vida pós-pandemia não será mais como antes. A crise sanitária deu início a um ciclo de mudanças definitivas, com a adoção de tecnologias para o comércio exterior. Outras transformações iniciadas em 2020 também afetaram a forma de trabalhar, trazendo ainda mais novidades para o segmento. 

Segundo a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, no acumulado de 2020, em comparação a 2019, as exportações caíram 6,1% e somaram US$ 209,92 bilhões. As importações caíram 9,7% e totalizaram US$ 158,93 bilhões. 

Como resultado, a balança comercial apresentou superávit de US$ 50,99 bilhões, com crescimento de 7,0% em relação a 2019.

Já o volume de negócios registrou queda de 7,7% em comparação ao ano anterior, fechando em US$ 368,85 bilhões.

Com o impacto da pandemia, o comércio global se readequou e revisou seu planejamento. Confira a seguir como se adaptar às novas tendências para o comércio exterior, no período pós-pandemia.

Cenário de tendências no comércio exterior

Apesar do medo e da insegurança gerados pela crise sanitária, surgiu a necessidade de as empresas se adaptarem ao novo cenário. Afinal, o caos força a encontrar novas formas de crescimento e, consequentemente, o aprendizado. 

Diante do cenário atual, a principal tendência para o comércio exterior é a capacidade de adaptação para reconhecer as mudanças que ocorreram e se ajustar ao novo ambiente a partir da mudança e da inovação.

Em seu relatório semestral de perspectivas econômicas, Panorama Econômico da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a entidade prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) global crescerá 5,8% em 2021.

O documento afirma que os Estados Unidos serão o catalisador dessa melhoria nas perspectivas. As medidas econômicas mobilizadas pela nova administração norte-americana farão o país avançar 6,9% este ano.

As projeções para o Brasil também são otimistas. O país deve crescer 3,7% em 2021 e 2,5% em 2022. Segundo o relatório, a economia brasileira voltará ao nível pré-pandemia até o fim de 2022.

Tendências para o Brasil no comércio exterior

Para se destacar no comércio internacional, o Brasil precisa implementar uma série de reformas, capazes de viabilizar a redução do Custo Brasil. O Custo Brasil é uma expressão usada para se referir a um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento do País. 

Também influenciam negativamente o ambiente de negócios, encarecem os preços dos produtos nacionais e custos de logística, comprometem investimentos e contribuem para uma excessiva carga tributária. 

A estimativa é de que o Custo Brasil retire R$ 1,5 trilhão por ano das empresas instaladas no País, representando 20,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Sem esta redução, dificilmente o Brasil conseguirá obter destaque, indo além da participação meramente residual no comércio mundial, que varia de 1% a 1,2%.

Para a redução do Custo Brasil são medidas importantes:

●  Discussão e aprovação da reforma tributária;

●  Indicação da reforma administrativa;

●  Concessões e privatizações em infraestrutura logística;

●  Implementação do Acordo de Facilitação do Comércio;

●  Conclusão da área de importação do Portal Único de Comércio Exterior.

Estas iniciativas podem facilitar muito as tendências para o comércio exterior no Brasil, gerar impactos positivos na exportação de produtos manufaturados, diminuir a burocracia e otimizar a negociação de acordos comerciais com países ou blocos.

Portal Único de Comércio Exterior simplifica operações

Outro desafio do Brasil é tentar simplificar as operações. Uma destas iniciativas é o Portal Único de Comércio Exterior.

Desenvolvido pelo governo federal em conjunto com a iniciativa privada, o programa Portal Único de Comércio Exterior visa reduzir a burocracia, o tempo e os custos nas exportações e importações brasileiras, a fim de atender com mais eficiência às demandas do comércio exterior.

Seus principais objetivos são reformular os processos de exportações e importações, tornando-os mais eficientes e harmonizados, além de criar um guichê único para centralizar a interação entre o governo e os operadores privados atuantes no comércio exterior.

Além disso, o governo federal ampliou em julho o novo processo de importação (NPI) do Portal Único de comércio exterior. Esta etapa faz parte das mudanças implementadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), ambas do Ministério da Economia, para ampliar gradativamente a abrangência das operações.

O principal destaque no NPI é a permissão para que empresas sem certificação no Programa Operador Econômico Autorizado (OEA) possam fazer importações usufruindo benefícios do novo processo. Com isso, o NPI abrangerá uma cobertura potencial de cerca de 30% do valor total das importações brasileiras.

O novo NPI também facilitará a atuação de operadores que promovem grandes volumes de importações ao possibilitar o registro, retificação e consulta à Declaração Única de Importação (Duimp), em função da integração entre os sistemas próprios dos importadores e a plataforma governamental via internet.

Para o caso dos recintos alfandegários, que abrigam as mercadorias importadas ainda não internalizadas no País, uma API para captação massiva de dados simplificará o cumprimento de obrigações dos depositários com a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB). 

Com a expansão do NPI, outras melhorias virão. Entre elas, otimizações nos processos de trabalho do governo, tornando possível a formação de equipes virtuais e especializadas de servidores, com distribuição mais apropriada da carga de atividades e melhor aproveitamento dos recursos públicos disponíveis.

Pagamentos e classificações

Quanto ao módulo de Pagamento Centralizado do Comércio Exterior (PCCE), a nova etapa inclui o desbloqueio automático de créditos tributários recolhidos a maior, por conta de retificação ou cancelamento das declarações de importação.

Além disso, inclui-se a automatização da guia para pagamento do ICMS – e a correspondente confirmação do recolhimento –, permitindo a entrega da carga ao importador sem exigência de comprovantes em papel.

Outro avanço refere-se ao aprimoramento da ferramenta Classif, que auxilia os operadores privados na classificação fiscal das mercadorias exportadas ou importadas, para o cumprimento dos compromissos sobre transparência e acesso à informação previstos no Acordo sobre Facilitação de Comércio (AFC), da Organização Mundial do Comércio (OMC)

Agora, o Classif permite consultas às exigências administrativas e aos requisitos técnicos para importação de determinada mercadoria no Brasil com base em navegação simplificada e intuitiva. Além disso, há a possibilidade de visualização integrada das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e das decisões do governo sobre classificação fiscal de mercadorias.

Esse NPI do Programa Portal Único de Comércio Exterior deve ser implementado totalmente até o final de 2022.

Adoção de blockchain melhora os fluxos na alfândega

Chamada de bConnect, a blockchain foi desenvolvida pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em parceria com a Receita Federal do Brasil para permitir a troca de informações de Operadores Econômicos Autorizados (OEA). 

No entanto, já há previsão de desenvolver a tecnologia para o comércio exterior para atender também ao compartilhamento de informações de Declarações Aduaneiras (alfândega).

A intenção do governo federal é promover a troca de quaisquer informações entre os países de forma segura e ágil, preservando a soberania de todos. Essa tecnologia para o comércio exterior permitirá o compartilhamento de dados, principalmente, com parceiros comerciais do Brasil como Argentina, Uruguai e Paraguai.

Implementação de novas tecnologias

Por mais que o próprio governo facilite os processos de importação e exportação, as empresas ainda precisam buscar novas tecnologias para o comércio exterior, a fim de automatizar os seus processos. Isso é indispensável, na medida em que ameniza riscos como a perda de documentos e de encontrar dificuldades na armazenagem de dados.

As tecnologias para o comércio exterior também proporcionam aos gestores uma tomada de decisão mais assertiva e estratégica, impulsionando assim o crescimento de mercado da empresa. As tendências para o comércio exterior são cada vez mais inovadoras.

A Inteligência Artificial, por exemplo, é fundamental para a gestão empresarial, pois com ela a empresa pode se manter em conformidade com a legislação. Em função disso, a tendência sobre o entendimento do compliance deve ficar mais forte no futuro. 

Com processos sólidos de conformidade, as empresas do setor de comércio exterior evitam perdas desnecessárias que aumentam o custo das operações. Uma das maiores dores do setor é a parte fiscal e tributária. Por isso, as empresas devem manter em ordem suas obrigações.

Também soluções como Big Data e Business Intelligence são tecnologias para o comércio exterior, pois transformam a maneira de lidar com os dados e permitem decisões mais assertivas e inovadoras. Os dois trabalham em conjunto: enquanto o BI atua na estabilidade dos dados em meio a um mercado caótico, o Big Data busca novas oportunidades por meio da análise dos dados.

Para saber mais sobre as mudanças que a pandemia está trazendo ao comércio exterior, leia o post Efeitos do Coronavírus no comércio internacional.