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November 13, 2020

Visual Law: o que é e como o advogado do futuro pode usar

Na rotina do advogado do futuro, o Visual Law descomplica a tratativa com o cliente e a argumentação jurídica. Quer conhecer o conceito e a prática? Confira o artigo!

Cada vez mais, as atividades de vários segmentos vêm sendo atualizadas, com o suporte da tecnologia. No meio jurídico, não é diferente. O advogado do futuro tem a possibilidade de usar uma série de ferramentas, como o marketing jurídico e o software legal

Com esses recursos, é possível otimizar a rotina de tratativa com o cliente e condução dos processos. Mas não para por aí. O Legal Design e o Visual Law também vêm ganhando espaço nos escritórios de advocacia entre os profissionais jurídicos. 

O Visual Law, que foi abordado no SYNERGY 2020, é uma nova forma de argumentação jurídica que combina elementos visuais e textuais para contextualizar o caso em petições e simplificar contratos, tornando os documentos simples, interativos e fáceis de ler.

Neste post, apresentamos o conceito, as possibilidades e as aplicações do Legal Design e do Visual Law. Quer saber mais? Continue lendo o texto! 

Legal Design como aliado do advogado do futuro

Então, qual o conceito do Legal Design? De que maneira ele pode oferecer suporte para o advogado do futuro tanto na condução dos processos como na tratativa com o cliente? Ele pode ser usado também pelo marketing jurídico?

O design vai muito além da parte estética de um objeto, de um software ou de metodologias para sua aplicação, como o Design Thinking, Agile e Canvas.

No Direito, para os profissionais jurídicos, o Legal Design está ligado à resolução de problemas. É uma ferramenta que fornece estratégias e funcionalidades para pensar, evitar ou solucionar uma situação de conflito de interesses.

Desde a compreensão e estudo do caso, usando documentos de processos judiciais, contratos e outros arquivos, passa pela definição sobre quais as ferramentas e os melhores caminhos dessa trilha, até chegar ao protótipo e aos testes necessários para garantir a sua eficácia.

No âmbito jurídico, grande parte das informações relevantes estão concentradas em em documentos, nos processos judiciais e contratos. 

O uso da tecnologia, com o suporte de um sistema legal, por exemplo, ajuda o advogado do futuro a entender melhor o problema e as implicações de cada caso. Na prática, esse é o ponto de partida para a transformar a prestação de serviços jurídicos.

Com o uso do design no Direito, os profissionais jurídicos podem desenhar novas formas de prestar os serviços e criar produtos e procedimentos internos. Além disso, o advogado do futuro também entrega a informação que o usuário final precisa, em um formato mais simples e adequado às suas necessidades.

A tecnologia sozinha não garante os resultados e nem a eficiência esperada. O Legal Design traz as metodologias e técnicas necessárias para direcionar as inovações promovidas pelo advogado do futuro. 

À medida que as necessidades das pessoas e de suas organizações surgem, os profissionais jurídicos integram o Direito e a tecnologia com o suporte do Legal Design.

Margaret Hagan, uma das maiores pesquisadoras das técnicas de design na área do Direito, define Legal Design como:

“a aplicação do design centrado ao homem no mundo do Direito, para tornar sistemas e serviços jurídicos mais centrados no ser humano, utilizáveis e satisfatórios. (...) O Design oferece métodos e prioridades para transformar o setor jurídico e obter resultados legais mais alinhados com os desejadas pelos usuários e criar novas visões ambiciosas sobre como serviços jurídicos podem ser fornecidos. Uma abordagem de design para serviços jurídicos coloca as pessoas e seus contextos como foco, questiona como seu status quo poderia ser melhorado e, em seguida, considera o potencial da tecnologia como uma intervenção.” 

Tipos de Legal Design

Design é sobre a resolução de problemas. tem diferentes ramos definidos para qual tipo de desafio o designer está tentando resolver: 

Design da informação: Faz o design, as explicações e visualizações;

Design de produto: Cria ferramentas legais para realizar tarefas;

Design de serviço: Cria melhores experiências para pessoas que passam por processos legais;

Design organizacional: Projeta práticas legais para melhorar funções e auxiliar advogados;

Design de sistema: Desenvolve sistemas complexos que funcionam melhor, servem pessoas e promovem aumento de valor.

Visual Law: um novo conceito para a produção de conteúdo pelo advogado do futuro

Na construção de qualquer peça, os profissionais jurídicos precisam seguir diferentes técnicas, relacionadas, inclusive, ao conceito de semiótica. O tipo de linguagem, as cores adequadas, o estilo e o resumo das informações relevantes são aspectos que precisam ser levados em conta na produção de conteúdo jurídico.

Neste contexto, desde 2017, inovadores no campo do Direito já começaram a entregar projetos que, de forma intuitiva, traziam alguns dos conceitos de design e de Visual Law.

Atualmente, de acordo com os conceitos do design, já existe uma técnica adequada para cada tipo de atividade e projeto desenvolvido pelo advogado do futuro. E o movimento que aborda essas novas práticas é o Legal Design, que tem como uma das suas subáreas, o Visual Law.

O Visual Law é a última camada dos projetos elaborados pelos profissionais jurídicos. É ele que define a forma como o conteúdo será entregue, simplificando a comunicação e tornando-a mais eficaz e acessível.

Mas, afinal, de onde vem o Visual Law? 

Mundo afora, várias universidades já têm áreas ou projetos específicos de Visual Law. Stanford, Cornell e Yale são apenas algumas delas. A prática vem ganhando destaque, principalmente, porque garante cada vez mais efetividade na entrega da informação jurídica.

Na Thomson Reuters, a nossa principal experiência com esse tipo de conteúdo jurídico começou em 2018, quando o Visual Law foi apresentado para mais de duas mil pessoas em Londres, durante o Legal Design Geek. O evento nos concedeu uma noção clara desta tendência e levou a perceber a importância de trazer essa discussão para o Brasil que, até então, apesar de algumas iniciativas, ainda não tinha sido usada ou explorada por aqui.

O Visual Law no Brasil 

No início de 2019, lançamos o primeiro curso de Visual Law do país, que está ajudando a fomentar discussões sobre essa nova abordagem. No começo, a proposta pareceu muito arrojada. Afinal, nem mesmo o conceito de Legal Design é compreendido pelo universo jurídico. Mas, diante da paixão pelo assunto e do potencial do tema, lotamos a primeira turma.

Desde então, foram muitas turmas formadas que resultaram em cases de grandes empresas como AmilMRVCitrosucoNubank e Mercado Livre, entre tantas outras.  

Com vários treinamentos in company e centenas de profissionais jurídicos impactados, hoje vemos alunos e seguidores desenvolvendo suas próprias ferramentas, compartilhando técnicas e criando uma comunidade engajada na produção de conteúdo jurídico visual. É impressionante como a colaboração e a cocriação nos levam além. 

Atualmente, várias instituições e profissionais oferecendo workshops e cursos nessa área.

É claro que, no ambiente jurídico o texto é, e continuará sendo indiscutivelmente, a fonte mais importante de comunicação muito por conta da complexidade da legislação. 

A proposta do Visual Law é simplificar o conteúdo excessivamente técnico, com a ajuda de uma imagem eficiente e esclarecedora facilitando a leitura ao usuário final. 

Sem nenhum propósito de substituir os textos, essas novas técnicas de comunicação jurídica com uso de elementos visuais vêm complementar, auxiliar a expressão do pensamento jurídico, das normas e dos procedimentos.

No Visual Law, tudo isso é feito com o apoio de imagens, vídeos, ícones, mapas e infográficos que são capazes de individualizar o problema e a mensagem para o destinatário, garantindo maior efetividade às estratégias de cada projeto.

Vantagens do Visual Law 

Um dos principais ganhos trazidos pelo Visual Law para os profissionais jurídicos é a possibilidade de trabalhar de maneira mais focada na promoção do acesso à justiça e ao direito.

São vários os cases de sucesso do Visual Law no Brasil. O Mercado Livre (ML), por exemplo, criou uma série de vídeos para se aproximar do consumidor e evitar novos processos judiciais, incentivando uma negociação amigável. 

Antes da iniciativa de Visual Law, 40% dos clientes não faziam contato antes de entrar com processo judicial. Com a estratégia do ML, a empresa conseguiu obter um índice de desjudicialização de 98,9%. Ou seja, uma parcela mínima de clientes entrou na justiça, obtendo a solução do problema de maneira mais simples e rápida, tendo seu direito assegurado.

A organização visual dos dados permite que um conteúdo denso, excessivamente técnico, com linguagem jurídica, seja apresentado em um formato simples, com fácil leitura e interpretação de dados. QR Code, gráficos, imagens, contratos visuais em formato de one page são apenas algumas das possibilidades do Legal Design.  

Essa nova camada de comunicação e inteligência visual dentro do meio jurídico proporciona maior clareza e facilita a leitura e interpretação do conteúdo, promovendo o acesso à justiça e ao direito.

Além disso, vale destacar outras boas razões para investir em comunicação visual no escritório, incentivando os profissionais jurídicos a percorrerem esse caminho. Veja só:

  • A associação entre palavra e imagem é a forma de comunicação mais eficiente e natural para o nosso cérebro;

  • As representações visuais demonstram mais credibilidade do que apenas as textuais. Dados representados em gráficos, por exemplo, geram respaldam a argumentação e podem ser integrados em petições judiciais.

Usando a tecnologia, os profissionais jurídicos podem organizar, produzir e disseminar a informação visual. Essa é uma prática necessária para promover o acesso e a inclusão das pessoas ao conteúdo jurídico, já que a linguagem é extremamente técnica.

Para o advogado do futuro, portanto, o desafio é organizar as ideias a partir de um pensamento visual. Assim, ele conseguirá entregar a informação em infográficos, quadros e tabelas, ajudando o leitor a assimilar os dados. 

Em suma, a clareza entregue nos materiais visuais é uma das melhores estratégias de promover o acesso à justiça. Vale destacar que a técnica pode ser usada também na produção de conteúdo pelo marketing jurídico.

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