A adoção de Inteligência Artificial já está influenciando a forma como escritórios de advocacia trabalham, atraem talentos e se relacionam com clientes.
Para as lideranças, esse movimento também coloca a governança de IA no centro de uma decisão estratégica: qual papel a tecnologia terá na construção do escritório nos próximos anos?
O Future of Professionals Report 2026 apresenta três caminhos para essa escolha: IA para Elevar, IA para Escala e IA para Reinventar. Cada um leva a um posicionamento diferente, com implicações para clientes, profissionais e modelo comercial.
O relatório também mostra que 1 em cada 4 profissionais está em um escritório cuja ambição estratégica para IA é desconhecida ou inexistente.
Para as lideranças, definir uma direção pode ser tão importante quanto escolher as ferramentas que vão sustentá-la.
Três caminhos para a estratégia de IA
Os três caminhos propostos pelo relatório não representam níveis de maturidade que todo escritório precisa percorrer. Eles correspondem a escolhas estratégicas diferentes. Um escritório pode combinar abordagens em áreas distintas ou tratar os caminhos como etapas de uma evolução. Apenas 14% dos profissionais acreditam que a organização precisa escolher exclusivamente um deles.
IA para Elevar
Foco: expertise humana.
Neste caminho, a IA automatiza atividades rotineiras para ampliar o tempo dedicado a questões complexas e de alto valor.
É uma abordagem adequada para escritórios que desejam se diferenciar pela capacidade de julgamento e atuação estratégica em situações como litígios de alto risco, investigações regulatórias e operações complexas de M&A.
Pode fazer sentido para escritórios que priorizam:
- Assuntos jurídicos complexos e de alto risco.
- Relacionamentos de longo prazo com clientes.
- Consultoria e aconselhamento estratégico.
- Profissionais com atuação mais próxima do cliente.
Ponto de atenção: à medida que a IA eleva o nível básico de produtividade e julgamento, o escritório precisará demonstrar continuamente o valor de sua expertise.
IA para Escala
Foco: produtividade e capacidade.
A IA é utilizada para aumentar o volume de trabalho realizado, mantendo qualidade, consistência e competitividade.
Esse caminho atende especialmente clientes que precisam processar grandes volumes de atividades recorrentes, como revisão contratual, due diligence e contratos comerciais padronizados.
Pode fazer sentido para escritórios que priorizam:
- Eficiência operacional.
- Alto volume de trabalho.
- Consistência das entregas.
- Velocidade e competitividade de custos.
Ponto de atenção: os ganhos de eficiência tendem a se tornar mais fáceis de replicar à medida que a tecnologia se dissemina. O escritório precisa decidir como reinvestirá a capacidade liberada pela IA.
IA para Reinventar
Foco: novos modelos de serviço.
Aqui, a IA ocupa posição central na reconstrução da forma como o escritório presta serviços e se relaciona com seus clientes.
O relatório cita possibilidades como precificação baseada em resultados, serviços de legal operations por assinatura e monitoramento proativo de compliance.
Pode fazer sentido para escritórios que buscam:
- Criar novos serviços.
- Desenvolver modelos comerciais diferentes.
- Trabalhar com foco em resultados.
- Atuar como extensão das equipes dos clientes.
Ponto de atenção: esse caminho exige clientes preparados para mudar a forma como contratam serviços jurídicos. O mercado potencial ainda é menor, e a transição pode demandar investimentos relevantes antes do retorno.
O caminho escolhido influencia o mercado que o escritório atende
As escolhas de estratégia de IA têm consequências comerciais.
O relatório mostra que cada caminho tende a atrair clientes e profissionais com necessidades diferentes:
Dimensão |
IA para Elevar |
IA para Escala |
IA para Reinventar |
Cliente |
Busca julgamento e expertise em questões complexas |
Precisa de volume, consistência e competitividade |
Está disposto a redesenhar a relação com o escritório |
Profissional |
Valoriza trabalho estratégico e contato com clientes |
Busca eficiência e métricas claras de resultado |
Quer criar novos modelos de trabalho |
Modelo comercial |
Honorários sustentados por julgamento e resultados |
Maior pressão por eficiência e compressão de preços |
Modelos baseados em resultados, assinatura ou parceria |
Principal desafio |
Demonstrar continuamente o valor da expertise |
Evitar que eficiência vire commodity |
Encontrar clientes preparados para a mudança |
Governança de IA começa pela clareza estratégica
Escolher um caminho não significa apenas definir uma ambição para o futuro. A decisão precisa aparecer na operação.
O relatório mostra que 64% dos profissionais de escritórios com uma estratégia de IA definida afirmam que a tecnologia está atingindo ou superando suas expectativas de geração de valor. Nos escritórios sem estratégia, esse índice cai para 29%.
Ao mesmo tempo, 50% dos profissionais afirmam que a estratégia de IA do escritório não é visível no trabalho cotidiano. Outros obstáculos incluem a falta das ferramentas adequadas, apontada por 41%, e profissionais ainda não preparados, citada por 39%.
Esses dados ajudam a separar três decisões que muitas vezes acabam misturadas:
Direção: qual escritório a liderança quer construir?
Adoção: como essa visão chega às equipes?
Integração: onde a IA muda de fato a forma como o trabalho é realizado?
O relatório recomenda avaliar essas dimensões antes de acelerar a implementação. Quando a direção ainda não está clara, o foco deve ser estratégia. Se a adoção é desigual, a prioridade passa por comunicação, treinamento e suporte. Quando as ferramentas já estão presentes, mas o trabalho continua igual, o próximo passo é integrar a IA aos fluxos jurídicos.
E se o escritório não escolher?
Adiar uma decisão também produz consequências.
Segundo o relatório, 11% dos profissionais dizem que seus escritórios não declararam uma ambição estratégica de IA, enquanto 20% afirmam que não existe uma estratégia de IA na prática.
O risco aumenta conforme clientes e profissionais formam suas próprias expectativas.
Um escritório sem direção clara pode enfrentar:
- Dificuldade para demonstrar valor aos clientes.
- Desvantagem na atração e retenção de talentos.
- Adoção desigual entre equipes.
- Uso de ferramentas não autorizadas.
- Maior exposição a riscos de governança e responsabilidade.
O uso de IA sem autorização já ocorre em 34% dos escritórios, segundo os profissionais entrevistados.
Por isso, a governança de IA precisa acompanhar a estratégia. Ferramentas, políticas, treinamento e critérios de uso devem estar alinhados ao posicionamento que o escritório escolheu construir.
Qual caminho faz sentido para o seu escritório?
A escolha começa com algumas perguntas simples.
Sobre os clientes: quais demandas queremos atender e que tipo de valor eles esperam?
Sobre os profissionais: que tipo de trabalho queremos oferecer e quais habilidades precisarão ser desenvolvidas?
Sobre o modelo comercial: como a IA pode alterar custos, preços, serviços e relacionamento?
Sobre a operação: o que precisa mudar na forma como o trabalho jurídico é realizado?
Sobre o futuro: onde queremos que o escritório esteja em cinco ou dez anos?
As respostas ajudam a definir se a prioridade está em elevar a expertise, ampliar a escala ou reinventar a prestação de serviços.
Também podem indicar que diferentes áreas do escritório precisam seguir caminhos distintos. O importante é que essa escolha seja consciente, tenha recursos para ser executada e seja compreendida por quem fará parte dela.
A vantagem está na clareza da escolha
O mercado jurídico não terá um único modelo de adoção de IA.
Alguns escritórios vão usar a tecnologia para ampliar a expertise. Outros buscarão escala e eficiência. Há também organizações que vão reconstruir serviços e relações comerciais a partir da IA.
O relatório mostra que cada caminho atrai diferentes clientes e talentos e cria diferentes desafios comerciais.
Por isso, a pergunta para as lideranças não precisa ser qual caminho é melhor.
Ela é: qual caminho combina com os clientes que o escritório quer atender, os profissionais que pretende atrair e o negócio que deseja construir?
Essa clareza orienta investimentos, decisões de governança e prioridades de transformação.
Conheça o Future of Professionals Report 2026
O Future of Professionals Report 2026 apresenta dados e análises sobre como a IA está transformando clientes, talentos, modelos comerciais e operações de escritórios de advocacia.
Baixe o relatório completo e aprofunde sua visão sobre as escolhas estratégicas que estão moldando o futuro da profissão.