Os clientes já mudaram. Seu escritório percebeu?

Por três anos, grande parte da discussão sobre IA jurídica esteve concentrada no potencial da tecnologia: novos modelos, novas ferramentas, testes e demonstrações do que poderia ser feito.

Mas o mercado jurídico entrou em uma nova fase. A inteligência artificial no Direito já não é mais promessa do futuro, é realidade. Agora, os clientes esperam resultados concretos de IA jurídica nos escritórios com os quais trabalham.

O Future of Professionals Report 2026, da Thomson Reuters, mostra que 77% dos clientes consideram muito importante ou essencial receber melhorias de qualidade habilitadas por IA dos escritórios com os quais trabalham. Mas apenas 5% afirmam receber esse tipo de entrega da maioria ou de todos os seus prestadores.

Para os escritórios, o cenário exige atenção. A adoção de IA jurídica já influencia a percepção de valor dos clientes e começa a afetar decisões sobre relacionamentos profissionais.

Os escritórios que estão criando uma verdadeira vantagem competitiva hoje não são os que estão falando sobre IA. São os que a estão operacionalizando.

A expectativa dos clientes está aumentando

Os departamentos jurídicos também enfrentam pressão para acelerar a adoção de Inteligência Artificial. Segundo o relatório, 61% dos profissionais jurídicos internos relatam alguma ou significativa pressão de stakeholders para avançar mais rapidamente nessa frente.

Essa experiência influencia o que esses profissionais esperam de seus escritórios.

70% consideram importante ou essencial receber ganhos de produtividade e eficiência habilitados por IA.

6% percebem essa entrega na maioria dos escritórios.
71% esperam melhorias de qualidade, como maior precisão e contribuição para o negócio. 3% acreditam que a maioria dos escritórios oferece esse resultado.
49% esperam novas soluções e ofertas habilitadas por IA. 4% percebem essa entrega na maioria dos escritórios

O que o cliente considera valor?

Eficiência continua entre os principais benefícios esperados da IA. A tecnologia pode reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas e ampliar a capacidade dos profissionais.

O mercado, porém, já discute outras possibilidades. O relatório apresenta três caminhos estratégicos para os escritórios: AI to Elevate, AI to Scale e AI to Reimagine. Cada um propõe uma forma diferente de incorporar a tecnologia ao trabalho e à relação com os clientes.

No modelo Elevate, a IA apoia os profissionais em atividades rotineiras para ampliar o tempo dedicado a trabalhos complexos. O Scale prioriza produtividade, volume e consistência. Já o Reimagine propõe mudanças mais amplas na prestação de serviços, incluindo modelos baseados em resultados ou serviços integrados às operações dos clientes.

Essa escolha ajuda a definir que tipo de valor o escritório pretende oferecer, além de orientar investimentos, desenvolvimento de profissionais e relacionamento com clientes.

A lacuna pode afetar a retenção de clientes

Os dados do relatório indicam que a mudança de expectativa já começa a influenciar os relacionamentos comerciais.

32% dos profissionais jurídicos internos estão reconsiderando ou podem reconsiderar, nos próximos 12 meses, os escritórios que não demonstrarem valor claro habilitado por IA.

Já a percepção dentro dos escritórios é menos urgente: 11% dos profissionais acreditam que poderiam começar a perder clientes nos próximos 12 meses, enquanto 50% não esperam perder clientes por esse motivo.

Essa diferença merece atenção das lideranças. O cliente pode estar incorporando critérios relacionados à IA antes que o escritório reconheça esses critérios como parte da decisão de contratação ou permanência.

Por isso, acompanhar a expectativa dos clientes deve fazer parte da estratégia de inteligência artificial para escritórios de advocacia.

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A IA também pressiona o modelo comercial

A transformação digital no Direito alcança outro ponto relevante: a forma de precificar os serviços.

71% dos profissionais jurídicos internos esperam que os escritórios mudem seus modelos comerciais à medida que o uso de IA aumenta. Entre os profissionais de escritórios, entretanto, 62% afirmam que a estrutura de preços permanece inalterada em resposta à tecnologia.

As expectativas variam. Alguns clientes buscam maior previsibilidade e transparência, enquanto outros esperam ganhos mensuráveis de resultado ou redução de custos.

Nesse contexto, demonstrar como a IA contribui para qualidade, velocidade e resultados pode ajudar o escritório a construir uma conversa mais concreta sobre valor.

A tecnologia também cria espaço para repensar serviços, modelos de atendimento e formas de relacionamento. Para a inovação jurídica, esse movimento amplia a discussão para além da escolha de ferramentas.

Como começar a conversa com o cliente?

O relatório recomenda que os escritórios envolvam seus clientes mais cedo nas discussões sobre IA. O primeiro passo é entender como cada organização utiliza a tecnologia e quais resultados espera alcançar.

Algumas perguntas podem orientar essa conversa:

  • Quais atividades o cliente espera tornar mais eficientes com IA?
  • Que melhorias de qualidade seriam mais relevantes para o negócio?
  • Em quais etapas do trabalho jurídico a tecnologia pode gerar maior impacto?
  • Como os resultados serão avaliados?
  • Que mudanças o cliente espera em relação a velocidade, qualidade e preço?

A conversa também permite identificar oportunidades de colaboração e alinhar expectativas antes que elas influenciem decisões sobre a relação com o escritório.

Conheça os dados sobre o futuro das profissões

O Future of Professionals Report 2026 reúne dados sobre os impactos da Inteligência Artificial nos relacionamentos com clientes, na atração e retenção de talentos, nos modelos de negócio e na operação dos escritórios.

Baixe o relatório completo e conheça os principais caminhos para preparar seu escritório para a próxima fase da IA.

Baixe o Future of Professionals Report 2026