Três tendências do comércio de longo prazo, dos principais profissionais de comércio.

Blog do ONESOURCE Global Trade, Comércio Exterior, ONESOURCE
1º de dezembro de 2017

Autor: Keith Haurie
Business Development Vice President
Thomson Reuters 

O macro ambiente que sustenta a nossa terceira pesquisa anual de comércio  exterior, que será divulgada em breve, é cada vez mais incerto e complexo.

As consequências de longo prazo do protecionismo, o destino dos acordos de livre comércio propostos e existentes, e os acontecimentos tecnológicos gerais na fabricação são temas que estão gerando incertezas.

Somados a essas questões estão o aumento das ações de fiscalização regulatória, requisitos adicionais de conformidade e maior digitalização de bens e serviços, temas adicionais que estão gerando complexidade para as equipes de comércio e para os fornecedores e consultores que apoiam essas equipes.

Nossa Pesquisa de Comércio Exterior de 2017 foi uma avaliação qualitativa com entrevistas detalhadas e individuais das pessoas que lideram os departamentos de compliance comercial de corporações multinacionais complexas. O sentimento agregado dessas discussões leva-me a fazer três previsões amplas sobre o futuro do comércio global, analisando alguns anos à frente.

1: Até 2020, a China assumirá com sucesso um papel mais importante e visível na definição da política comercial global.

A migração da China de uma economia orientada para exportações para uma economia orientada para o consumo continua ocorrendo e, portanto, sua abordagem para o comércio evoluiu para favorecer um maior engajamento.

Nossas conclusões sugerem que os acordos de livre comércio não levam significativamente a decisões relevantes sobre onde as empresas devem construir novas fábricas ou colocar seus escritórios. Em vez disso, eles muitas vezes tornam-se uma oportunidade para os decisores da cadeia de suprimentos otimizarem sua evasão de taxas, ou apoiarem as oportunidades de acordos de livre comércio dos seus clientes. Esta é uma parte importante da nossa perspectiva.

2: Com o encolhimento do comércio global, o abastecimento local está aumentando — não apenas nos EUA, mas em todo o mundo.

Isto é, em grande parte, uma consequência da postura protecionista de líderes de vários países que desempenham papéis importantes nas cadeias de suprimentos globais. Também está relacionado com a competitividade: de maneira geral, o abastecimento local pode reduzir os custos logísticos e tornar o lançamento de produtos no mercado mais rápido.

O setor automotivo já sabe disso há algum tempo, e isso explica a estratégia de nearshoring que esta indústria adotou. No entanto, os aspectos fundamentais da compra de veículos não mudaram muito ao longo das décadas, mesmo com a crescente proeminência do comércio digital: essa ainda é uma decisão importante para os consumidores, que tende a envolver muita pesquisa e deliberação.

Outros setores são pressionados a lançar produtos no mercado muito mais rapidamente. Os consumidores preferem cada vez mais o comércio on-demand e o envio rápido e automatizado dos seus produtos até sua porta com uma intervenção mínima. Varejistas como a Amazon e Jet.com, atualmente propriedade da Wal-Mart, desvendaram o código de entrega com base nessas expectativas, e o fornecimento local ajuda as marcas a trazerem produtos para as massas mais rápido do que antes.

3: Os governos abordarão os impostos com técnicas de gerenciamento e análise de dados cada vez mais sofisticadas.

A tecnologia de contabilidade distribuída, ou seja, o blockchain, é um dos avanços tecnológicos mais promissores do século passado para a sociedade. Ela promove a transparência e impossibilita determinados tipos de fraude e má gestão. Também pode melhorar significativamente a velocidade e os custos das auditorias. Não é difícil imaginar um futuro no qual as auditorias sejam quase totalmente automatizadas, com processos em tempo real.

As empresas estão começando a incorporar a contabilidade distribuída em produtos e processos internos. Os governos em breve seguirão o exemplo ao incorporar a tecnologia de blockchain na regulamentação fiscal por meio de novos padrões e mandatos sobre como as empresas reportam os impostos diretos e indiretos e suas operações comerciais. No final das contas, a tecnologia de blockchain pode reduzir ou eliminar a necessidade de atividades realizadas nas fronteiras.

Para os profissionais do comércio exterior, esse impacto será duplo: uma maior ênfase na coleta e estruturação de dados para os reguladores, e um aumento na velocidade na qual pode ocorrer.

O comércio exterior atualmente é uma indústria que ocupa as manchetes em todo o mundo, e seus principais profissionais devem receber a oportunidade de alavancar a importância crescente da profissão, transformando-a em uma maior influência nas suas respectivas empresas.