Reforma Tributária e Comércio Exterior: o que muda e como se preparar

Entenda como a Reforma Tributária impacta o comércio exterior, com mudanças em CBS, IBS, Split Payment e regimes aduaneiros. Veja o que sua empresa precisa fazer agora.

A Reforma Tributária não impacta apenas os tributos, mas também o Comércio Exterior, transformando a lógica operacional das empresas importadoras e exportadoras. A substituição do modelo fragmentado (ICMS/ISS/PIS/COFINS) pelo IVA Dual (CBS e IBS + Imposto Seletivo) impacta diretamente o cálculo de tributos, a apropriação de créditos, a documentação fiscal e a dinâmica dos regimes aduaneiros.

Na prática, 2026 marca o início de uma nova arquitetura fiscal que exige adaptação técnica e operacional imediata, especialmente para empresas que operam com Drawback, RECOF, REPETRO e outros regimes especiais.

Entre os impactos mais imediatos, cinco movimentos já exigem atenção:

  1. Novos tributos nos documentos fiscais a partir de 2026
  2. Fim do Drawback Isenção e migração para Drawback Suspensão
  3. Tributação no destino muda o cálculo de CBS e IBS nas importações
  4. Split Payment altera o fluxo de crédito fiscal
  5. ERPs e sistemas de mensageria precisam ser atualizados

O novo modelo tributário: entendendo o IVA Dual

A Reforma Tributária introduz o conceito de IVA Dual, que substitui tributos como PIS, COFINS, ICMS e ISS por três pilares principais: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal; o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), compartilhado entre estados e municípios; e o Imposto Seletivo, aplicado a produtos específicos com impacto social ou ambiental.

Esse novo desenho simplifica a estrutura tributária, mas exige uma mudança na forma como as empresas calculam, apuram e gerenciam seus tributos. Especialmente nas operações de comércio exterior!

O modelo se apoia em cinco características:

  • Base ampla de incidência → menos exceções e maior padronização entre setores
  • Alíquota única por tributo → mais previsibilidade e transparência no cálculo
  • Cálculo “por fora” → o imposto deixa de compor sua própria base, tornando a carga mais clara
  • Não cumulatividade plena → possibilidade de aproveitamento integral de créditos ao longo da cadeia
  • Tributação no destino → o imposto passa a ser devido no local de consumo, alterando a lógica das operações interestaduais e internacionais

Outro ponto de atenção está relacionado à alíquota de referência do IVA Dual. Segundo análise do escritório Mattos Filho sobre a regulamentação da reforma tributária, a estimativa apresentada pelo Ministério da Fazenda para a soma de CBS e IBS é de 26,5%. Já a cartilha “O TCU e a Reforma Tributária”, publicada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), destaca que, caso a soma das alíquotas de referência estimadas ultrapasse esse percentual em 2030, o Poder Executivo deverá propor medidas para sua redução.

Para empresas que atuam no comércio exterior, essas mudanças não se limitam à tributação em si, elas impactam diretamente a formação de preços, a gestão de créditos, o fluxo de caixa e a competitividade no mercado internacional.

Cronograma de transição: de 2026 a 2033

As mudanças não acontecem de uma vez, elas seguem um cronograma progressivo que exige planejamento contínuo. Para empresas que operam com importação, exportação e regimes aduaneiros especiais, entender essa linha do tempo é essencial para evitar riscos e aproveitar oportunidades ao longo da transição.

Veja o cronograma:

2026 — Início da transição

  • Inclusão de CBS (0,9%) e IBS (0,1%) nos documentos fiscais. Ainda sem recolhimento obrigatório, mas já sujeito a fiscalização.

2027 — Virada estrutural

  • Extinção de PIS e COFINS e entrada em vigor da CBS integral;
  • Redução do IPI a 0% (com exceções) e criação do Imposto Seletivo.

2029 a 2032 — Período de coexistência

  • Implementação gradual do IBS, com redução proporcional de ICMS e ISS;
  • Fim progressivo dos incentivos fiscais atrelados.

2033 — Consolidação

  • Extinção completa do modelo atual e adoção total do IVA Dual como base do sistema tributário brasileiro.

Impactos da Reforma sobre os regimes aduaneiros especiais

Para empresas que operam com comércio exterior, a Reforma Tributária não impacta apenas os tributos, mas exige adaptação operacional e estratégica agora.

Principais impactos por regime:

Drawback

O que muda: o modelo de Drawback Isenção tende a deixar de existir, pois não é compatível com a nova lógica de crédito vinculada ao pagamento do tributo (Split Payment).

O que fazer: migrar para o Drawback Suspensão, que se alinha melhor ao novo modelo e deve se consolidar como principal alternativa.

RECOF

O que muda: o regime permanece válido, mas com adaptação para inclusão de CBS e IBS nas operações.

O que fazer: revisar fluxos operacionais e garantir que sistemas estejam preparados para controlar os novos tributos dentro do regime.

REPETRO-SPED

O que muda: continua aplicável, especialmente para o setor de óleo e gás, com possibilidade de suspensão também para os novos tributos.

O que fazer: reavaliar enquadramento e simular impactos considerando a nova estrutura tributária.

VPE (Venda para Entrega no Exterior)

O que muda: mantém sua relevância, mas passa a operar dentro da lógica de tributação no destino e da não cumulatividade plena.

O que fazer: ajustar a modelagem tributária e revisar estratégias de precificação.

Admissão Temporária
O que muda: permanece como instrumento importante, com potencial inclusão de CBS, IBS e até do Imposto Seletivo nas hipóteses de suspensão.
O que fazer: garantir controle fiscal rigoroso e alinhamento com as novas regras de crédito.

Split Payment: o que muda no crédito fiscal das importações

O Split Payment surge como um dos pontos-chave da Reforma Tributária ao alterar a forma como os créditos de CBS e IBS são reconhecidos.

No novo modelo, o crédito só é liberado após a comprovação do pagamento efetivo do tributo. Ou seja: além de apurar, é preciso pagar para ter direito ao crédito.

Esse processo será intermediado por uma plataforma tecnológica centralizada, gerida pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS, responsável por validar pagamentos e informações fiscais.

Impactos diretos:

  • Descasamento de caixa
  • Integração entre áreas
  • Risco de inconsistências cadastrais

Tributação no destino: impacto nas importações e vendas interestaduais

A tributação no destino muda a lógica de arrecadação tributária. Com o IVA Dual, a tributação passa a ocorrer no destino do consumo e não mais na origem ou no local de entrada da mercadoria.

Isso significa que, nas importações, o cálculo de CBS e IBS passa a considerar o estado e o município de destino final do bem, e não o porto ou aeroporto de entrada. A mudança exige ajustes importantes em ERPs, mensageria e sistemas fiscais, que precisarão identificar corretamente o destino da operação para garantir a apuração correta dos tributos.

Veja como isso funciona:

  • Importação no Paraná (PR) → entrada da mercadoria no país (Brasil), mas a CBS e o IBS não ficam vinculados ao porto de entrada
  • Industrialização em São Paulo (SP) → o IBS passa a considerar a etapa produtiva e a circulação ao longo da cadeia
  • Venda ao consumidor no Rio Grande do Sul (RS) → a tributação é destinada ao estado e município de consumo final da operação

Mudanças nos documentos fiscais e obrigações acessórias

A mudança também transforma o papel dos documentos fiscais. No novo modelo, a nota fiscal deixa de ser apenas um registro da operação e passa a atuar como confissão de dívida tributária, vinculando diretamente o fato gerador ao pagamento do tributo, especialmente no contexto do Split Payment.

Além disso, surgem novos eventos fiscais obrigatórios, que ampliam o nível de controle e rastreabilidade das operações:

  • Complemento de preço;
  • Crédito presumido;
  • Crédito extemporâneo;
  • Nota de débito;
  • Estorno.

Esses eventos exigem uma nova capacidade de adequação fiscal, com registros mais dinâmicos e integrados ao fluxo financeiro da empresa.

Isso significa que os ERPs e sistemas de mensageria precisarão ser atualizados para:

  • Adequar layouts e campos fiscais aos novos tributos (CBS e IBS);
  • Gerenciar múltiplos eventos fiscais vinculados à mesma operação;
  • Integrar dados com sistemas bancários para viabilizar o Split Payment;
  • Garantir rastreabilidade completa para auditoria e compliance.

Durante a transição, teremos um período de coexistência. O SPED Fiscal e o Bloco K permanecem válidos até 2033, operando em paralelo aos novos formatos exigidos.

Diagnóstico e plano de ação: como preparar sua operação

O primeiro passo é entender o nível de exposição da sua operação.

Um diagnóstico eficiente começa com:

  • Mapeamento dos regimes aduaneiros utilizados
  • Avaliação dos sistemas fiscais e ERPs
  • Revisão dos processos de crédito e aproveitamento fiscal
  • Análise do impacto do Split Payment no fluxo de caixa

O próximo passo é estruturar a adequação de forma coordenada.

Listamos aqui um plano prático para seguir em seis etapas:

  1. Criar um comitê interno de governança da Reforma → integrar decisões entre áreas estratégicas;
  2. Mapear riscos operacionais e fiscais por área → identificar impactos em logística, pricing e compliance;
  3. Avaliar e atualizar ERPs e sistemas de mensageria → garantir aderência ao novo modelo;
  4. Iniciar testes com os novos layouts fiscais a partir de 2026 → usar o período inicial como ambiente de validação;
  5. Revisar e migrar regimes aduaneiros quando necessário → adequar-se às novas regras de crédito e tributação;
  6. Integrar áreas-chave → TI, fiscal, logística, financeiro e compliance devem operar de forma sincronizada.

KPIs para monitorar a adequação à Reforma

Medir continuamente a aderência da operação ao novo modelo é essencial para o período transitório, daí a importância de definir KPIs claros para identificar falhas, corrigir rotas rapidamente e garantir conformidade fiscal.

Indicadores-chave para acompanhar a evolução da sua empresa:

  • Percentual de documentos fiscais com CBS/IBS corretos
  • Volume de operações com Drawback Isenção ainda ativas
  • Percentual de créditos aproveitados vs. créditos perdidos (Split Payment)
  • Tempo médio de ajuste de ERP por módulo
  • Percentual de operações de importação com cálculo de destino correto
  • Números de não conformidades em testes de homologação

Esses KPIs ajudam a transformar a adaptação em um processo mensurável e gerenciável.

Como a Thomson Reuters apoia sua empresa transição

Diante da complexidade da Reforma Tributária e Comércio Exterior, a adaptação exige mais do que ajustes pontuais. É fundamental contar com soluções capazes de integrar tributos, regimes aduaneiros e operações globais em um único fluxo.

A nossa solução ONESOURCE Global Trade, está preparada para apoiar empresas na transição para o novo modelo e apta a incorporar as principais mudanças da Reforma Tributária, incluindo:

  • Novos campos e layouts fiscais → adequação a CBS, IBS e Imposto Seletivo (IS)
  • Gestão de eventos fiscais obrigatórios → suporte a novos registros e ajustes exigidos pelo modelo
  • Regras para regimes suspensivos → adaptação de Drawback, RECOF, REPETRO e outros regimes
  • Motor de cálculo atualizado → preparado para não cumulatividade plena, alíquotas por destino e novas regras de apuração
  • Integração com Split Payment → suporte à validação e rastreabilidade dos créditos vinculados ao pagamento

Além disso, o ONESOURCE Global Trade se integra aos principais sistemas e plataformas utilizados pelas empresas:

  • ERPs como SAP e Oracle
  • Portal Único de Comércio Exterior
  • Plataformas financeiras e bancárias

A integração garante que dados fiscais, operacionais e financeiros estejam conectados, reduzindo riscos, aumentando a eficiência e garantindo conformidade fiscal em todas as etapas da operação.

Mais do que tecnologia, nós combinamos software especializado, inteligência regulatória e expertise em comércio exterior para apoiar sua empresa em uma transição segura e estratégica.

O objetivo é claro: transformar a complexidade da Reforma em uma operação controlada, previsível e preparada para o futuro.

Principais dúvidas:

O que muda nos documentos fiscais de importação a partir de 2026?
A partir de 2026, os documentos fiscais passam a incluir os novos tributos CBS e IBS, além de novos campos e eventos obrigatórios. A nota fiscal ganha um papel mais relevante, funcionando como base para validação do crédito e do pagamento no modelo de Split Payment, exigindo maior precisão e integração entre sistemas.

O Drawback Isenção vai acabar completamente?
A tendência é que o Drawback Isenção deixe de ser aplicado, pois não é compatível com o novo modelo de crédito vinculado ao pagamento do tributo. A recomendação é migrar para o Drawback Suspensão, que se adapta melhor à lógica do IVA Dual.

Como o Split Payment afeta o fluxo de caixa da minha empresa?
O Split Payment pode gerar descasamento de caixa, já que o crédito fiscal só é liberado após o pagamento efetivo do tributo. Isso exige maior controle financeiro, integração entre áreas e revisão das estratégias de capital de giro.

O SPED Fiscal continua obrigatório durante a transição?
Sim. O SPED Fiscal e o Bloco K continuam válidos até 2033, operando em paralelo aos novos formatos exigidos pela Reforma. Isso cria um período de coexistência que exige atenção redobrada na gestão das obrigações acessórias.

Quando minha empresa precisa estar totalmente adaptada?
A transição ocorre entre 2026 e 2033, mas o ideal é iniciar a adaptação agora. Empresas que começam antes conseguem testar, ajustar processos e reduzir riscos ao longo do caminho, chegando à consolidação com mais segurança.

Como a Thomson Reuters pode apoiar minha operação nessa transição?
Nós combinamos tecnologia e expertise para apoiar empresas em todas as etapas da Reforma. Com soluções como o ONESOURCE Global Trade, sua empresa ganha automação, integração com ERPs e sistemas governamentais, além de suporte especializado para garantir conformidade fiscal, eficiência operacional e segurança na tomada de decisão.

Thomson Reuters. Soluções prontas para operar a Reforma hoje.

Acesse o guia completo com marcos regulatórios, simulações práticas e o plano de adequação da Thomson Reuters

E-Book

Saiba mais sobre as soluções da Thomson Reuters para a Reforma Tributária

Soluções Thomson Reuters

Contate um especialista

Fale com a gente