Angela Maria dos Santos

Foreign Trade Content Specialist

Thomson Reuters - Brasil

 

No final de 2017 fizemos uma análise da retrospectiva do ano e as perspectivas para 2018, considerando o momento em que se encontrava o país, bem como os acontecimentos que estavam ocorrendo na economia do Brasil e do mundo. Muitas coisas constavam no radar para 2018 em relação ao comércio exterior brasileiro, mas o que de fato aconteceu? Veja a seguir a primeira análise da série de posts que criamos sobre os pontos que foram previstos para o útimo ano e quais são as prospecções para o ano de 2019.

 

Acordos Internacionais

Mercosul x Canadá

Como era esperado,  houve avanços nas conversas em torno do acordo entre Mercosul e Canadá, após a abertura de negociação - lançada no dia 9 de março de 2018 em Assunção e a  primeira rodada negociadora em 19 de março de 2018 em Ottawa.

Por não se tratar de um acordo com pautas tão polêmicas como é o caso do acordo com a União Europeia, existem grandes chances de que as negociações sejam finalizadas em 2019 e o acordo seja fechado, quando então, será encaminhado aos países membros para suas devidas ratificações e entrada em vigor.

Este acordo poderá trazer grandes benefícios para ambas as partes, considerando que o Canadá é o 10º maior importador do mundo, quando em 2017 comprou mais US$ 500 bilhões, dos quais  apenas US$ 4,5 bilhões do Brasil. Segundo estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), esse acordo deverá criar oportunidades de negócios para 321 produtos brasileiros, que estão nos setores automotivo, produtos químicos, metalurgia, agricultura, pecuária, produtos minerais, equipamentos de informática, entre outros.

 

Mercosul x União Europeia

Considerada uma das maiores negociações do mundo para efetivação de um acordo comercial, que envolve um PIB combinado de aproximadamente € 15,3 trilhões e um mercado de 750 milhões de pessoas, é possível ver a dimensão da complexidade para concluir todas as pautas vistas como polêmicas que envolvem esse acordo, como por exemplo os bens agrícolas e indutriais. Mas também é evidente que esse acordo pode trazer muitos ganhos para as partes envolvidas, levando em consideração a abertura de mercado e o acesso de ambos em vários setores importantes.

Entretanto, a conclusão de um dos acordos mais aguardados para 2018 de fato não aconteceu. Houve esforços para que o acordo fosse concluído ainda no primeiro semestre de 2018, porém sem sucesso. Apesar dos temas controversos as conversas estavam avançadas, todavia o Brasil entrou em fase eleitoral e as negociações ficaram praticamente paralisadas. Por parte da UE existem rumores de que com a posse do novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, o acordo não se conclua, tais rumores se baseiam no discurso de que o novo presidente irá se empenhar em acordos bilaterais. Em contrapartida, do lado do Mercosul o Brasil afirma que o acordo ainda não aconteceu porque a UE não quis, inclusive o Brasil cedeu o que podia, até em detrimento de alguns dos seus setores.

O Mercosul e a UE prosseguem com as discussões em nível técnico e político, e o novo presidente do Brasil disse estar aberto para negociar e que não há um “não” definitivo, sendo assim vamos aguardar os próximos passos em 2019.

 

Brasil x Chile

Este acordo não estava no radar para acontecer em 2018, porém após iniciada suas negociações em abril de 2017 e quatro rodadas ele foi concluído em outubro de 2018.  Essencialmente seu foco é contribuir para impulsionar os fluxos de comércio e investimentos nos setores de bens e serviços, complementando o já existente ACE 35, o qual eliminou as tarifas de importação ao comércio bilateral. Neste novo acordo foram incluídos mais de 17 temas de natureza não tarifária, como comércio de serviços; comércio eletrônico; telecomunicações; medidas sanitárias e fitossanitárias; obstáculos técnicos ao comércio; facilitação de comércio; propriedade intelectual; e micro, pequenas e médias empresas. Serão também incorporados ao instrumento acordos firmados recentemente pelos dois países, como o Protocolo de Compras Públicas e o Protocolo de Investimentos em Instituições Financeiras.

Outro ponto importante, é que esse acordo foi um grande passo, considerado necessário para o Brasil se aproximar da Aliança do Pacífico, o que potencializará o crescimento e o progresso social do Brasil.

Segundo o Itamaraty, o Chile é o segundo principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul e para onde vai boa parte dos investimentos brasileiros.Tanto que em 2017, o intercâmbio comercial bilateral alcançou US$ 8,5 bilhões, o que representa um aumento de 22% em relação à 2016. Até setembro de 2018, o intercâmbio comercial entre os dois países foi de US$ 7,21 bilhões, um aumento de mais de 13% em relação à 2017. O Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América Latina e principal destino dos investimentos chilenos no exterior, com estoque de US$ 31 bilhões.

Em relação aos outros acordos citados no estudo não houve avanços significativos, são eles: Ampliação do ACP MERCOSUL – Índia; Aprofundamento do ACE 53 (Brasil/México); Consulta Pública Japão e Coreia do Sul; Líbano; Tunísia e MERCOSUL e ASEAN.

 

Acompanhe os próximos posts  da série em nosso Blog

Nos próximos dias, nossa especialista ainda irá compartilhar análises sobre o que de fato aconteceu com relação aos temas de automatização no comércio exterior brasileiro,  balança comercial, os impactos globais e outros fatos importantes que impactaram o ano de 2018, como catálogo de produtos, OEA e Reintegra. Acompanhe!

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