Informação: Um diferencial no mercado de comércio exterior

Autor:
Luis Celso de Sena
Gerente de produto – Global Trade Management
Thomson Reuters – Brasil

 

Pessoas e empresas têm maiores chances de alcançar seus objetivos quanto mais qualificadas forem suas informações acerca do ambiente ao seu redor e acerca de tudo o que pode influenciar na sua capacidade de crescimento.

Não podemos confundir dados isolados com informação. Por exemplo, se eu contasse que em março de 1990 o governo brasileiro tomou uma medida inédita na economia e bloqueou a poupança e todas as aplicações financeiras acima de NCZ$ 50 mil cruzados novos – o equivalente a mais de R$ 9.300, em valores corrigidos pela inflação oficial –, certamente não traria surpresa para os mais velhos ou causaria espanto para os mais novos.

Porém, se eu afirmasse que, enquanto você lê esse texto, o governo prepara para essa noite um bloqueio em todas as aplicações financeiras, deixando como sobrevida apenas R$ 2 mil reais em sua conta bancária, provavelmente você não terminaria essa publicação e iria tratar de tomar uma decisão de ir até o seu banco e sacar tudo antes da noite chegar.

Aqui se evidencia a diferença entre dado e informação. No primeiro caso, você não reagiria pois é algo que ocorreu no passado e nesse momento não traz impactos na sua vida e na sua empresa. No entanto, o segundo exemplo é uma informação importante que traria um diferencial em relação a outras pessoas ou empresas, permitindo tomar uma decisão a tempo e minimizar grandes prejuízos.

Contudo, os dados de hoje podem se transformar em informação amanhã, por isso devem ser armazenados e utilizados em momento oportuno. No primeiro exemplo, se as mesmas pessoas voltassem a governar o país, muitos poderiam se antever e retirar suas aplicações, pelo menos nos primeiros dias do novo governo. Esses dois exemplos, evidentemente, são ilustrativos e querem reforçar as diferenças entre armazenar dados e ter informação. A informação é o suporte para a tomada de decisão e colabora para a certeza do caminho tomado. O diferencial de um indivíduo ou de uma empresa começa pela informação que ela detém sobre assuntos que precisam ser encaminhados.

Outro exemplo: quando coletamos dados de vendas de um determinado produto e seu mercado, podemos ter informações relevantes para futuras escolhas, como projeção de vendas, riscos de mercado, tendência do consumidor, etc. Quanto mais esses dados são trabalhados, proporcionalmente os transformamos em informação que sustentará as decisões, que terão uma probabilidade maior de acerto do que quando são tomadas por “faro” ou baseadas na nossa experiência.

Dentro do âmbito de comércio exterior, isso não é diferente. O conhecimento da informação é algo essencial para o sucesso e o alcance dos objetivos traçados pelas empresas, podendo evitar penalizações por parte dos órgãos oficiais ou até impedimento para atuar dentro desse processo comercial. Isso é perceptível diante das atuais mudanças que o governo vem promovendo em função do Acordo de Facilitação de Comércio Exterior, firmado entre o Brasil e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Pegamos o exemplo da DU-E, que consiste em um espelho da Nota Fiscal de Exportação. As informações entre esses dois documentos precisam ser harmônicas, caso contrário o processo de exportação sofrerá atrasos ou haverá até impedimento para a saída da mercadoria. Assim, o fato é que as empresas precisam prezar pela qualidade dos dados prestados aos órgãos anuentes e Receita Federal − não só para prevenir problemas no desembaraço da mercadoria, como também para evitar que a imagem da organização fique comprometida por não haver compromisso com a sua base de dados. Ora, se uma empresa não consegue prestar informações consistentes para atuar em comércio exterior, como tomará decisões acertadas baseadas nesses mesmos dados?

Vemos hoje empresas tendo sérias dificuldades em viver essa nova realidade promovida pelo governo, com as mudanças que vem trazendo um novo dinamismo para as operações de comércio internacional. As atuais mudanças promovem a necessidade de valorizar os dados corporativos, bem como, fazer com que áreas dentro da corporação passem, necessariamente, a compartilhar as mesmas informações a fim de evitar futuros prejuízos para a companhia. Um exemplo disso é a área tributária, que passa a interagir com a área de comércio exterior no caso do novo processo de exportação.

Entretanto, as empresas têm dificuldade no manejo desses dados. Esse obstáculo passa pela qualidade de seus cadastros, dificuldade em atualizar e manter o que realmente é importante e, não raro, os mesmos dados tendo diferentes origens dentro da corporação. Isso, fatalmente, expõe a empresa e as leva a disponibilizar informações incoerentes. O resultado é, no mínimo, retrabalho, isso quando não acarretam pesadas multas e processos jurídicos.

Muitas empresas já se deram conta que as informações dentro da corporação, quando bem gerenciadas, são muitas vezes mais valiosas que o próprio produto que fabricam ou o serviço que prestam. São essas informações que movem os seus negócios, dão os rendimentos financeiros esperados e promovem novos investimentos.

Dessa forma, ferramentas que auxiliam no manejo dos dados e produzem informações importantes no seu dia a dia são aliados importantes. Qual fornecedor melhor atinge a relação benefícios x custos para aquisição de um determinado material? Qual Incoterm e tipo de transporte minimizam os custos logísticos de um determinado processo de importação? Qual regime especial de tributação devo empregar para reduzir os custos tributários da minha corporação? São respostas que a tecnologia da informação pode fornecer.

Os responsáveis pelo comando do comércio exterior dentro da companhia devem ter acesso a um aparato sistêmico que pode contribuir para esse tipo de tomada de decisão. E lembrando que, se não bastasse a necessidade da qualidade da informação, também é indispensável que esse conhecimento esteja disponível no momento certo e na velocidade que o mundo atual exige.

Então cabem algumas perguntas: como estou cuidando das informações dentro da minha corporação? Os dados que tenho à minha disposição estão a serviço do crescimento da empresa ou estão colocando em risco a imagem e os negócios? Eu tenho dados pulverizados dentro da empresa ou integrados, sendo compartilhados com todos os interessados?

Lembre-se que o sucesso da sua empresa está em seu gerenciamento e atuação sobre as informações que detém! E a área de comércio exterior não é exceção. Ela precisa de informações confiáveis e fornecidas de maneira contínua. Aliada a essa necessidade há de se pensar numa tecnologia que ofereça consistência dos dados e suporte para a tomada de decisão, caso contrário, estará fadada a aumentar o índice de mortalidade de empresas que não conseguiram sobreviver a um mundo tão competitivo de comércio internacional.

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