Indústria 4.0: A era da transformação digital e os impactos no Comércio Exterior

Aline Valença de Amorim Vitor

Solution Especialist

Thomson Reuters - Brasil

 

Com a globalização, multinacionais oferecem seus produtos e serviços em vários mercados do mundo e se antes os clientes compravam apenas o que estava disponível no portfólio, hoje os consumidores impõem seus desejos por um maior valor agregado, personalização e uma melhor experiência pós-venda. Além disso, querem a garantia de que práticas ambientalmente sustentáveis foram utilizadas, operações estão em compliance com as leis e políticas da empresa e que os riscos de falhas foram mitigados. A indústria brasileira está inserida neste contexto e para entregar este resultado busca se inserir nas cadeias globais de valor.

Desde a primeira revolução industrial as empresas passaram por readequações e transformações a fim de obter maior produtividade, eficiência nos processos produtivos e redução de custos. No entanto, essa evolução não refletiu na mesma velocidade nas áreas de suporte às operações. Muitos processos manuais que dependem de planilhas, e-mails, telefonemas e informações que ficam soltas, espalhadas em diversos lugares, são comuns até hoje em grandes empresas, demandando um grande esforço operacional. Porém, a era da transformação digital, também chamada de Indústria 4.0, já começou e estamos atravessando um período onde as mudanças são mais dinâmicas e aceleradas e o impacto dessa revolução será em toda cadeia de produção e demais processos envolvidos na empresa.

Considerando os dados disponíveis no MDIC, o volume de exportação cresceu 9,2% em comparação ao ano anterior (2017) e a importação 21,6% (até set/18). Além do crescimento do comércio internacional o que traz a necessidade de maiores controles, os processos envolvem uma série de exigências regulatórias que torna a operação mais sensível e exposta perante o governo.

Interpretar e acompanhar manualmente todas as exigências e mudanças legais relacionadas ao comércio internacional é algo que demanda um grande esforço, considerando que no Brasil, temos em média 33 alterações legais por mês sendo aplicadas no comércio exterior, imagine todo o trabalho para acompanhar essas mudanças e adaptar os processos, este é um dos exemplos em que a aplicação de tecnologia é a solução.

A quarta revolução industrial traz uma integração de diferentes tecnologias, que garante conectividade entre todas as partes envolvidas no processo, bem como a integração entre diferentes sistemas de forma a garantir a consistência das informações e a certeza de que elas estarão disponíveis no tempo certo para a tomada de decisão, garantindo redução de papel, troca excessiva de e-mails e coleta de dados por telefone, além de manter as atualizações legais e evitar riscos de descumprimento de alguma lei ou política. E outro importante benefício dessa evolução é que os profissionais de comércio exterior que antes eram subutilizados com tarefas repetitivas, poderão ser mais analíticos e ter um papel ainda mais decisivo nas tomadas de decisões.

Novas profissões estão surgindo no mercado de trabalho, por conta destas mudanças, os profissionais precisam se capacitar em novas tecnologias e muitas vezes mudar alguns conceitos.  A área de comércio exterior passa a ser uma área estratégica nas companhias, apoiando a competitividade das empresas.

O uso de tecnologias para soluções de gestão de importação e exportação, possibilita automatizar tarefas e gerenciar os processos mais efetivos, além de garantir compliance com as mudanças legais e tributárias, como o exemplo das mudanças relacionadas ao Acordo de Facilitação do governo que tem o intuito de simplificar as operações de comércio exterior e aumentar o comércio internacional, onde podemos citar o Portal Único de Comércio Exterior que trouxe a DUE (Declaração única de exportação) e LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos a Exportação) e agora a DUIMP (Declaração única de importação).

A utilização de regimes aduaneiros especiais, como RECOF, RECOF-SPED e Drawback, passa ser uma estratégia chave para a garantia de competitividade, pois possibilita  obter incentivos diretos nas exportações que ajudam as empresas a ser mais competitivas no mercado externo. Mas, para a gestão desses regimes surge a necessidade de um controle eficiente de fluxo de caixa e das operações como um todo, tornando a tecnologia uma aliada para garantir o compliance e também uma alternativa para sair da crise interna.

Um dos grandes avanços da revolução 4.0 é a adoção da computação na nuvem (Cloud) nesses processos, que vem democratizando o acesso e velocidade de implementação de novas aplicações, já que grandes investimentos internos em hardware, software e infraestrutura já não são mais necessários. Antes a nuvem era vista como um risco de segurança, mas hoje o investimento em segurança aplicado por empresas especializadas e data centers, mostram que podem ser muito mais seguros que o modelo tradicional, além de oferecer um leque de outras tecnologias, como big data & analytics, inteligência artifical, etc, como parte do seu portfólio de soluções. Assim o investimento em TI pode ser mais focado naquilo que pode realmente transformar o negócio.

Aplicações para gestão de comércio exterior, incluindo inteligência artificial para determinação de classificação fiscal de produtos pode auxiliar empresas a reduzir o tempo gasto em atividades de classificação, além de garantir o compliance, evitar riscos de multas e outras penalidades.

Outra tecnologia como big data, permite as empresas a validação da reputação dos parceiros de negócio comerciais (clientes e fornecedores), por meio da qualidade de fontes de informações de empresas e indivíduos.

Diante dessas transformações que a Indústria 4.0 está trazendo para o mercado, este é o momento das empresas reverem os processos e se adequar a essa nova realidade, a fim de identificar pontos que precisam ser ajustados, automatizados e buscar soluções, que garantam eficiência, compliance e principalmente ajudam a mater a competitividade em um mercado tão dinâmico, pois outras empresas já estão a frente dessas mudanças e em um curto espaço de tempo as empresas que não se adequarem poderão perder espaço no mercado e as novas oportunidades que estão por vir.

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