Adicionando Compliance ao Comércio Exterior

Blog de Pablo Gopp
25 de maio de 2018
ONESOURCE Global Trade

 

Os países atualmente desenvolvidos e emergentes têm leis específicas para tratar a responsabilidade criminal corporativa, exigindo que as empresas estabeleçam um programa confiável para prevenir, detectar e corrigir crimes como suborno, tráfico de influência, negociações incompatíveis, enriquecimento ilícito e apresentação de relatórios falsos.

Independentemente destes requisitos legais, o compliance é uma atividade que vem ocupando um papel importante dentro das empresas, com especial relevância no comércio exterior. Visto que é uma atividade que conecta toda a cadeia de supply chain, desde parceiros de negócios e prestadores de serviços até organizações governamentais, qualquer movimento em falso pode levar a uma disrupção.

O termo compliance é amplo, cobrindo muitos aspectos, mas seu papel principal é a identificação de regulamentos, o gerenciamento da análise de riscos e as orientações gerais para a empresa e suas partes interessadas. Uma vez que um processo de compliance é implementado, ele deve gerar alertas para detectar riscos e fornecer monitoramento contínuo do programa.

Em última análise, ao estarem anuentes, as empresas são vistas pelos órgãos regulatórios como sendo mais confiáveis, uma qualidade obrigatória que atualmente é reconhecida por muitas agências alfandegárias em todo o mundo. Isso é mais comum para as empresas que se qualificam sob o programa de Operador Econômico Autorizado (OEA).

O programa de OEA, baseado na Estrutura SAFE proposto pela Organização Mundial das Alfândegas (WCO), permite que as empresas tenham formalidades e processos aduaneiros mais rápidos nas suas operações de comércio exterior. Na prática, isso também oferece menores custos às empresas na sua cadeia de supply chain, em função do processamento acelerado, desde que elas cumpram os requisitos do programa de OEA.

Atualmente, 70% das empresas certificadas que participam do programa OEA e de programas recíprocos estão nos Estados Unidos e na Europa. Nos últimos anos, vimos que o programa está crescendo rapidamente, com mais de 70 países facilitando os programas em andamento ou em processo de implementação dos mesmos.

Compartilhando sua visão e experiência em empresas multinacionais, Alejandro Terzian, Diretor de Comércio Exterior da Bayer para o Cone Sul, destaca a importância do envolvimento do Departamento de Comércio Exterior em toda a cadeia de supply chain para evitar erros e mitigar riscos que sempre surgem com perdas econômicas. “O comércio exterior é um negócio que tem muitas características específicas e aqueles que as desconhecem não têm a dimensão real dos riscos assumidos”, afirma Alejandro.

Ele também ressaltou que “O comércio exterior é uma das áreas da empresa que tem maior interação com diferentes órgãos públicos. Isso torna a gestão dos negócios internacionais muito complexa. Além disso, há uma particularidade, que é a confluência de regulamentações nacionais e internacionais que devem ser conhecidas minuciosamente, compatibilizadas e colocadas em prática”.

Nesse sentido, as empresas que obtiveram resultados melhores, agregando confiabilidade nos seus processos de importação e exportação, são aquelas que entenderam que o comércio internacional agora faz parte do negócio principal de qualquer empresa regional ou de escala mundial.

 

Áreas de risco

Um dos principais fatores de risco no comércio exterior muitas vezes pode ser a documentação utilizada para facilitar a movimentação de mercadorias e declará-las para as agências relevantes. Infelizmente, essa é uma área complicada e muitas vezes de difícil gestão pelas empresas. “Quando realizamos uma compra internacional, não apenas compramos a mercadoria, também adquirimos documentos e informações”, destaca Alejandro, mencionando a relevância da interação com os Despachantes Aduaneiros para agregar valor e reduzir riscos. “Se eu converso com o meu despachante aduaneiro e não falo com ele adequadamente, ou se peço que ele faça algo que não pode ser feito, quando temos de exigir resultados, provavelmente não vamos alcançá-los. Portanto, a gestão do Despachante Aduaneiro é extremamente importante para garantir os melhores resultados, pelo menos na América Latina”.

O segundo risco segue este conceito. As empresas devem interagir com parceiros no fluxo da sua cadeia de supply chain internacional. No comércio exterior, as empresas estão trabalhando com “parceiros”, em vez de “fornecedores”, para supervisionar e facilitar consideravelmente a sua cadeia de supply chain. Isso parece irrelevante, mas, conceitualmente, é importante que as empresas reconheçam todas as partes do processo de comércio internacional para reduzir os riscos e fornecer os controles adequados sobre como elas fazem negócios.

Quando se trata de mitigar o risco, Alejandro acredita que ainda há trabalho a ser feito na autogestão. “Deve haver um monitoramento e acompanhamento constantes de toda a cadeia logística: Despachante Aduaneiro, Serviço Aduaneiro, Agente de Cargas, Transportadora, etc. Isso é mais caro, porém, indispensável para determinadas empresas no final do dia. Os custos, nesses casos, devem ficar em segundo plano”.

Como uma recapitulação, Alejandro comentou a importância de ter um papel proativo e de estar atento para atingir a excelência operacional no Comércio Exterior, ou seja, “entender a lógica do negócio e não ver como as coisas acontecem, mas fazer as coisas acontecerem. O papel mais importante da gestão do Comércio Exterior é agregar valor à Empresa. Por isso, o trabalho em desenvolvimento e o treinamento são fatores fundamentais para a criação de equipes de trabalho eficientes para a consecução dos melhores resultados”, afirmou Alejandro.

Concluindo, as empresas mais competitivas utilizam e recomendam as melhores práticas a seguir, visando manter a conformidade:

  • Manter-se atualizado sobre as mudanças na legislação. Ao acompanhar os regulamentos, adaptar seus processos a tempo e tirar proveito das mudanças, essa prática pode fazer uma enorme diferença em relação aos seus concorrentes, especialmente se eles não forem tão rápidos em adotar as mudanças na sua cadeia de supply chain.
  • Equilíbrio da equipe. Otimizar os fluxos de trabalho pode ser um grande desafio. Quando as equipes de Comércio Exterior trabalham em conjunto com outros departamentos ou parceiros, é importante ser direto e claro quanto às expectativas e metas para atingir os objetivos.
  • Mitigar o risco de interrupções da cadeia de supply chain. As empresas aumentarão suas eficiências quando houver menos dependência de processos manuais e quando reduzirem a complexidade da sua cadeia de supply chain.
  • Adicionar automação. A automação no comércio exterior reduz a chance de erro e a perda de tempo no processamento das informações, aumentando a visibilidade dos eventos e permitindo uma maior rapidez na chegada ao mercado.
  • Ser flexível em uma época de mudanças globais. Os grupos de trabalho devem trabalhar em ambientes flexíveis. Desta forma, eles mantêm a capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças regulatórias, aproveitando as oportunidades em novos mercados e na gestão de seus parceiros.

 

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