O conflito entre Advogar e Gerir

Por José Paulo Graciotti*

Em uma das minhas primeiras comparações metafóricas a respeito do negócio chamado Escritório de Advocacia, eu o comparei a um restaurante, fazendo a seguinte pergunta: O que faz uma pessoa ir (ou voltar) a um determinado restaurante? E a resposta foi (e é): ótima comida, ótimo atendimento/serviços e preço coerente!

Como também já foi dito, Escritórios de Advocacia se encaixam perfeitamente nesta resposta, apenas substituindo a expressão ‘ótima comida’ por ‘ótimas soluções jurídicas’, ou seja: ótimas soluções jurídicas, ótimo atendimento/serviços e preços coerentes!

Para que isto seja possível, iremos precisar de ótimos profissionais (sejam eles jurídicos ou administrativos), sistemas e tecnologia atualizados, muito treinamento e principalmente uma organização muito boa e dimensionada corretamente. E é neste ponto que começa a aparecer o conflito citado.

Preciso citar nesse ponto novamente a evolução natural de um escritório de advocacia após a sua criação. Já vimos que escritórios geralmente são formados pela aglutinação de dois ou mais profissionais jurídicos que, por vários motivos (complementariedade de áreas, afinidades profissionais, empreendedorismo, objetivos pessoais e éticos etc.) se agregam e formam uma sociedade de advogados.

Novamente a comparação metafórica com um restaurante torna-se elucidativa, pois podemos comparar o(s) advogado(s), que detém o conhecimento e a capacidade técnica de fornecer ótimas soluções jurídicas para seus clientes, a um chef, que também detém o conhecimento e capacidade de gerar pratos deliciosos.

Imaginem agora este chef que à noite (apenas exemplificando) estará à frente da produção desses pratos, mas também deverá se preocupar principalmente com a escolha e aquisição correta dos produtos (carnes, peixes, verduras, temperos etc.); com a contratação e treinamento de mâitres, sommeliers, garçons, recepcionistas e outros; com a decoração e apresentação das mesas e por último com os aspectos financeiros do negócio chamado “restaurante”.

DA MESMA FORMA QUE UM CHEF GOSTA DE CRIAR E PREPARAR SEUS PRATOS, OS ADVOGADOS TAMBÉM GOSTAM DE ADVOGAR E CRIAR AS SOLUÇÕES JURÍDICAS PARA SEUS DESAFIOS. MAS, TAMBÉM DEVEM SE PREOCUPAR COM TODAS AS OUTRAS TAREFAS E DECISÕES INERENTES À GESTÃO DO SEU NEGÓCIO E QUE NORMALMENTE SÃO ENCARADAS COMO “OBRIGAÇÕES CHATAS” OU “MAL NECESSÁRIO”.

À medida que o negócio cresce (decorrente dos bons pratos oferecidos ou ótimas soluções jurídicas), é natural que a gestão se torne cada vez mais complexa, exigindo cada vez mais atenção do chef ou do sócio gestor e “roubando” tempo destes na produção de seus trabalhos técnicos (aos quais eles tanto gostam de se dedicar).

A solução para este conflito aparece quando a empresa (seja ela qual for) começa a se preocupar com os outros trabalhos de back-office, tão importantes quanto os do chamado “core business”, necessários para o preenchimento dos outros quesitos para obtenção do sucesso.

O correto dimensionamento e treinamento da equipe administrativa de bom nível técnico; a adoção de infraestrutura tecnológica atual e adaptada corretamente ao negócio; o treinamento e aprimoramento constantes de todos os integrantes da empresa e principalmente o alinhamento de todos à filosofia empresarial são fundamentais para desafogar o advogado gestor, dando a ele mais tempo para se dedicar à produção jurídica.

Todos esses pontos adicionados ao produto entregue permitem que a empresa atinja a qualidade necessária para a satisfação de seus clientes e que responde a nossa pergunta inicial.

 

*José Paulo Graciotti é consultor, autor pelo selo editorial Revista dos Tribunais, sócio da GRACIOTTI Assessoria Empresarial, membro da ILTA– International Legal Technology Association e da ALA – Association of Legal Administrators. 

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