Innovation Summit: Evento internacional avança debate sobre Inteligência Artificial e Futuro do Direito

A primeira edição do evento de inovação reuniu especialistas internacionais e discutiu os impactos da IA no mercado do Direito, tendências para a próxima década, privacidade, o futuro do trabalho e o ecossistema de startups jurídicas
Na última sexta-feira (28), a cidade de São Paulo recebeu a primeira edição do Thomson Reuters’ Innovation Summit, evento que antecipou as novas tecnologias, inovações e tendências futuras para a área do Direito. O debate teve a presença dos especialistas internacionais Bart Verheij (representante da Universidade de Groningen e do Instituto de Bernoulli de Matemática), Kevin D. Ashley (professor da Universidade de Pittsburgh e membro da Associação Internacional de Inteligência Artificial) e Roland Vogl (Diretor Executivo do CodeX – centro de inovação da Faculdade de Direito da Universidade de Stanford – e professor visitante da Universidade de Viena), que vieram ao Brasil para participar do II Congresso Internacional de Direito, Governo e Tecnologia.

Menotti Neto, Kevin Ashley, Roland Vogl e Bart Verheij debatem a inteligência artificial aplicada ao Direito. 

 

O FLIC (Future Law Innovation Center powered by Thomson Reuters) é o primeiro centro de inovação da empresa na América Latina e foi inaugurado ao público no último dia 05 de setembro. O Innovation Summit foi o primeiro evento de internacionalização do espaço e sua realização se deu em parceria com a Legal Labs – uma das startups parceiras da Thomson Reuters, selecionada no Thomson Reuters’ Accelerator Day for lawtechs, em julho deste ano – e seu sócio-fundador, Ricardo Fernandes, organizador do II Congresso Internacional de Direito, Governo e Tecnologia, que aconteceu em Brasília nos dias 26 e 27 de setembro. Saiba mais sobre a proposta do evento na entrevista exclusiva do Diretor de Marketing da Thomson Reuters Brasil, Ralff Tozatti.

 

Amadurecimento e Aceleração Tecnológica

O Innovation Summit contou com a presença de cerca de 90 advogados - representantes de empresas e de escritórios de advocacia. “Foi uma oportunidade excelente para discutirmos os caminhos da tecnologia aplicada ao Direito com alguns dos principais nomes que atuam globalmente dentro deste mercado. Trouxemos novas ideias, discutimos o futuro da profissão e possibilitamos uma interação muito válida para o ecossistema jurídico brasileiro”, afirmou Ralff Tozatti, Diretor de Marketing da Thomson Reuters Brasil, responsável pela abertura do evento.

O encontro teve mediação do Diretor de Corporate Value Proposition da Thomson Reuters Brasil, Menotti Neto, que fez uma contextualização sobre Inteligência Artificial e computação cognitiva – conceitos não necessariamente novos, mas em ascensão na contemporaneidade. “Toda essa tecnologia pode nos ajudar a melhorar a sociedade e o ambiente jurídico para empresas, escritórios e para a sociedade, daí a importância de termos esste diálogo internacional hoje”, defendeu o executivo.

O principal assunto discutido foi o uso de Inteligência Artificial aplicada ao mercado jurídico. Na abertura, o professor Kevin Ashley lembrou que a IA e a automação de processos tiveram importância central para agilizar o trabalho dos advogados, mas que o teor consultivo sempre ficará a cargo do advogado. “O computador consegue extrair a informação e cruzar dados, mas apenas o olhar humano é capaz de tomar a melhor decisão final”, explicou o professor da Universidade de Pittsburg.

Bart Verheij destacou que a principal tendência do segmento tem sido o uso da IA para identificar padrões e fazer uma análise inteligente dos dados para prever as possibilidades de uma ação ser bem-sucedida, bem como avaliar resultados prováveis de processos e destinar esforços de maneira mais precisa. “O Direito é difícil para a máquina, pois é composto por uma série de fatores e detalhes distintos e complexos. Atualmente, o advogado consegue fazer uso do Big Data e do Machine Learning para entender melhor o comportamento de cada mercado onde atua e ter uma tomada de decisão muito mais acertada”, afirou o pesquisador e professor da Universidade de Groningen.

Roland Vogl também frisou que a análise e a interpretação dos advogados sempre serão essenciais. “A Inteligência Artificial só pode ser considerada como ameaça para quem se prende às práticas tradicionais de Direito. Com a tecnologia, advogados menos experientes já conseguem ser tão consultivos quanto profissionais com décadas de atuação que não se atualizaram. A inovação aprimora a atuação do advogado, nunca será um substituto”, garante o Diretor Executivo do CodeX. Para ele, essas inovações, que são fomentadas sobretudo pela comunidade de startups jurídicas (as legaltechs e lawtechs), têm como desafio principal solucionar as demandas das empresas e clientes por ações mais rápidas, baratas e transparentes.

 

O Innovation Summit reuniu mais de 90 advogados em São Paulo para debate sobre Inteligência Artificial, Blockchain e Direito. 

 

Ainda sobre os impactos no mercado de trabalho, Vogl – que é Diretor Executivo do CodeX : The Stanford Center for Legal Informatics, mantido pela Thomson Reuters - afirmou que a chave para obter a prática jurídica perfeita é definir as tarefas que devem ser feitas pelas máquinas, sobretudo as atividades maçantes e repetitivas, e deixar a tarefa intelectual para os advogados. “Quase metade do tempo do profissional de Direito é em atividades que não são estratégicas. Eliminar isso vai criar novas oportunidades e advogados mais especializados”, completou.

Com isso, o profissional precisa adquirir novas características para se destacar com o aumento do uso da tecnologia. “É fundamental ter um bom entendimento sobre quais são os problemas que as empresas enfrentam e como a tecnologia ajuda a encontrar essas soluções. O advogado terá um trabalho muito mais consultivo”, assegurou Vogl.

Outro assunto debatido no encontro foi o desenvolvimento de inovações para o mercado jurídico. De acordo com Ashley, o ideal é identificar quais são as tarefas importantes que precisam ser aprimoradas e, na sequência, trocar informações com pesquisadores para traçar qual é a tecnologia apropriada para solucionar este problema. “Advogados e profissionais de tecnologia precisam interagir. Cada um deles tem conhecimentos distintos e essa união proporciona o melhor entendimento sobre todas as possibilidades a serem alcançadas”, explica.

 

Privacidade e Perspectivas

Um dos temas mais falados na atualizade é privacidade, após a provação da Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil e a entrada em vigor de legislação semelhante na União Europeia, a GDPR. “Eu espero que tenhamos uma segunda revolução dentro deste segmento, com a chamada Inteligência Artificial Responsável. Será a tendência para os próximos 10 anos”, conta Verheij. O especialista afirma que o uso desta tecnologia deverá ser guiado pela ética e pela privacidade.

Dentro das propostas para segurança, estão sendo desenvolvidas inovações que fazem uso de blockchain dentro da área jurídica. “Seria fantástico conseguirmos usar blockchain na comunidade jurídica. Existe um grande potencial, já que se trata de um ambiente seguro para armazenamento e troca de informações. Realmente nos faz sonhar, mas ainda há um longo caminho até que se torne realidade”, conclui Verheij.

O debate foi encerrado com um convite à ação feito pelo Head LatAm for Corporates and Tax Professionals da Thomson Reuters, Santiago Ayerza: “Espero que após uma conversa tão esclarecedora, nós estejamos um passo mais perto de ter a inovação e a tecnologia empoderando o segmento jurídico. Em um passado recente, a comunidade jurídica era um tanto quando lenta em se ajustar e adotar as mudanças tecnológicas, mas certamente isso tem mudado. E a presença de vocês aqui hoje é um sinal desta mudança”.

 

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