Incorporando uma Cultura de Bem-estar em Escritórios Jurídicos

É preciso mudar a mentalidade e criação do profissional de Direito hoje para que seja possível desenvolver uma perspectiva mais saudável no ambiente jurídico.

Como os escritórios jurídicos podem incorporar melhor o bem-estar dos advogados na cultura de suas atividades?

Em um recente bate-papo patrocinado pela iniciativa global da Thomson Reuters Women’s Leadership in the Law (Liderança Feminina na Área Jurídica), líderes de três empresas - Kirkland & Ellis, Morgan Lewis & Bockius e Winston & Strawn - discutiram qual a abordagem de seus escritórios para programas de bem-estar. Mesmo que a trajetória de cada empresa seja única, no fim das contas, todos os três foram unânimes em seu comprometimento com uma cultura para desestigmatizar a solicitação de ajuda como uma fraqueza e reformulá-la como a "capacidade de reconstruir" e como um sinal de força e indicador de sucesso.

Jami McKeon, Presidente da Morgan Lewis (ML), iniciou a discussão, observando que a solidão é uma epidemia nos EUA. Um estudo recente publicado pela empresa de serviços de saúde Cigna "identificou que 46% de adultos nos EUA relatam que às vezes ou sempre se sentem sozinhos e 47% dizem se sentir excluídos.” O que é mais perturbador é que a solidão e o isolamento social podem ser tão prejudiciais à saúde quanto fumar 15 cigarros por dia, de acordo com a agência norte-americana de Administração de Serviços e Pesquisa de Saúde. O programa da empresa ML Well reconhece a importância da comunidade para o bem-estar e conecta a equipe de profissionais e advogados entre si e com as comunidades locais através de mentoria, grupos de afinidade, serviço e assessoria jurídica pro bono.

O Dr. Larry Richard, CEO da LawyerBrain, destacou o fato de que a forma como os advogados são treinados os torna mais propensos a experimentar negatividade. "Na faculdade de direito, os advogados que aprendem a identificar os problemas para seus clientes têm o efeito colateral de "busca do mal", disse Richard, acrescentando que, como nossos cérebros buscam eficiência operacional para repetir os processos de pensamento, os caminhos neurais se formam para tornar mais eficiente a "busca do mal". Como resultado, focar no negativo leva a pensamentos negativos, aumentando as chances de depressão clínica, abuso de drogas e outros distúrbios, ele explica.

Não é segredo que muitos advogados são realmente introvertidos, e dado o ritmo de vida ocupado, isolamento social e pensamento negativo, os advogados devem ser vigilantes e proativos em manter uma perspectiva mais saudável. Tanto McKeon quanto Richard disseram acreditar que o ônus deve ficar com os empregadores para ajudar os advogados a alcançar essa perspectiva saudável, treinando as pessoas para pensarem de maneira diferente, mudando a forma como a profissão responde aos fatores de estresse, dando ferramentas às pessoas e desestigmatizando as solicitações de ajuda.

Os participantes do painel de discussão também sugeriram outras ações que os empregadores poderiam tomar, incluindo:

  • Foco do setor em intervenções para mitigação das consequências - O setor jurídico, admiravelmente, está reconhecendo a situação atual das terríveis consequências de saúde mental da profissão, que incluem dependência, suicídio e depressão clínica. McKeon e Richard observaram que essas são as intervenções para mitigação das consequências no âmbito de bem-estar, e o foco do setor nessas ações resultou em vários resultados positivos para conscientização do problema e na criação de possíveis soluções que os empregadores podem usar como respostas.
  • Táticas proativas evitam impactos negativos - Assumir o controle para reforçar táticas de prevenção, como plenitude mental, meditação e exercícios respiratórios para reduzir o estresse, também devem receber investimentos. Richard também enfatizou a importância de prestar a mesma atenção às intervenções estruturais, como mudança de cultura, líderes servindo de exemplo e a mudança dos sistemas de recompensa. Estas ações visam prevenir o estresse do advogado e a solidão, enquanto intervenções para mitigação das consequências visam o reparo.

O Desafio de Desestigmatizar o Bem-Estar

As diferentes abordagens de implementação dos escritórios também devem ser destacadas, mas todas têm o desafio comum de conscientizar os advogados. A Kirkland & Ellis, além de fornecer serviços de orientação, trabalhou com o estado de Nova York para criar um credenciamento de Educação Jurídica Continuada para aumentar a resiliência. A Morgan Lewis lançou um portal on-line e desenvolveu uma série de ações de impacto para destacar tópicos como gratidão. A Winston & Strawn focou em técnicas de educação de relaxamento e ferramentas de gerenciamento de estresse, por exemplo, fornecendo o acesso ao aplicativo Calm a todos os seus funcionários.

Os líderes da empresa disseram que um grande desafio enfrentado foi a lamentável perspectiva de que essas salvaguardas proativas relacionadas ao bem-estar carregam um estigma na profissão jurídica e na sociedade em geral. De fato, as três empresas citaram este ponto como o maior desafio para garantir o sucesso futuro dos investimentos dos escritórios em bem-estar.

Apesar desses desafios, todos os participantes do painel de discussão foram enfáticos sobre os compromissos de suas organizações no bem-estar a longo prazo. Quando perguntados sobre como vão superar esses desafios, suas respostas foram basicamente manter o foco - continuar as conversas; normalizar as discussões sobre dependência, estresse e depressão; e liderar a comunicação em todos os níveis e direções até que o sucesso seja alcançado.

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