Futebol arte, uma ciência

                                              Por Ralff Tozatti, Diretor de Marketing da Thomson Reuters Brasil

Chegamos à Copa saturados pela quantidade e confiabilidade de informações. Mas ela deve nos mostrar o significado de informações confiáveis para performance – e muita emoção.

 

A primeira Copa do Mundo da FIFA de que lembro foi a de 1994: Bebeto, Branco, Romário como melhor jogador e tantos outros nos emocionaram. E eu me lembro de toda a mídia voltada para aquele momento. Meses antes, inclusive, já fervia o calor da nossa classificação, em setembro de 1993, com o 2x0 icônico sobre o Uruguai. Engraçado pensar nisso enquanto escrevo esse texto. Mesmo após a abertura do Mundial, realizada na última quinta-feira, em Moscou, e às vésperas da estreia do Brasil na competição, as maiores notícias sobre esse tema são o álbum de figurinhas e o banimento do chamado “Canarinho Pistola”. Até hoje, nenhuma Copa do Mundo havia chegado de maneira tão dispersa a nós brasileiros. E não é apenas uma sensação: pesquisas revelam que 53% dos brasileiros demonstram desinteresse pela Copa do Mundo. Se eu fechar meus olhos, ainda sinto o cheiro das tintas usadas para pintar a bandeira do Brasil na rua da casa dos meus pais. Mas, ao abri-los, vejo a Copa de 2018 disputar espaço em todos os tipos de mídia com temas quentes, escândalos, memes, novidades pontuais e também com notícias falsas.

Antigamente - como dizemos nós, os saudosistas -, a presença do tema era outra: a estrutura tecnológica de mídias que tínhamos nos colocava todos na mesma página da narrativa. 

Acompanhávamos o Mundial pelas mesmas plataformas, migramos massivamente unidos do rádio à televisão e nos mantivemos em comunhão compartilhando as mesmas telas. Os dados e informações eram menos abundantes, mas mais aglutinados. Mas, a tecnologia e a sociedade mudaram profundamente nestas duas décadas e meia que me separam das ruas coloridas de Belo Horizonte.

Podemos dizer que, em 2018, a Copa do Mundo tem mais concorrência nos noticiários, que discutem paralisações, impactos da Lava Jato e um intenso e necessário engajamento da opinião pública no cenário eleitoral deste ano. Por outro lado, também está mais difusa, com a audiência buscando gadgets, plataformas e veículos diversificados para acompanhar e debater o Mundial. E, claro, muitos de nós ainda não nos recuperamos do 7x1 em casa – e logo na minha casa.

Mas, pensar a Copa do Mundo nesse contexto de aceleração tecnológica tem sabores (bem) mais pronunciados que os dissabores.

No futebol de estrelas e grandes nomes, o uso de dados não apenas mune os técnicos e comissões para confirmar decisões, definir estratégias, mas também ajuda a prever movimentos, possíveis lesões e analisar ROI da equipe e jogadores.

E tudo isso deixa o futebol muito técnico e chato, certo?

Não é bem o que diria Tostão, atacante da seleção campeã de 1970. Na obra Tempos Vividos, Sonhados e Perdidos, o jogador conta como o ainda incipiente estudo de dados da seleção rival assegurou a vitória sobre a Itália, na final. Na edição seguinte, a negligência de dados deixou Rivellino às cegas contra a Holanda e em 1978, a seleção de Coutinho recorreu a Jairo Santos, um educador físico que importou da Inglaterra técnicas de análise, ainda suportadas pelo papel e caneta. Certamente, desenvolver um estudo de dados, ainda que preliminar, nesses mundiais tornou as competições mais emocionantes. 

Quando olhamos com curiosidade para o mundo, entendemos a arte por trás (e além) da ciência. O futebol arte do século XXI é um futebol cada vez mais científico. E a ciência de dados, a chamada data science, é cada vez mais um ofício artístico.

Copa do Mundo sempre foi sobre conteúdo, histórias, rumos e narrativas. E tecnologia, ferramentas e analytics não anulam isso. Pelo contrário, catalisam. Geram uma aceleração de potencialidades, que alimenta e se retroalimenta de informações confiáveis. Que o diga a Alemanha, a vilã que nos assombra.

Na décima oitava edição do Mundial, jogando em casa, a seleção alemã enfrentou a Argentina nas quarta de final, chegando aos pênaltis. O goleiro Jens Lehmann entrou em campo com um pedaço de papel: uma tabelinha com dados de performance dos jogadores portenhos em cobranças de pênaltis, possibilitando ao goleiro se adiantar à decisão dos cobradores. Lehmann defendeu a cobrança do argentino Cambiasso e a seleção alemã levou o jogo, com base em duas soluções de ciência de dados e analytics criadas para avaliar o desempenho dos concorrentes e suas chances de defesa.

Mais recentemente, a ciência de dados provocou outras fortes emoções e surpresas. O pequeno Leicester (de uma cidade de 280 mil habitantes) venceu a Premier League há dois anos, derrubando gigantes do futebol inglês. O sucesso do clube, que extasiou a mídia esportiva e os fãs do esporte mundo afora, veio graças a um planejamento arrojado e original baseado em ciência de dados e analytics.

Mesmo em outro futebol, o americano, essa tendência tem levado a produtividade a níveis inéditos, subindo junto com a pressão arterial dos torcedores. A apertada vitória do Philadelphia Eagles sobre o favoritíssimo New England Patriots, em fevereiro deste ano, enlouqueceu os mais de 110 milhões de espectadores (só nos Estados Unidos) do Super Bowl, deixando todos em um turbilhão de emoções - do espanto à euforia, passando pela incredulidade. Aliás, já que estamos falando em termos amplos, para os amantes da sétima arte, o longa Moneyball, de 2011, conta a história de Billy Beane, técnico do Oakland Athletics que, ao lado de um economista de Yale, mudou o jogo ao aplicar soluções de ciência de dados ao baseball. Recentemente, fiz um curso com o diretor do Berkeley Fintech Institute, Gregory LaBlanc, e conheci soluções para precificação de jogos esportivos, que cruzavam mais de mil variáveis para chegar ao melhor preço do ingresso, considerando desde a possibilidade de chuva até a escalação do time e provável rendimento dos jogadores.

O mundo esportivo (e não só ele) ainda engatinha em data science e analytics. Mas, essas ferramentas tecnológicas já provaram que trabalham em favor do conteúdo, fazendo emergir as grandes narrativas. Elas ajudam a entender as histórias e, mais que isso, a construir a História. 

 

Mais performance traz mais disponibilidade para o futebol arte: para a genialidade, as relações, as boas histórias, a surpresa. Todas as possibilidades que emergem quando seguimos destemidos, baseados em informações confiáveis.

A escalação de Tite promete uma seleção mais orientada por dados. E os conceitos e exemplos da ciência de dados nos esportes mostram que dados confiáveis catalisam a confiança, parceria, performance e inovação. E é disso que nascem as grandes histórias apaixonantes do esporte.

A nós, cabe a reflexão sobre o espaço que abrimos em nossas vidas e práticas para que esses tipos de possibilidades possam aflorar. Por que ainda somos resistentes à tecnologia? Por que cobramos de nossos times em campo os mais avançados estudos de dados, mas fora de campo sobrecarregamos nossos times com tarefas repetitivas e desgastamos nossas mentes em atividades operacionais? “Meu negócio é muito complexo para isso”, dizem alguns. Será mesmo que nossas necessidades não se beneficiariam de modelos que trabalham com possibilidades de lesão e aproveitamento de um jogador avaliado em US$260 milhões? Será que estamos esgotando a possibilidade de responder ao cruzamento de mais de mil variáveis em nosso posicionamento? 

O futebol arte é destemido, corajoso, ousado. É baseado em parcerias, performance, confiança, criando um ciclo de inovação. Futebol arte é a ciência das informações confiáveis.

Que venha a Copa do Mundo nos surpreendendo com o imponderável possibilitado por essas respostas e inspirando ainda mais nossas perguntas. E que tenhamos o destemor de levar isso aos nossos times, nos nossos campos.

 

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Sobre o Autor

Ralff Tozatti é Diretor de Marketing da Thomson Reuters Brasil. Graduou-se em Contabilidade pela PUC Minas, possui pós-graduação em Controladoria e Finanças pela UFMG e MBA em Marketing pela FVG de São Paulo. Após 12 anos nas áreas de vendas e planejamento estratégico para grandes organizações do segmento de Telecom no Brasil, em 2016 direcionou seus esforços para a área de marketing com a missão de liderar a transformação digital da Thomson Reuters no Brasil.

 

 

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