Alternative Legal Service Providers: mudando a percepção dos consumidores

David Curle
Diretor Global de Inteligência de Mercado
da Thomson Reuters Legal

Uma percepção comum da indústria de serviços jurídicos é que os consumidores desses serviços possuem muitas mais opções atualmente. Apenas serviços puramente jurídicos não agregam mais tanto valor. Os escritórios de advocacia não são mais a única opção para clientes com demandas jurídicas; eles, agora, têm um “menu” mais amplo de fornecedores para escolher.

Mas, quais são os contornos desse mercado de Serviços Jurídicos Alternativos? Como esses novos fornecedores estão sendo aproveitados por clientes corporativos e escritórios de advocacia? O que está por trás desse uso? E o que isso significa para os escritórios tradicionais?

Para responder a essas perguntas, o Thomson Reuters Legal Executive Institute firmou uma parceria com a Georgetown Law School’s Center for the Study of the Legal Profession e a Oxford University’s Saïd Business School, para desenvolver um estudo sobre esse crescente subconjunto de fornecedores jurídicos alternativos. A pesquisa foi conduzida em duas fases, um extenso questionário online e uma ´seire de 38 entrevistas em profundidade.

O que são as os ALSPs?

O estudo considera uma série de possibilidades. Nós percebemos, logo no começo do processo, que não há fornecedores que não sejam escritórios de advocacia envolvidos em vários aspectos na entrega de serviços jurídicos. Portanto, nossa definição foi propositalmente ampla – consideramos que os ALSPs (sigla em inglês para Alternativa Legal Services Providers) englobam atividades desempenhadas por fornecedores jurídicos não tradicionais (incluindo afiliados independentes de escritórios de advocacia), que estejam envolvidos diretamente com o aprovisionamento de serviços jurídicos. A definição exclui outras atividades não jurídicas que podem ser terceirizadas como, por exemplo, contabilidade, suporte de TI, Recursos Humanos, etc. Excluímos também companhias que oferecem unicamente ferramentas de software jurídicas, e não juntamente com um serviço embutido.

A lista de serviços oferecidos por essas empresas é diversa. Ela inclui serviços de busca de dados eletrônicos, revisão e codificação de documentação, suporte a litígios e investigações, serviços jurídicos especializados, gerenciamento de propriedade intelectual, serviços de due delligence, gerenciamento de contratos, serviços nas áreas de risco regulatório e compliance, e linguagem jurídica.

 

Três importantes descobertas

O relatório final da pesquisa é repleto de insights para o uso dos ALSPs, mas, há três grandes descobertas que acreditamos que representam que essas empresas se enraizaram profundamente no ecossistema jurídico:

 

  • A decisão em utilizar um ALSP não é mais influenciada pelo custo; mas sim pelo acesso ao conhecimento especializado. Redução de custos sempre foi algo considerado prioridade nas tomadas de decisão por parte de consumidores, porque tão grande segmento quanto o mercado jurídico cuja terceirização para mão de obra externa tem grande aplicabilidade devido ao seu baixo custo. Se esse foi, uma vez, o caso, hoje isso não é mais verdade. Certamente, em rotinas mais operacionais como revisão de documentos, o custo ainda é fator decisivo – 85% dos respondentes citaram o custo como principal fator de decisão ao contratar escritórios de revisão de documentação. Mas, clientes corporativos, em particular, estão procurando por expertise, ao invés cortes de custo rigorosos.  Mais da metade dos escritórios de advocacia que estão optando por serviços de procura eletrônica de documentos fazem isso, pois acreditam mais na sua expertise especializada do que nos custos “salvos”.
  • Há um aumento no reconhecimento dos ALSPs como uma oportunidade para escritórios de advocacia, não como uma ameaça. Escritórios estão pressionados a reduzir custos, isso é um fato. Os ALSPs lhes dão o caminho para fazer justamente isso em muitos casos – mais de 55% dos respondentes disseram que os ALSPs podem ajuda-los a mitigar a pressão pela redução de custos por parte dos clientes. Além do mais, entretanto, 41% disse que os ALSPs podem auxiliá-los a escalonar e expandir seus negócios. Para os escritórios de advocacia, os serviços mais utilizados, oferecidos pelos ALSPs, são serviços de busca online (com 34% dos usos) e revisão de documentos (31%). Pensamos que isso é algo surpreendentemente baixo, mas, pode refletir uma relutância no uso de ALSPs devido ao pobre serviço oferecido pelos fornecedores no passado. Porém, 31% das empresas utilizando serviços de buscas externo online e 39% daqueles utilizando para revisão de documentos indicam que pretendem aumentar seus gastos, um sinal de que mais empresas estão aproveitando os ALSPs como um oportunidade de solidificar seus próprios negócios. Em nossas entrevistas, muitos líderes de escritórios relataram que enxergam a parceria com ALSPs como uma maneira de desagregar serviços e construir suas próprias matrizes de serviços em um modelo de “fornecedor geral”, valorizando os ALSPs para ajuda-los a prover vários componentes no trabalho.
  •  O crescimento futuro é propício para vir na aplicação da crescente e sofisticada Inteligência Artificial (IA). Muitos ALSPs trabalham com grandes processadores de dados, em ciclos repetitivos e em grande escala. Eles já estão incorporando a tecnologia nesses workflows, particularmente em buscas online, mas também em áreas emergentes como gerenciamento de contratos, compliance e risco. Em nossas entrevistas, quando perguntamos o que o futuro dos ALSPs implicaria, mitos mencionaram a IA como um provável caminho para o futuro. Eles veem os ALSPs fornecendo recursos, melhorias nos processos e musculatura tecnológica que eles podem não ter em sua própria estrutura organizacional. Clientes dos ALSPs possuem altas expectativas por maiores tecnologias. 

Outras descobertas importantes

Mais da metade dos escritórios de advocacia e corporações estão utilizando ao menos uma categoria dos ALSPs. 51% dos escritórios e 50% os departamentos jurídicos nas empresas estão atualmente aplicando um ALSP em ao menos uma categoria de serviço. Outros 21% dos escritórios e 14% das empresas planejam contratar um ALSP no ano que vem. Motivações para o uso podem variar para cada uso de categoria, de acordo com o acesso à expertise especializada, controlando custos e picos de demanda e sazonalidades.    

 

  • ALSPs estão sendo utilizados mais do que buscas online. Enquanto escritórios de advocacia tendem a utilizar mais serviços de suporte a litígios (por exemplo, buscas online, revisão de documentos, suporte a litígios e investigações), corporações estão mais propícias a aplicar esses serviços em áreas especializadas (por exemplo serviços de risco regulatório e compliance, aconselhamento jurídico especializado, pesquisa jurídica e gerenciamento de IP). Áreas que crescem no uso agora estão alinhadas aos serviços que são oferecidos.
  • Tanto escritórios de advocacia quanto corporações estão preocupadas com a qualidade dos serviços. Ambos citaram preocupações sobre a qualidade do serviço como uma razão para não utilizarem um ALSP e que precisavam de um fator de convencimento relevante contra os moldes dos serviços tradicionais. Escritórios de advocacia estão ainda mais atribulados com a questão de segurança de dados dos clientes e confidencialidade em relação às corporações.

 

Quem são as ALSPs?

Esse ainda é um mercado fragmentado. Nós identificamos cinco tipos principais de fornecedores e um tamanho estimado de mercado, conforme a tabela abaixo. Além dos cases da jurídica Current utilizar cases de áreas com potencial crescimento no processo organizacional de escritórios de advocacia em companhias terceirizadas, e fornecedores de buscas online e revisão de documentos, as Big Four da contabilidade e audotoria são também consideradas grande parte desse mercado. Pequenas ações do mercado avaliado no total de $8.4 bilhões são contabilizados por associados de escritórios de advocacia e um grupo emergente de Managed Legal Services Providers.

 

Saiba mais

Entenda melhor o crescimento dos benefícios desses novos fornecedores de serviços jurídicos baixando o relatório completo, em inglês, aqui.

 

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