A escola da advocacia 4.0

Por Bruno Feigelson, Head de Futurismo da Future Law

Acelerar a conexão entre o universo jurídico e a realidade 4.0 é medida fundamental para melhorar as condições sociais e econômicas do País. Por outro lado, a desconexão entre profissionais do direito e as novas dinâmicas tecnológicas pode ser um risco para o próprio futuro do Direito e, consequentemente, da sociedade.

O advogado é, e sempre será, indispensável. Os múltiplos interesses existentes na sociedade podem nos levar ao caos ou à harmonia, sempre foi assim. Cabe ao sistema jurídico intermediar essa dinâmica e, assim, propiciar a paz e a prosperidade social. Em um mundo de múltiplas plataformas e amplas conexões, não é diferente. O que se observa atualmente é um nível de complexidade de interesses ainda maior, o que enseja a participação ainda mais atuante dos advogados. No entanto, não é possível contribuir com esse novo mundo sem entendê-lo.

E só há uma forma de acelerar a conexão entre o Direito e a realidade exponencial: Educação! Precisamos gerar conteúdo de qualidade, organizar cursos, palestras e treinamentos. É preciso instruir, debater, mentorar e construir.

Em 2011, em meio às idas e vindas para Minas Gerais e diversos Estados da Região Norte com o objetivo de implementar projetos de mineração e infraestrutura, ingressei no mestrado da UERJ. Naquele momento comecei a aprofundar meus estudos na área de tecnologia e propriedade intelectual. A verdade é que queria me envolver mais com a indústria criativa e com as mentes inovadoras.

De 2012 a 2016 advoguei junto a grandes empresas e vivenciei de perto as primeiras conexões entre as grandes corporações e o fenômeno das startups. Anos mais tarde essa dinâmica seria batizada de "corporate venture". É impressionante observar como a inovação, em poucos anos, assumiu o protagonismo da vida das empresas nos mais diversos setores. Inovar virou a palavra de ordem, e aqueles que não acompanharem a acelerada transformação correm o risco de ficarem fora do jogo.

Nunca imaginei que empreenderia, muito menos no setor das "lawtechs", segmento que sequer havia sido batizado desta forma no “longínquo-perto” ano de 2016. Porém, foi a partir da "dor" do Cadu, um amigo designer, que desejava propor uma ação contra uma empresa de telefonia, que tudo começou. Ao invés de propor a ação, propus um acordo. E, assim, nasceu a "ideia" de criar uma plataforma de acordos exclusiva para conectar advogados. Fundar o Sem Processo foi um divisor de águas profissional e, também, pessoal.

O ano de 2016 foi especialmente desafiador. Apesar do desejo de diminuir o número de processos judiciais no Brasil, – que conta com o maior acervo mundial, aproximadamente 100 milhões de ações, e o maior gasto proporcional do PIB, 1.3% –, sentia que o mercado jurídico não reagia de maneira adequada ao comportamento inovador. Nós, advogados, somos neofóbicos por essência.

Entendi que era preciso criar mecanismos para conectar a advocacia com a realidade 4.0. A mudança de mindset era fundamental. Seria necessário, portanto, engajar membros de departamentos jurídicos, escritórios e integrantes do Judiciário. Assim nasceu a AB2L - Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs, poucos sonhadores e um propósito gigantesco. Em pouco tempo a onda ganhou força e rapidamente obtivemos relevância no universo jurídico. Nosso propósito logo foi compreendido e se tornou combustível para as mais diferentes iniciativas. Passamos a ser uma comunidade de profissionais do direito que progressivamente se conectam à realidade 4.0 e atuam de maneira diversa do status quo. As transformações não param de crescer, e hoje já é humanamente impossível acompanhar todas as iniciativas que ocorrem pelo mundo e que contam com integrantes e o apoio da AB2L (basta ver nosso calendário).

O ano de 2017 foi incrível e o de 2018 está sendo ainda mais. No entanto, era preciso mais! Nas minhas andanças pelo País, nos mais diversos encontros com profissionais de todos os setores do mundo jurídico, e em cursos e palestras, sentia que o gap educacional era enorme. A consolidação da advocacia 4.0 vai acontecer, é parte de um futuro inevitável. A dúvida que persiste é: Em quanto tempo?

Para acelerar esse movimento é preciso o desejo individual, – que nasce pelas mais diversas motivações, mas especialmente por uma demanda patente do mercado e uma certa insatisfação de muitos profissionais do Direito em relação ao status quo –, uma imensa mudança de mindset (cultural) e o desenvolvimento das habilidades exigidas pelo novo mundo.

Da necessidade de educar o mercado, de tornar os advogados mais data driven, e de contribuir com esse momento de mudança cultural, nasce a Future Law. A escola surge de encontros maravilhosos que a vida nos propiciou, como diria Vinicius de Moraes, “a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Primeiro o Chris (Christiano Xavier), um dos primeiros executivos jurídicos a se interessar pelo Sem Processo, implementando os serviços de diversas Lawtechs em seu departamento jurídico, realizando uma verdadeira revolução cultural interna. Depois o Ale (Alexandre Zavaglia Coelho), profissional com décadas de experiência na educação e que nos últimos anos se tornou uma das maiores autoridades do direito e novas tecnologias, criador e coordenador do primeiro curso no Brasil sobre Ciência de Dados Aplicada ao Direito. Além da Day (Dayane Santana), Mari (Mariana Lamounier) e Tay (Tayná Carneiro), profissionais de grande talento que estão conosco nessa jornada.

Após menos de um ano de fundação formal da Future Law, realizamos um sonho. Abriremos abrimos as portas, no dia 5 de setembro, do FLIC (Future Law Innovation Center). Trata-se de um centro de inovação do Direito, conectado com os maiores centros de inovação jurídica do planeta, no país que possui as condições antropológicas para criar as melhores soluções relacionando Direito e novas tecnologias: o Brasil. O projeto já nasce bastante estruturado, com grandes objetivos, e conta com o importante apoio da Thomson Reuters. A entrada de uma das maiores empresas de comunicação e informação do mundo oportunizou que se somassem ao projeto pessoas incríveis como o Menotti (Franceschini), Ralff (Tozzati), a Cris (Cristianne Alves), a Nara (Almeida), e muitos outros.

As portas da nossa casa estão abertas e esperamos encontrá-los constantemente nas atividades do FLIC!

 

Sobre o autor

Bruno Feigelson

Doutorando e mestre em Direito pela UERJ. Sócio do Lima ≡ Feigelson Advogados. CEO do Sem Processo. Presidente da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs). Head de Futurismo da Future Law. É professor universitário, palestrante e autor de diversos livros e artigos especializados na temática Direito, Inovação e Tecnologia.

 

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