A Ciência de Dados na área do Direito: Novos inputs para a gestão empresarial

Por Alexandre Zavaglia, Head da Future Law

A mesma tecnologia que transformou a área do marketing digital e está permitindo que todos setores da economia caminhem para um ambiente data-driven, orientado por dados, também está sendo aplicada na área do Direito. No Brasil, são muitos os desafios do poder público e da sociedade relacionados às mudanças frequentes na legislação e aos milhares de processos administrativos e judiciais.

Essa instabilidade e sobrecarga informacional dificultam uma visão exata sobre a legislação vigente, sobre os detalhes dos processos e seu provisionamento, a tendência das decisões ou uma estratégia precisa para buscar a prevenção, a mediação ou a conciliação pela individualização das políticas de acordo. Em função do repositório de legislação e de dados abertos do poder público, assim como do processo eletrônico (que seguem o movimento mundial de digitalização) e da publicidade dos atos processuais em nosso País, temos um cenário muito favorável para melhorar esse quadro.

Além da organização dos dados, as novas técnicas de Inteligência Artificial permitem a extração de informações de milhares de documentos para organizar estudos há pouco tempo atrás inimagináveis, especialmente pelo fato de que a maioria dos dados disponíveis sobre os processos são despadronizados e, assim, não permitiam estudos mais complexos.

O avanço da tecnologia nos últimos anos e a diminuição do custo de armazenamento e processamento de dados impulsionaram a capacidade de converter textos digitalizados, áudios, vídeos, entre outros, em linguagem computacional. Esse é um dos principais fatores dessa revolução digital, uma vez que 80% dos dados produzidos no mundo são considerados desestruturados.

Usando essas técnicas, já estamos desenvolvendo projetos inovadores, capazes de melhorar a gestão do judiciário e orientar o trabalho dos departamentos jurídicos das empresas e dos escritórios de advocacia. Pesquisando os temas que geram o maior número de conflitos, seja na área da saúde e do direito do consumidor; seja na forma de aplicação da nova legislação trabalhista; para a auditoria e planejamento tributário; para auxiliar uma investigação criminal; ou ainda para compreender o entendimento sobre assuntos estratégicos, pelo uso de técnicas de risco, colaboramos com respostas cada vez mais rápidas e assertivas.

Essa tecnologia está revolucionando a prestação de serviços jurídicos, com impactos em todos os ambientes das empresas e do mercado. Pelo uso dessas ferramentas, é possível alcançar novos patamares e transformar a prática jurídica, muitas vezes vista como fonte de problemas e custos, em um setor com ativos estratégicos muito relevantes para a gestão, para entender onde melhorar os procedimentos internos, para evitar a entrada de motivos recorrentes e orientar a melhor forma de solução para cada caso.

Mas ainda existe uma curva de aprendizado relevante sobre o uso de big data e Inteligência Artificial. 

Antes de qualquer passo, é preciso entender que problemas queremos resolver, os conceitos relacionados ao seu uso e, só depois, buscar as técnicas mais adequadas. O primeiro passo é sempre organizar os dados internos para identificar os temas principais e, só num segundo momento, gerar os insights e analisar as tendências.

Numa terceira camada, ainda é possível cruzar o banco de dados do RH, do call center, os dados gerenciais, de processo administrativos, entre muitos outros para compreender as correlações entre as disputas judiciais e extrajudiciais, e as situações do dia a dia. Assim, nada disso funciona sem as pessoas, pois não é automático como as manchetes sensacionalistas propagam.

É preciso desmitificar essas questões e entender que os robôs sempre serão mais eficientes para ler milhares de documentos, organizar e classificar informações, mas só se forem programados para essa finalidade. Além disso, nunca serão capazes de substituir a importância dos profissionais do direito e dos outros setores das companhias, tanto em função de seu conhecimento técnico, como da imprevisibilidade das sempre mutantes dinâmicas sociais e da insubstituível inteligência humana para navegar no incerto.

Enquanto muitos ficam discutindo se seremos substituídos, os gestores precisam incentivar a formação para essas novas habilidades e o uso crescente dessas soluções, para uma mudança na cultura de gestão e o engajamento do time para a otimização dos serviços e o suporte à tomada de decisão, para incentivar os departamentos jurídicos e escritórios a entregar melhores resultados.

O uso crescente da ciência de dados trará novas evidências para sistematizar o Direito e orientar a prevenção e solução de problemas jurídicos, com grandes impactos na gestão estratégica das empresas, em seu relacionamento com seus acionistas, clientes e fornecedores. E isso cria novas oportunidades de trabalho pois, mesmo com todos esses avanços, as pessoas continuam fazendo a diferença.

Por tudo isso, criamos o primeiro curso de ciência de dados aplicada ao Direito, e a quarta turma está com inscrições abertas para início em 27 de agosto. E esse curso teve tanta procura que acabou virando uma escola, a Future Law. Uma escola com o propósito de justamente impulsionar os profissionais do direito e as organizações na realidade exponencial, por meio da produção de conteúdo, de atividades de ensino sobre o uso dessas novas ferramentas tecnológicas e de soluções em Legal Design no contexto da transformação digital, para promover a mudança de cultura de gestão jurídica. E também vamos lançar em breve um centro de inovação, que vai integrar os melhores conteúdos e experiências dos mais importantes laboratórios de inovação da área de Direito no mundo, com as pessoas que efetivamente estão à frente desse movimento no Brasil. São muitas as novidades, aguarde!

 

Sobre o autor

Alexandre Zavaglia Coelho é advogado especializado em projetos de ciência de dados, CEO da Legal Science, Head da Future Law, um dos coordenadores da Revista Direito e Novas Tecnologias da Revista dos Tribunais – RT.

 

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