Angela Maria dos Santos

Foreign Trade Content Specialist

Thomson Reuters Brasil

 

A leitura da  pesquisa elaborada em 2018 pela Thomson Reuters em parceria com Live University sobre as oportunidades e desafios com o uso da tecnologia pelas empresas (https://www.thomsonreuters.com.br/pt/corporacoes/road-to-the-future.html), me levou a refletir sobre minha trajetória profissional e inevitavelmente sobre o futuro, considerando as possibilidades advindas das “novas profissões”, referenciadas na pesquisa.

Na minha vida sigo o lema:“Vamos viver o hoje porque o amanhã a DEUS pertence!”, ainda mais diante dos acontecimentos lamentáveis que principiaram nosso 2019, mas isso não me exime de pensar sobre os próximos passos, sobre que caminhos seguir para ao menos, enquanto estiver aqui fazer de forma mais eficiente/competente possível, claro que isso em todos os setores da vida não apenas profissional.

Mas profissionalmente falando, em retrospectiva, sou da época em que chegava na empresa por volta das 8h da manhã, fazia a leitura do Diário Oficial da União (DOU) para extrair dali as legislações pertinentes aos comércio exterior publicadas no dia. Selecionávamos quais impactavam nossos produtos (impressos/online), informávamos os clientes e partíamos para atualizações que eram feitas manualmente, ou seja, levávamos um tempo considerável para finalizar.

Do outro lado, estava o cliente ávido pelas informações de fontes privadas, já que os sites do governo eram precários e desatualizados. Informações que eram necessárias para poder seguir com suas operações, que demandavam preenchimento de “n” documentos para “n” órgãos dos governo, e ainda, efetuar os registros nos sistemas do governo que utilizava de tecnologia obsoleta.  A tecnologia era embrionária e os processos muito demorados, fazendo com que a burocracia representasse o “calcanhar de Aquiles” para todos os intervenientes do comércio exterior.

A partir dessa minha retrospectiva traço a comparação com o panorama atual. Apesar de ainda estarmos no caminho da modernização das operações, podemos dizer que esse cenário já mudou consideravelmente, em todos os aspectos, tanto para as empresas, quanto para o governo e profissionais. Muito já se foi modernizado, automatizado, integrado e esse é um caminho sem volta, o mercado exige processos cada vez mais ágeis e assertivos.

Atualmente os sites do governo dispõem de muitas informações, como: estatísticas e conteúdos relevantes para as tomadas de decisões das empresas, posso citar aqui o Comex-Vis, Portal do Siscomex, Balança Comercial, Alice web etc. todos disponíveis no site do MDIC. Além disso, posso mencionar os avanços quanto às automatizações das operações de comércio exterior como DU-e, DUIMP, Pagamento Centralizado, etc.

E onde quero chegar com isso?! Essa pesquisa da Thomson Reuters com a Live University deixa tudo muito claro. A tecnologia avançou e continua avançado rapidamente, o que acontecia/surgia depois de anos hoje acontece em meses. E quem não acompanhar essa transformação na velocidade em que ela está acontecendo, irá ficar de fora!

Desta forma, fica evidente a necessidade das empresas em acompanharem essas evoluções, seja modernizando suas estruturas sistêmicas (tecnológicas) já que parte dessas automatizações são por meio de integrações de seus dados nos sistemas do governo, bem como contando com profissionais qualificados.

A pequisa mostra que das empresas entrevistadas 90% acreditam que o uso da tecnologia traz benefícios e oportunidades, porém 56% delas não pretendem aumentar seus investimentos em tecnologia, mesmo sabendo que isso otimizaria suas operações. Em contrapartida, 42% pretendem aumentar seus investimentos e assim obter mais competitividade, compliance e redução de custos em suas operações.

E é ai que entra minha reflexão sobre nós profissionais, claro que posso falar com mais propriedade sobre a área que atuo, mas tenho certeza que essa reflexão vale para todas as outras. Considerando esses dados em que as empresas são otimistas quanto ao uso da tecnologia, bem como aquelas que pretendem investir nessa área, fica evidente que essa decisão as levará a um patamar mais elevado. Seguindo essa linha de raciocíno, que tipo de profissionais ela contratará, sejam eles celetistas, prestadores de serviços autônomos, parceiros, enfim? Quem tem mais conteúdo/especialização ou quem tem alto conhecimento em tecnologia?

Pasmem ou não, a pesquisa mostra que 63% das empresas contrarariam quem tem mais conhecimento em tecnologia e menos conhecimento técnico. A justificativa das empresas é que é “mais simples treinar os profissionais para entender o core da empresa do que capacitar para o uso de tecnologias de mercado”.

E mais, as empresas não estão dispostas a investir em capacitação dos profissionais elas já esperam contratar um profissional mais qualificado no mercado.

Creio que a seguinte pergunta pode surgir, diante do que foi explanado aqui: Qual seria o perfil desse profissional qualificado?

Eu te digo que será aquele que conseguir ir além dos seus conhecimentos técnicos. De forma resumida, aquele que conseguir a partir dos seus conhecimentos ter a visão da sua aplicabilidade de forma inovadora, automatizada e assertiva, visando o resultado que a empresa quer obter lá na frente, ou seja, redução de custo,tempo e risco, aumento da lucratividade ecompetitividade.

E garanto, dificilmente chegará  a esses resultados só com conhecimento técnico. Daqui alguns anos muitas profissões serão extintas, uma vez que com o avanço que vem ocorrendo muitos processos manuais estão sendo automatizados, e desta forma não havendo mais a necesssidade de atuação do profissional para essa atividade, o que deixa perceptível o movimento de “novos profissionais”, os quais tem e terão que ter perfis mais estratégicos, além do técnico.

Aqui finalizo minha reflexão deixando a seguinte mensagem para os atuais profissionais que ainda resistem às mudanças: reivente-se, saia da caixa, busque conhecimento em outras áreas além da sua de atuação, invista em você e nunca deixe de aprimorar seus conhecimentos técnicos, porque tudo que você aprender estará com você onde for! Mente aberta e vamos em frente! 

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