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March 04, 2020

Contrate-me porque eu sou a melhor opção, não porque eu sou uma mulher

Laura Wilbanks, Chief Marketing Officer / Thomson Reuters


Os cargos tradicionais baseados em gênero estão sendo abandonados, mas ainda comemoramos as "líderes femininas" por seu gênero. Obviamente, ainda há muito o que ser feito para fortalecer a diversidade no local de trabalho para que as gerações futuras possam finalmente abandonar a rotulagem baseada em gênero.

Meu nome é Laura Wilbanks e sou a diretora de marketing da Thomson Reuters. Tenho mais de 25 anos de ampla experiência em marketing. Antes de ingressar na Thomson Reuters, fui vice-presidente corporativa e diretora de marketing da Equifax.

E imaginem só! Não fui contratada para nenhum desses empregos por causa do meu gênero.

Fui contratada porque era a melhor candidata para o cargo.

Muitas mulheres - e me considero uma delas - se enxergam com um valor muito maior do que simplesmente uma líder feminina. Sinto que este rótulo pode prejudicar e desviar a atenção de minhas realizações profissionais e pessoais. Eu realmente fico feliz de agora ser (cada vez mais) fácil para que mulheres sejam o que quiserem e fazer o que quiserem sem a sombra dos estereótipos de gênero.

No início da minha carreira, muitas vezes me senti confinada em como deveria agir. Demorou muito tempo para eu me sentir confortável o suficiente para trazer à tona verdadeiramente quem eu sou. Quando eu analiso o passado, sinto vontade de pular em um DeLorean, viajar de volta no tempo e conversar com a jovem Laura para encorajá-la. Junto com algumas dicas sobre as questionáveis tendências da moda dos anos 80, eu diria a ela: você merece estar aqui. Sua voz é importante. Suas opiniões são válidas.

Os tempos (e, felizmente, a moda!) mudaram desde então e, em relação às mulheres no local de trabalho e estereótipos de gênero, tivemos progressos.

No entanto, ainda estamos destacando as mulheres que alcançam papéis de liderança. Claro, devemos celebrá-las. Mas não deveríamos celebrar os candidatos pela totalidade de quem são e não apenas pelo gênero?

Vimos uma mudança fundamental na sociedade durante os últimos 50 anos. Pontos de vista sobre cargos tradicionais baseados em gênero estão sendo abandonados e as mulheres têm mais opções disponíveis do que antes. Mais mulheres do que nunca estão cursando a universidade ou faculdadeO número de estudantes mulheres supera o número de homens. Graças às tecnologias como Skype e Slack, as pessoas não são mais limitadas pela região geográfica e fusos horários, ou vinculadas a um escritório; os ambientes de trabalho são cada vez mais flexíveis.

Então, como essas mudanças na demografia social afetam as mulheres no local de trabalho?

As organizações estão explicitamente estabelecendo metas de gênero para a força de trabalho e progredindo para garantir a diversidade nos processos de contratação e listas de candidatos.

Em 2018, as mulheres representavam 48,5% da força de trabalho global. Um relatório conjunto da McKinsey e LeanIn.org (Outubro de 2019) identificou um aumento de 24% no número de mulheres ocupando cargos de diretoria executiva desde 2015. Essas mudanças são suportadas por iniciativas como Grace Hopper, que promove a diversidade e a inclusão em setores tradicionalmente dominados por homens, como tecnologia e engenharia. Em algumas regiões, as empresas são responsabilizadas e obrigadas a relatar suas disparidades salariais entre homens e mulheres, bem como o número de mulheres que ocupam cargos de liderança.

Esse não é um exercício só para cumprir tabela. Um relatório da PwC mostra os impactos positivos do aumento da taxa de emprego de mulheres no PIB, incluindo um aumento potencial de US$ 6 trilhões nos países da OCDE e US$ 2 trilhões em salários para mulheres nesses países. (O relatório de Disparidade Salarial de Gênero Global da WEF sugere que pode levar várias gerações antes de vermos mudanças significativas.)


Com todas essas mudanças, será que ainda precisamos usar o rótulo “liderança feminina” - ou isso está se tornando mais um obstáculo do que uma ajuda para aquelas que somos definidas com tal rótulo?

O rótulo certamente pode fortalecer as mulheres no local de trabalho. Exemplos de mulheres líderes inspiram e encorajam outras mulheres. Não podemos subestimar o papel que desempenham na sociedade e no local de trabalho.

Independentemente do nosso gênero, temos a responsabilidade de fortalecer os líderes do futuro. Como mulher e líder, tenho acesso para conversar com mulheres com diferentes histórias que estão apenas começando ou pensando em suas carreiras. Aqui está o meu conselho para elas:

  • Você foi contratada pelas suas habilidades. Use-as.
  • Encontre sua voz. Use-a.
  • Seja você mesma. Não tente ser a imagem que foi pintada para você.
  • Você ensinará as pessoas como elas devem tratá-la. Comece com o pé direito.
  • Estabeleça um alto nível – e vá ainda mais alto.

Continuamos a progredir, mas ainda há muito a ser feito para pressionar por mudanças sustentáveis em termos de maior igualdade de gênero no local de trabalho e, especificamente, paridade salarial de gênero. Em uma empresa global, a amplitude e a diversidade de perspectivas são essenciais para o sucesso. Deve haver um compromisso sólido em impulsionar essa mudança, além de medidas pelas quais nos responsabilizamos e através das quais podemos demonstrar impacto.

E precisamos garantir que nossas conversas sejam igualmente diversas. Aliados homens são tão críticos para as conversas quanto as mulheres. Mulheres e homens estão ansiosos em fazer a diferença. Para afetar a mudança, as conversas precisam ser focadas em união, não exclusão.

Aquelas de nós que romperam as barreiras devem continuar a pavimentar o caminho para as gerações futuras, além de compartilhar o que aprendemos e as experiências que nos moldaram. Minha esperança para o futuro, para meus filhos e para as gerações futuras, é que nos afastemos do termo “liderança feminina” e comecemos a reconhecer as mulheres pelo que elas são: inspiradoras, transformacionais, poderosas e de alto desempenho.