Prof. David Heymann, especialista em doenças infecciosas, discute estratégias de saída e seu otimismo sobre a abordagem colaborativa global ao COVID-19

À medida que a pandemia do COVID-19 continua a se espalhar pelo mundo e os países observam suas principais cidades se tornarem áreas em que o vírus está se disseminando, algumas discussões estão focadas em estratégias de saída. Saiba mais em nosso artigo!

À medida que a pandemia do COVID-19 continua a se espalhar pelo mundo e os países observam suas principais cidades se tornarem áreas em que o vírus está se disseminando, algumas discussões estão focadas em estratégias de saída.

Em entrevista à Reuters Newsmaker na sexta-feira, Axel Threlfall, Editor Geral da Reuters, conversou com David Heymann, Professor de Epidemiologia de Doenças Infecciosas da London School of Hygiene and Tropical Medicine. O Prof. Heymann também preside um painel de especialistas que assessora a Organização Mundial de Saúde (OMS) em emergências como a atual pandemia.

Threlfall observou que assim como muitos países continuam a tomar as medidas necessárias para controlar a transmissão adicional do vírus e "achatar a curva" de novos infectados para evitar a sobrecarrega de seus  hospitais e equipe médica, outros países onde o vírus já pode ter atingido o pico estão considerando estratégias de saída.

Enquanto esses países discutem a melhor forma de sair de isolamentos e quarentenas, Threlfall perguntou, algum país atualmente tem uma estratégia de saída viável?

Infelizmente, disse o Prof. Heymann, essa pandemia expandiu em alguns países tão rapidamente que considerações sobre uma estratégia de saída - que idealmente deveriam ser contempladas antes de começar a enfrentar o problema - não foram realmente avaliadas com antecedência.

Agora, qualquer retorno às atividades deve ser feito com cuidado para evitar novos surtos, explicou o professor Heymann, acrescentando que muitos países estão observando o que aconteceu na Itália e na Espanha, já que o aumento de pacientes superou a infraestrutura de saúde dos dois países e as mortes causadas pelo COVID-19 dispararam. "Outros países da UE estão vendo isso e vão tomar cuidado para que isso não aconteça com eles".

“É realmente uma decisão difícil para qualquer governo ou profissional médico - você não quer parar com as proteções e restrições muito cedo e ter um aumento nos casos.”

Dito isto, o Prof. Heymann observou que a China já começou a abrir vários setores de sua economia, como a indústria pesada e algumas pequenas empresas. Cingapura e Coréia do Sul estão cuidadosamente analisando opções semelhantes também. De fato, uma abertura mais lenta e bem pensada da pandemia é um bom exemplo para o resto do mundo seguir, sugeriu o Prof. Heymann.

É importante, no entanto, que qualquer país considerando diminuir suas restrições ou abolir suas quarentenas conduza uma avaliação de risco, usando dados e orientações que estão sendo fornecidas pela OMS. “É essencial entender que a melhor forma de proteger a sociedade e os indivíduos é continuar o distanciamento físico e social onde for necessário, lavar as mãos e, se você estiver doente, usar uma máscara”, ele disse. "O objetivo continua sendo tentar reduzir a transmissão."

O Prof. Heymann disse que os países que melhor convencerem sua população sobre a importância de proteger você e os outros são aqueles países que estão vencendo essa luta. “É realmente uma decisão difícil para qualquer governo ou profissional médico - você não quer parar com as proteções e restrições muito cedo e ter um aumento nos casos.”

Um mundo mais colaborativo

Apesar da devastação humana e econômica que esta pandemia trouxe em escala global, o Prof. Heymann disse estar otimista ao ver resultados positivos relacionados ao conhecimento e tecnologia de saúde sendo compartilhados em todo o mundo, apesar das questões políticas e como a comunidade médica mundial se uniu para desenvolver coletivamente métodos para tentar combater essa doença.

Mais uma vez, a capacidade atual dos governos de acessarem diretamente os dados da OMS, permitindo que cada país faça sua própria avaliação de risco e depois decida como quer lidar com esse risco é uma grande parte dessa nova mentalidade colaborativa.

"O que está ocorrendo é que o mundo está vivenciando algo que nunca enfrentou antes, e acho que o mundo será mudado para sempre", afirmou Prof. Heymann. "Agora, há uma grande mobilização para compartilhar e colaborar, e espero que isso continue após o término desta crise. Caso isso ocorra, acho que o mundo será um lugar melhor.”

Threlfall então perguntou sobre imunidade de grupo ou vacinas que podem proteger as pessoas do COVID-19.

O Prof. Heymann sugeriu que essas discussões podem ser um pouco prematuras. “Quando você tem um novo vírus, não sabe o futuro desse vírus - para onde ele irá e quais serão as características imunológicas dele - acho que ainda estamos muito longe de determinar essas características”, ele disse. "O foco agora deve estar em controlar a transmissão."

Quanto às vacinas, o Prof. Heymann explicou que há muitos projetos em desenvolvimento agora, e alguns estudos estão migrando de animais para que possam em breve serem testados em humanos. "Acho que existem alguns progressos significativos em desenvolvimento."

Depois que passarmos ao licenciamento e produção de vacinas, o Prof. Heymann disse que espera que não tenhamos o problema que tivemos com vacinas no passado, onde elas não estavam prontamente disponíveis para grande parte da população afetada. “Ainda existem muitos problemas a serem resolvidos antes que qualquer vacina possa ser introduzida no mercado.”

O Prof. Heymann disse que a seriedade do surto de COVID-19 pode ter surpreendido grande parte do mundo, mas como sociedade global, precisamos aprender com isso. "Eu acho que, de forma geral, o mundo não estava preparado mentalmente para esta pandemia”, ele afirmou, acrescentando que, agora, esperamos que os países entendam a grande importância de restabelecer seus estoques de segurança de equipamentos novamente. E quando a pandemia terminar, ele observou, não devemos deixar o investimento e comprometimento desaparecer, como aconteceu com surtos passados.

"Acho que retornar a um planejamento eficaz de resiliência pode ser um grande ponto positivo dessa situação."