Em suas marcas, preparar, impostos! Atletas olímpicos vencedores ganharão uma fatura de imposto junto com a medalha (por enquanto)

Os políticos querem dar uma folga tributária aos atletas olímpicos, mesmo que isso não faça nenhum sentido. Por Steve Mendelsohn, Managing Director da plataforma Thomson Reuters CHECKPOINT

Sua pulsação está a mil enquanto você percorre o trecho final. A cada braçada exaltada ou passada explosiva, o prospecto de um sonho de vida vai se tornando realidade centímetro a centímetro. Você dispara à frente com seu corpo em direção à linha de chegada, ou alcança a parede em meio a um oceano clorado e com oito raias de energia frenética enquanto o momento cresce. Você conseguiu. Assim como todo atleta olímpico anterior, você ganhou a maior honra que um cidadão americano pode pensar em receber... uma fatura de imposto.

OK, talvez não seja exatamente assim que cada atleta descreveria isso. Mas essa é a realidade para os americanos que ganham medalhas nas Olimpíadas.

Você pode ficar surpreso em saber que o Comitê Olímpico dos EUA dá premiações em dinheiro aos atletas olímpicos que levam algumas medalhas para o país – US$ 25.000,00 para um ouro, US$ 15.000,00 para uma prata e US$ 10.000,00 para um bronze. Entretanto, esse dinheiro não chega antes do Tio Sam abocanhar sua parte. Os valores são considerados renda ganha no exterior e estão sujeitos à tributação da Receita Federal dos EUA.

O montante de impostos pagos por um atleta olímpico depende da faixa tributária na qual ele está. Um atleta olímpico em uma faixa tributária intermediária pode pagar até US$ 7.000,00 por medalha de ouro, US$ 4.200,00 pela prata e US$ 2.800,00 pelo bronze. Os que valem milhões (atletas de elite, como Michael Phelps, ou a estreladíssima equipe de basquete repleta de astros multimilionários da NBA) e estão na faixa tributária superior de 39,5%, pagam US$ 9.900,00 pelo ouro, US$ 5.940,00 pela prata e US$ 3.960,00 por uma medalha de bronze. Os que estão na faixa mais baixa (de 10%) podem pagar US$ 2.500,00 por um ouro, US$ 1.500,00 por uma prata e US$ 1.000,00 por uma medalha de bronze. Trata-se de um problema com o qual vários já se ofenderam e que tem sido o tema de diversas tentativas legislativas de alterar o código tributário a fim de evitar tais situações, mas que foram infrutíferas até o momento.

Recentemente conversei com Sean Packard, CPA, que é o Director of Tax na Octagon Financial Services. Com mais de uma década de experiência tributária, ele é especialista em planejamento e preparação fiscal para atletas profissionais. Ele me falou que se trata de uma questão óbvia e que ele não entende os protestos sobre o imposto.

“Aqui temos um imposto em sua forma mais simples”, explicou. “É imposto sobre renda. Não há nada complicado sobre ele. Acredito que alguém já falou sobre isso, mas que todos têm medo de emitir comentários contrários e parecerem antipatrióticos. Eles estão com medo da publicidade e não da lógica."

A lógica é ainda mais razoável quando você considera os potenciais ganhos de um atleta que leva uma medalha. Os atletas, particularmente os medalhistas de ouro, poderão fazer marketing pessoal com base em suas vitórias e muitos deles conseguem assinar contratos de 6 a 7 dígitos no processo. Além disso, frequentemente os atletas olímpicos de elite que já têm um histórico de excelência possuem cláusulas em seus contratos que pagam um bônus para cada medalha recebida. Ganhar significa muito dinheiro, então por que uma parcela desses valores deveria estar isenta de impostos?

“Quem critica acha que os atletas estão indo para os jogos abnegadamente em nome de seu país, ganhando uma medalha e se surpreendem com o recebimento de um imposto”, afirmou Packard. “Na verdade, eles estão recebendo renda e estão pagando impostos sobre a renda. As pessoas querem visualizar o valor bruto dos US$ 25.000,00 por uma medalha de ouro, mas esquecem de contabilizar as despesas que os atletas têm e que podem ser abatidas dos US$ 25.000,00. Isso diminui os impostos devidos."

Ainda assim, em um clima político que nunca esteve tão polarizado, inacreditavelmente essa questão conta com apoio dos dois lados. Em 2014, o congressista Blake Farenthold (R-TX) reapresentou uma lei que isentaria os atletas olímpicos dos EUA de pagar impostos sobre as medalhas e o dinheiro resultante. Em 2016, os senadores John Thune (R-SD) e Charles Schumer (D-NY) apresentaram o projeto de lei 2650, que alteraria a seção 74 do código para isentar atletas olímpicos e paraolímpicos de pagar por uma medalha ou prêmio em dinheiro. Até mesmo durante as eleições presidenciais de 2012 nos EUA, tanto o Presidente Barack Obama como o governador Mitt Romney apoiaram no senado uma proposta semelhante à de Thune e Schumer. Mas Packard afirmou que o simples fato de que nada foi aprovado, apesar de anos de discussão, mostra que os políticos parecem estar felizes em simplesmente se declarar a favor da questão em vez de alterar o código fiscal.

“O mais divertido é que políticos afirmam que isentar atletas olímpicos simplificaria o código fiscal, quando na verdade, a alteração do código o tornaria mais complexo”, disse Packard. “Se 2016 terminar sem a aprovação de nenhuma lei importante, acredito que isso simplesmente mostrará que se trata mais de exibição política do que uma tentativa de mudança por parte do Congresso."

Thomson Reuters

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