2016 é um ano para esquecer?

Especialista de Comércio Exterior da Thomson Reuters analisa a atividade de comércio exterior no mercado automotivo em 2016 e dá conselhos para as empresas serem mais competitivas em 2017.
Por Gustavo Felizardo 

 

 

Para muitas empresas do setor automotivo e muitas outras que abastecem esse setor, o ano de 2016 apresentou um cenário desafiador, que exigiu muita resiliência e planejamento para os próximos anos. E é neste planejamento que as empresas estão investindo boa parte do tempo, para, caso se depararem com um cenário similar ao que vivemos ano passado, possam superá-lo sem grandes impactos.

Esse planejamento vai além de montar reservas financeiras, adequar produção versus demanda ou até mesmo readequação de quadro de funcionários. Planejamento é algo que precisa contemplar uma fórmula estratégica que traga estabilidade, competividade, cada vez mais diminua a exposição da empresa e possíveis imprevistos.

Descobrir essa fórmula não é fácil, mas, se realmente queremos sair do status quo, precisamos buscar nas demandas nos mercados internos e externos, ou seja, o tão sonhado equilíbrio da demanda versus a produção, para que essa demanda traga consigo a estabilidade e o aumento da competitividade.

É fato que atender demandas do mercado externo com a produção brasileira exige preparo, conhecimento e resiliência. Tudo isso é muito desafiador se tentarmos de “cara limpa” encarar esse processo, mas – se acompanhado de um bom regime aduaneiro especial, que já é oferecido hoje pelo governo brasileiro e tem forte apoio da Receita Federal Brasileira – esse caminho pode ser mais fácil, e ajudará a sua empresa encontrar boa parte da fórmula estratégica para o planejamento.

Mas, se somente olharmos o momento atual sem se preparar para a próxima década, aí pode-se dizer que sim, 2016 deve ser considerado como um ano a ser esquecido. Já se a empresa olhar para o planejamento que foi montado em 2016, e focar em sair do status quo em 2017, a indústria automotiva brasileira e setores afins, podem ter uma próxima década mais próspera que a atual.

Pensando desta maneira mais positiva, tenho acompanhado muitas empresas de diversos setores, em especial o automotiva, identificarem qual o melhor regime aduaneiro especial para seu perfil; e os resultados dos estudos são surpreendentes: geralmente as empresas veem como oportunidade utilização do Drawback, regime que vêm apoiando timidamente o setor, e após o estudo, que compara o Drawback Suspensão com regimes como o Recof e Recof-Sped, as empresas têm uma visibilidade de como esses dois últimos potencializam os ganhos tímidos obtidos até então com o Drawback Supensão.

Como especialista que vem acompanhando este setor, posso dizer que já analisei cerca de 100 estudos e em todos identificamos que as empresas conseguem muitos benefícios com o apoio dos regimes Recof ou Recof- Sped, com isenção de impostos (aumento de competitividade e atendimento do mercado externo), redução de acúmulos de impostos (diminuição de exposição), redução de custos logísticos (aumento de competitividade), melhora no fluxo de caixa (previsibilidade e competividade) e atendimento do mercado interno (diminui a exposição e aumenta a previsibilidade), esse benefício fica entre 3% a 9% sobre o valor CIF (Cost, Insurance and Freight) dos materiais a serem aplicados no processo produtivo, seja para o mercado interno ou externo.

Podemos concluir que 2016 precisa ser encarado como o ano que em a indústria automotiva e afins saíram do status quo e buscaram entender, estudar e tomar a decisão de qual o melhor regime aduaneiro para apoiar e ser parte do plano estratégico que visa atingir o equilíbrio da demanda de produção, aumento da competitividade, previsibilidade e diminuição de riscos de compliance.

 

 

Gustavo Felizardo, Especialista em Soluções e Regimes Aduaneiros Especiais da Thomson Reuters no Brasil.