Como os profissionais jurídicos encaram as grandes mudanças no mercado de trabalho do Direito?

Por David Curran
Global Director, Risk & Compliance, Thomson Reuters
ao Legal Executive Institute

As profissões jurídicas estão sendo, cada vez mais, confrontadas em todas as suas esferas de atuação. Clientes estão demandando que serviços sejam melhores, mais rápidos e com menor custo. Os avanços tecnológicos no Direito e Regulamentação estão desafiando a maneira tradicional de trabalho de advogados.

Assim, como os advogados contemporâneos estão se movimentando para se ajustar e adequar a esse “mar de mudanças”, e o que os advogados do futuro podem esperar da prática e carreira jurídicas daqui há alguns anos? A Thomson Reuters Legal Managed Services e a Law Society of England and Wales promoveram uma mesa redonda de discussões em Londres, recentemente, com foco em como os departamentos jurídicos, escolas de Direito, escritórios de advocacia, Law techs inovadoras e empresas de serviços alternativos estão preparando os advogados de hoje para as oportunidades e desafios do mundo real.

O nosso programa incluiu altos líderes da iniciativa privada, advogados internos, representantes de grandes escolas de Direito e membros do setor público. Durante o painel, esses altos líderes reconheceram que os avanços em recursos humanos, processos e inovações tecnológicas estão aumentando a gama de habilidades dos estudantes de Direito que estão buscando entrar no mercado de trabalho, assim como os advogados sazonais precisam saber como se manter relevantes em sua dinâmica de trabalho. A conversa se alongou, entre os membros da mesa, quando o assunto foi como a profissão e os educadores estão transformando a maneira de lidar com as necessidades particulares de aprendizado de cada geração de advogados e estudantes.

Nós ainda falamos sobre a complexa matriz de necessidades de clientes e o impactos nas soft skills, criatividade e raciocínio lógico dos advogados, Apesar de haver um consenso de que o trabalho orientado pelos processos, que é tradicionalmente feito pelos advogados, pode e será automatizado, muito do seu valor agregado estará nas habilidades em filtrar julgamentos e, principalmente, conduzir os processos mais estratégicos.

Alguns participantes da sessão levantaram preocupações que, enquanto os jovens advogados que estão adentrando no mercado de trabalho são “nativos digitais” – intuitivamente confortáveis com a tecnologia – eles podem, nem sempre, compreender os sistemas subjacentes. Nós ainda discutimos os desafios atrelados a um ambiente onde muitas “respostas” estão disponíveis ao apertar um botão ou ao clique de um mouse. Essas respostas precisam ser interrogadas, e o grupo reconheceu o enigma que isso representa – produzir mais barato e rápido pode, às vezes, resultar em pior qualidade porque informações “fáceis de encontrar” podem, em alguns casos, estar incompleta ou errada.

O grupo ainda discutiu as variações entre as gerações ao abordar o ilusivo equilíbrio da vida pessoal e profissional, além dos desafios de cansaço e estresse, peculiares à profissão jurídica. Devido, em partes, ao enorme fardo econômico, acompanhado de uma grande rotina educacional, especialmente nos Estados Unidos, os jovens advogados estão predestinados a demorar mais para se aposentar, além de trabalhar mais horas durante o dia e seguir uma rigorosa agenda de compromissos e reuniões imposta por parceiros e clientes. Com tudo isso, ainda há motivos que os faça aceitar as respostas que encontram via Google sem nenhuma verificação?

Tanto os educadores quanto os empregadores presentes na ocasião destacaram a enorme pressão que nós colocamos nos novos advogados. Ser um especialista em determinado assunto não é mais suficiente. Nós exigimos que eles demonstrem experiência comercial, pensamento empreendedor, além de habilidades com tecnologia avançada e gerenciamento de projetos. Participantes mais seniores questionaram se eles seriam bem sucedidos se eles mesmos seriam tão bem sucedidos se tivessem enfrentado essas mesmas expectativas – e a mesma cobrança.

Executivos de grandes empresas, parceiros de escritórios de advocacia e educadores ainda discutiram os investimentos significativos que estão fazendo em processos e tecnologias a fim de atender aos anseios de seus componentes. Tecnologia aplicada à educação pode ainda auxiliar a diluir despesas, se a educação jurídica tiver um custo menor, assim, isso pode mitigar a fortificação do acesso à profissão jurídica, cuja qual é decidida mais pela possibilidade de pagar uma formação do que pela habilidade em ser um advogado. 

A discussão concluiu-se com uma nota positiva, enquanto os empregadores valorizaram a ótima ética e atitude no trabalho de seus jovens advogados. O futuro da profissão jurídica está em boas mãos; nós precisamos apenas garantir que estas mãos estejam segurando as ferramentas certas. 

 

 

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