Advocacia 2.0(19)

Por Eduardo Ludmer

O Direito atravessa uma fase de mudanças. A globalização e a crescente evolução tecnológica geram novas formas de interação e o surgimento de novas oportunidades comerciais. Leis, práticas e regras, outrora vistas como verdadeiros dogmas, perdem sentido, dando lugar a mais eficientes formas de regulamentação (ou desregulamentação).

 

O silogismo jurídico rende-se à nova dialética em um mundo de múltiplas verdades socialmente construídas. O formalismo abraça a simplicidade. O indecifrável juridiquês não mais se sustenta, incompreensível diante de comunicações líquidas. O conservadorismo é atropelado pelas constantes inovações tecnológicas, imediatismo e o estado constante de urgência. O dinheiro torna-se “cripto” e os dados cada vez mais valiosos.

Ao mesmo tempo, essas novas tecnologias transformam e “disrompem” a própria atuação do advogado, sobretudo o advogado contratual/corporativo, cujo principal múnus é a administração e orientação de riscos decorrentes dos negócios realizados e a proteção dos direitos de seus clientes.

Em tempos de lawtechs, inteligência artificial e até robôs-advogados, não há mais lugar para o mero “operador do Direito”, o decorador de leis, muitas vezes ultrapassadas e inócuas. O “Doutor” sabe-tudo, com respostas e soluções simplistas e “off the shelf” não mais impressiona em face da complexidade, multidisciplinariedade e relativismo das relações comerciais e interpessoais, sendo frequentemente contestado por clientes empoderados pelo acesso on-line a todo tipo de informação e conhecimento.

O advogado 2.0(19) deve, sem esquecer-se da lei vigente, ser um hábil negociador, esculpindo as condições mais benéficas e “tailored made” ao seu cliente, com total consciência do que pode ser abdicado e o que é, de fato, essencial.

Vislumbra-se (e urge-se) também um maior engajamento do advogado, juntamente com os demais operadores (agora transformados em críticos) do Direito em busca do aperfeiçoamento do ordenamento jurídico, em especial no Brasil. Sim, é hora de mea-culpa e de assumir: grande parte do atraso da nossa sociedade e economia é decorrência da cultura dos “operadores” e do formalismo subdesenvolvido, improdutivo e hipócrita que, por cultivo ou omissão, perpetuou e consagrou a burocracia, a morosidade e a dificuldade, valores opostos ao que o Advogado 2.0 (19) (e a sociedade) deve almejar.

O Direito continuará sendo uma área altamente competitiva e essencial. A advocacia 2.0(19) requer reaprendizagens, reinvenções, e autocrítica. Os profissionais e escritórios que conseguirem quebrar paradigmas e limitações estarão mais bem posicionados para atender seus clientes e gozar de crescimento estável e harmônico e, de quebra, contribuirão para a construção de um novo Direito, mais sintonizado com os anseios e necessidades da sociedade. Se não agora, quando?

 

Sobre o autor

Eduardo Ludmer

Advogado com mais de 15 anos de experiência, atuante no Brasil e em Israel. Mestre em Direito da Propriedade Intelectual e Direito Comparado pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Autor de diversos artigos em veículos nacionais e internacionais e palestrante frequente em conferências e seminários.

 

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