O dia seguinte das Instruções CVM 555 e 558

Gestores de recursos se encontraram para trocar experiências e olhar os desafios que ainda se colocam para a adoção dessas regras

Após um período marcado por turbulência política e econômica e pela estreia de um novo marco regulatório, gestores de recursos se encontraram para trocar experiências e olhar os desafios que ainda se colocam para a adoção dessas regras, a convite da Thomson Reuters e da Eze Software. O encontro, que teve como tema “O dia seguinte das Instruções CVM 555 e 558”, aconteceu no dia 7 de outubro, no restaurante Rubaiyat Faria Lima, em São Paulo.

Em tom informal, a conversa foi conduzida por Nicole Dyskant, sócia-fundadora do escritório WYDY Legal & Compliance – Wygand & Dyskant Advogados Associados; Eduardo Albiero, Compliance Officer da Vinci Partners; e Diney Vargas, sócio-diretor da Apex Capital. Eles falaram sobre a mudança de paradigma para gestores de carteiras, a nova realidade operacional e soluções práticas para cumprir as novas instruções da Comissão de Valores Mobiliários.

Um tema dominante na conversa foi o grande investimento de tempo e esforço interno das gestoras de recursos para enquadramento às novas regras, porém com otimismo em relação aos resultados desse processo, tanto em termos de melhor visão da rotina interna quanto do fortalecimento de cada instituição aos olhos dos clientes, principalmente do exterior.

 

“O mercado internacional vai assimilar que nossa norma está mais próxima dos padrões internacionais. Isso é bom para os investidores mais maduros, que olham a performance, mas também a infraestrutura e os controles internos que a asset oferece”, disse Nicole. “Esses são benefícios a serem pensados na hora de investir tempo na preparação para a 558.”

Na Apex, que foi pioneira na utilização do sistema Eze Software no Brasil em 2012, esse preparo começou pelo mapeamento das funções e atividades de cada colaborador, eliminando as informalidades e colocando as pessoas dentro dos processos que estavam sendo implementados, paralelamente à documentação mais abrangente e automática dos processos.

“Foi um momento de pensar na melhor forma de organizar, nas ferramentas usadas. É muito importante a sistematização”, disse Diney, acrescentando que o sistema também ajuda em situações em que a instituição precisa se defender de eventuais acusações de má conduta. “O Excel não dá trilha de auditoria, o sistema tem trilha, resgata rapidamente as informações históricas. A pior coisa é ter a defesa e não achar.”

Passado o esforço inicial de enquadramento, a simplificação e o aumento da eficiência também foram apontados como benefícios gerados pela incorporação das novas regras ao dia a dia de cada instituição.

“A partir do mapeamento dos seus processos, rotinas e atribuição de risco operacional, associada a uma coleta de erros e falhas que aquele processo tem”, disse Albiero, da Vinci.

Segundo ele, a compilação de desenquadramentos ajuda também no dimensionamento e escolha do sistema de automação que, por sua vez, libera capital humano no médio prazo. “Antes as políticas eram muito regulatórias e distantes do processo na prática. Agora, há necessidade de manuais mais operacionais. A partir da simplificação que você mapeou e formalizou, isso vira benefício na hora de revisar, testar e executar testes de controle interno. Com a automatização trazida pelos sistemas, há tempo para se dedicar a análise.”

Deste modo, as novas instruções da CVM se colocam como oportunidade para implementação de ganhos de eficiência, melhores práticas e redução de custos operacionais, fortalecendo as gestoras de recursos em um ambiente de maior concorrência e taxas de juros baixas.

“Inovação é sinônimo de sobrevivência, não é mais opcional", disse Robert Scharringa, especialista em venda de soluções da Thomson Reuters.


Autores:

Nicole Dyskant, sócia-fundadora do escritório WYDY Legal & Compliance – Wygand & Dyskant Advogados Associados

Eduardo Albiero, Compliance Officer da Vinci Partners

Diney Vargas, sócio-diretor da Apex Capital