Melhorando o fluxo de trabalho de câmbio nas tesourarias de empresas

As negociações de câmbio nas tesourarias da empresas são parte importante do processo e qualquer ganho pode ser significativo além de melhorar o compliance. Entenda como a SHC e Timbro mudaram para melhors seus processos.

Em evento no finalde novembro de 2016, Luiz Braga, head de New Business para Financial & Risk da Thomson Reuters, Fernando Mearim, CFO da SHC e Flávio Varella Bruna, CFO da Timbro Trading, discutiram tendências de câmbio em um ano ainda em crise e como melhorar processos para aumentar os resultados apesar da situação econômica atual.

Para iniciar a conversa, foram apresentados os resultados do Thomson Reuters FXPOLLS, que calcula as perspectivas de taxa do câmbio para 2017 segundo os principais bancos globais. O câmbio, segundo as contribuições dos bancos, pode chegar até R$ 3,51 até o final de 2017 com variação de R$ 3,40 até R$ 3,90. (Dados de nov/2016)

Fonte: Thomson Reuters Eikon

Para Fernando da SHC, qualquer flutuação de centavos na taxa de câmbio, impacta uma decisão na importação de peças ou de fazer remessa para compra de veículos. Por isso, estar antenado ao que está acontecendo é crucial.

A Timbro Trading terceiriza atividade de comércio exterior dos clientes e isso implica em fazer toda a parte de logística que é trazer a mercadoria  de onde ela seja produzida até o Brasil, mas também fazer toda a parte de recolhimento de impostos em conjunto com toda a parte financeira, que inclui o cash management a pagar e todas as despesas inclusas no processo, fazer também todo fechamento de câmbio, toda a parte de hedge para os clientes e  entregar tudo isso dentro de uma nota fiscal simplificando o trabalho do nosso cliente.

Portanto nós trabalhamos com câmbio todos os dias e com muitas operações: de seis a oito operações por dia. Fazemos operação de hedge todo dia. O câmbio é algo que predomina no dia-a-dia da gente e é uma preocupação imensa o tempo inteiro porque não só estamos fazendo operações nossas, mas também estamos fazendo operações dos nossos clientes, o que aumenta muito a responsabilidade de como executar bem essas operações.

Hoje em dia a informação é muito disponível, mas é muito difícil saber o que, de fato, vai influenciar o mercado. Hoje nós temos uma volatilidade grande nas operações e em alguns dias o dólar varia até dez centavos e não há muita informação para explicar os motivos. Nessa semana foi eleição nos Estados Unidos a semana passada foi o outro motivo qualquer, enfim.

Luiz Braga apresentou um gráfico que mostra 10 anos do dólar index, uma cesta de moedas globais e outros ativos, além do nosso dólar real nesse mesmo período.

Fonte: Thomson Reuters Eikon

Na parte de baixo desse gráfico vemos  a volatilidade nesse mesmo período onde a gente consegue saber exatamente os momentos de crise,  a correlação com dólar e as valorizações (e desvalorizações) da moeda.

Apesar do Brasil estar passando por uma crise política econômica muito grande,  como é feito análise de mercado não só local mas também internacional com toda essa volatilidade, crises como Brexit, política monetária dos Estados Unidos, China, Europa. Enfim, como é o dia a dia para apurar e lidar com essas informações?"

Segundo Fernando, no caso deles não vale a pena fazer hedge, mas  vale a pena fazer um time deposite em reais, ou seja, é uma forma de você fazer um hedge para no seu caixa garantir aquele montante de compra de veículos. Quando o dólar estava R$ 4 nós olhávamos a curva de CDI pré e jamais  conseguiríamos imaginar um dólar no final do ano a R$ 4,60 e assim nós fechamos uma operação bastante vencedora como todo o retorno da variação do câmbio, mas o CDI nós tivermos um banho não só do juros mas da variação do principal da operação.

Obviamente só foi possível por conta de uma análise de todas as informações de todas as moedas e ver assim o que estava acontecendo não só no Brasil, mas nos estados unidos e na China, que estava valorizando a sua moeda. São várias variáveis e acompanhar isso para gente é super importante porque o nosso carro é precificado em Renminbi (RMB) e depois é feito uma conversão para o dólar. Depois disso, ainda temos que fazer uma negociação com a Jac Motors lá na origem.

Foram compartilhamos também os resultados de uma pesquisa realizada pela Thomson Reuters sobre o mercado global de câmbio e sua eletronificação. Segundo dados apresentados, a América Latina teve um crescimento nesse mercado, de um ano para o outro, de 6%, o que demonstra que as empresas estão se preocupando em efetuar todo o seu processo de forma automatizada, para aprimorar processos, reduzir custos, erros e conseguir melhores taxas. Significa que as empresas estão  se preocupando em efetuar todo o seu processo de forma eletrônica.  Veja que América Latina, como um todo, não está muito atrás de outros países, como por exemplo: o Canadá.

“Ter um mecanismo para diminuir o custo das operações é extremamente importante, e essas plataformas eletrônicas que existem hoje são muito úteis e muito práticas. Facilmente se consegue visualizar o mercado, quanto cada banco está cobrando, qual é a melhor e a pior taxa, ou seja, conseguimos analisar o comportamento banco a banco e isso gera uma economia muito palpável”, explica Flávio Varella.

Segundo ele, outro benefício da adoção do sistema eletrônico, é evitar a preferência por cotações em determinados bancos, tornando o preço mais impessoal e eficiente.

Varella ainda aponta que a adoção de sistemas eletrônicos também evita fraudes, pois é possível acompanhar passo a passo as etapas da operação de forma transparente. “É muito comum que as pessoas tentem esconder o que deu errado, colocando no meio do conjunto das operações e não reporte o fato a ninguém. Então, a transparência é importante porque evita esconder erros, bem como evita fraude, que infelizmente acontece também”, afirma o CFO da Timbro Trading. Segundo ele, a plataforma eletrônica auxilia também na correção de erros.

Fernando apontou que Flávio tem uma visão muito particular da situação pois já atuou dos dois lados do mercado, ressaltando que os bancos realmente tentam evitar que se faça um leilão eletrônico por que a questão da afinidade entre as pessoas realmente existe. O que é muito importante e deve ser usado a favor da empresa é: banco que se tem muito negócio com a empresa sempre dá uma contrapartida e nesse caso sempre se pode dar o buy to net  para o banco. Feito isso, deixar registrado isso comprovadamente no leilão eletrônico, e mostrar o bônus que você teve para demonstrar que você não privilegiou ninguém. Isso é extremamente importante, quer dizer, mesmo prestigiando o seu parceiro de negócios você mostrou que fez o melhor negócio para companhia.

Mitigando riscos operacionais no pós-trading

Segundo Flavio, existe dentro da trading a necessidade de controlar cada passo do processo. Dentro de uma dinâmica normal de câmbio quando o operador pega o telefone e liga,  podemos dizer que somente essas duas pessoas sabem de fato o que aconteceu e aí, quando há uma divergência, fica muito difícil descobrir o que realmente foi tratado. Então, dentro desse processo quanto mais pudermos registrar cada passo da operação em um sistema, mais transparente é para todo mundo. É transparente dentro empresa porque se evita várias situações, principalmente a situação de omitir erros, exemplos:  Inveter - o que tinha que comprar, vendeu. Ou fazer a operação no preço errado. Entre outras mais. Se houve algum erro se percebe isso imediatamente e perceber esses problemas rapidamente é ter menor prejuízo. Quando se descobre depois de meses que você fez um hedge errado se tem um problema imenso e provavelmente uma despesa gigante. Ao passo que quando se descobre no final do dia, quando você estiver revisando as posições, checando no sistema as posições é muito mais barato de consertar, por exemplo.

Os especialistas também abordaram os tipos de controle e regras de compliance/conformidade para melhoria dos processos internos.

“Nossas regras de compliance são voltadas para o controle das operações mais eficientes, sem privilégios a quem quer que seja, não permitindo relacionamento por afinidade”, afirma Fernando Mearim.

Segundo ele, é preciso fazer um controle adequado para que os spreads cobrados na empresa não sejam maiores dos que existem no mercado.

Governança corporativa, risco e compliance

A Thomson Reuters fez uma pesquisa  que está ilustrada neste mapa. São mais de 13 mil localidades no mundo que possuem pessoas ou empresas relacionadas a suborno ou lavagem de dinheiro. Este é um tema que aqui no Brasil não era muito discutido.

A importância da governança corporativa, risco e compliance também foi discutida na plenária. Segundo os especialistas, evitar a intervenção humana e automatizar processos tem sido uma solução para evitar riscos de fraudes. “Do lado financeiro, quanto mais eletrônico e menos gente estiver envolvido no processo, mais seguro será. Do contrário, maior a facilidade para que se tenha problemas de compliance”, finaliza Flávio Varella.

Somente para ilustrar um dos negócios que fazemos é importar e exportar avião.  A negociação era perfeitamente legal, mas o antigo dono do avião era uma pessoa que estava envolvida na Operação Lava-jato e assim nós não fizemos um negócio. Mas por outro lado é difícil justificar uma negativa para o seu departamento comercial.  Além disso, é difícil ter uma resposta precisa para essa questão de como evitar se relacionar com pessoas envolvidas em escândalos corrupção.

Vamos ter sempre um comitê para sempre analisar clientes e contrapartes  principalmente do lado comercial.  Do lado financeiro, quanto mais eletrônico e menos gente tiver envolvido no processo, mais seguro será. Quanto mais intervenção manual se tiver maior a facilidade para que se tenha problemas de compliance.

Flávio Varella Bruna, CFO da Timbro Trading explica como melhorou a eficiência de sua tesouraria e minimizou o risco operacional com a negociação eletrônica de câmbio via leilão, melhorando o serviço prestado a seus clientes e com mais transparência
Luiz Braga, Head de New Business para Financial & Risk da Thomson Reuters explica a Thomson Reuters atende as tesourarias de empresa desde front ao back office, com a informação necessária, negociação eletrônica de câmbio, relatórios automatizados de risco e compliance e integração com sistemas internos.
Fernando Mearim, CFO da SHC explica a importância do acesso a informação e como o controle automatizado evita fraudes e como plataformas digitais são a chave para mitigar riscos.

 

 

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