Temer busca atenuar crise com Maia antes de votação de denúncia em plenário da Câmara

A semana começa com os mercados mais uma vez sob cautela antes da votação em plenário da Câmara dos Deputados sobre a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, após o mandatário ter buscado atenuar a crise com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ)

MACROECONOMIA

  • Na agenda econômica da semana, destaque para a reunião do Copom, na próxima quarta-feira. A entidade se reúne novamente sob a ampla expectativa de que reduzirá gradualmente o ritmo de corte da Selic, a 0,75 ponto percentual, segundo dados da Reuters. O ciclo de corte total daqui para a frente estava em cerca de 1,30 ponto percentual, informaram operadores.  Atualmente, a taxa básica de juros está em 8,25 por cento, após dois cortes de 0,25 ponto, dois de 0,75 ponto e quatro de 1 ponto, em meio ao cenário de inflação bastante controlada. Esse cenário tem deixado as taxas dos DIs mais curtos praticamente travadas nos últimos dias, com os investidores à espera do comunicado da decisão do Copom para ver os sinais de como conduzirá a política monetária dali para frente e, assim, refazerem suas posições. Pesquisa Reuters mostrou que boa parte dos analistas consultados --22 de 57 deles-- já acredita que o atual ciclo de redução levará a Selic abaixo de 7 por cento, entre 6,75 e 6,50 por cento. Entre as casas que apostam neste cenário, está o banco Bradesco.
  • Na quinta-feira, o Banco Central divulga seu relatório de juros e spreads  de setembro às 10h30.
  • Já na sexta-feira, há o PIB dos EUA do terceiro trimestre às 10h30.
  • A perspectiva de economistas para a alta dos preços administrados neste ano subiu com força e levou as projeções de inflação de volta à meta do governo, mostrou a pesquisa Focus do Banco Central nesta segunda-feira, com o mercado batendo o martelo na redução do ritmo de cortes da Selic nesta semana. A projeção de alta do IPCA em 2017 foi a 3,06 por cento, contra 3 por cento anteriormente, terceira semana seguida de aumento e que levou a estimativa de volta à meta. As contas para os preços administrados subiram a 6,82 por cento, sobre 6,66 por cento antes, reflexo dos ajustes recentes nos preços dos combustíveis e da energia elétrica como consequência da entrada em vigor da bandeira tarifária vermelha nível 2 (leia mais aqui).

Veja abaixo as principais projeções do mercado para a economia brasileira, de acordo com a pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 100 instituições financeiras:

 

MERCADOS FINANCEIROS LOCAIS

  • O principal índice da bolsa paulista operava no vermelho nesta segunda-feira, com investidores preferindo a cautela em dia de agenda econômica esvaziada e de olho no cenário político local. Às 11:39, o Ibovespa caía 0,41 por cento, a 76.076 pontos. O giro financeiro era de 1,3 bilhão de reais. A votação em plenário da Câmara dos Deputados da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer está prevista para quarta-feira, e o mercado aguarda a conclusão desta etapa para avaliar qual o capital político que o governo terá para avançar sua agenda de reformas, principalmente a da Previdência. "Se o placar pró-Temer for 'gordo', a probabilidade de uma reforma da Previdência aprovada ainda em 2017 ganha corpo, e vice-versa", escreveu a equipe a corretora H.Commcor, em nota a clientes. O cenário internacional também segue favorável aos movimentos mais contidos dos investidores, enquanto espera-se a decisão sobre quem será o novo comandante do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos (leia mais aqui).
Confira abaixo o desempenho da Bovespa neste mês de outubro: 
  • Já o dólar subia nesta segunda-feira, aproximando-se ainda mais do patamar de 3,20 reais, com cautela antes da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados e com expectativas sobre a possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos. Às 10:13, o dólar avançava 0,16 por cento, a 3,1945 reais na venda, depois de bater 3,1986 reais na máxima do dia. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,05 por cento.  "A expectativa é que o governo ganhe, mas a votação vai determinar o viés do mercado. Se o placar for ruim, haverá viés pessimista, pois ficará mais difícil aprovar a reforma da Previdência e essa é a última chance, caso contrário ficará para o próximo governo", disse o operador da corretora H. Commcor, Cleber Alessie Machado (leia mais aqui).
  • As taxas dos contratos futuros de juros mais longos tinham leves altas nesta segunda-feira diante do cenário político e movimentações do presidente Michel Temer, que se esforça para garantir votos suficientes para barrar a segunda denúncia na Câmara dos Deputados. Os DIs mais curtos, por sua vez, tinham variações mais contidas na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir, com as apostas sobre corte da Selic bastante consolidadas.
Veja como estavam as principais taxas de DIs às 09:53 desta segunda-feira: 
  • Os rendimentos dos Treasuries subiram na sexta-feira, com investidores reduzindo suas posições em títulos diante de preocupações em relação ao aumento da inflação e ao déficit do governo após a aprovação pelo Senado dos Estados Unidos do plano de orçamento. Os treasuries de 10 anos apresentavam rendimento em alta a 2,3845%, ante 2,321% no dia anterior. O Global 26 tinha rendimento em alta a 4,3385%, ante 4,271% no dia anterior.

 

EMPRESAS

  • O mercado deve repercutir a notícia de que o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu nesta segunda-feira, por unanimidade, rejeitar um acordo com o grupo Oi para a conversão de multas em investimentos, em um revés para o plano de recuperação da companhia de telecomunicações. Em nota, a Anatel afirmou que o "andamento não satisfatório das tratativas voltadas à construção de um plano de recuperação judicial sustentável para o Grupo Oi trouxe à Agência questionamentos sobre a capacidade do Grupo honrar os compromissos que viriam a ser assumidos no âmbito dos Termos de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC)." Segundo uma fonte que acompanha de perto o assunto, o acordo negado envolvia a conversão de penalidades que somam cerca de 5 bilhões de reais. A celebração de TACs, que permitiriam a conversão das dívidas em investimentos, era considerado um dos pilares para solucionar a bilionária dívida da Oi com a Anatel (leia mais aqui).
  • Na sexta-feira, o juiz encarregado pela recuperação judicial da Oi, Fernando Viana, decidiu adiar a assembleia de credores da companhia, que estava marcada para esta segunda-feira, para 6 de novembro, após pedido de bancos detentores de títulos da operadora. É a segunda vez que a assembleia de credores da Oi é adiada. Originalmente, a reunião que decidirá sobre a aceitação de um plano de recuperação preparado pela companhia estava marcada para ocorrer em 9 de outubro, mas no fim de setembro Viana aceitou pedido da Oi para adiamento.
  • Destaque ainda para a eleição do executivo Jeremiah O'Callaghan para a presidência do conselho de administração da empresa de alimentos JBS. Ele susbstitui Tarek Farahat, que passará a ser assessor global da companhia, encarregado por governança e desenvolvimento internacional do grupo. A JBS também afirmou que foram eleitos para o conselho, indicados pelo BNDESPar, os executivos Cledorvino Belini e Roberto Penteado Ticoulat. Além deles, o conselho passará a contar também com Wesley Batista Filho, filho do ex-presidente executivo da JBS, Wesley Batista, que foi preso em operação da Polícia Federal (leia mais aqui). 

CENA EXTERNA

  • Na cena internacional permanece no radar a sucessão de comando do Federal Reserve. Trump disse que em breve fará sua escolha sobre quem vai liderar o Federal Reserve, banco central do país, e ainda avalia pelo menos três pessoas: o diretor do Fed Jerome Powell, o economista da Universidade de Stanford John Taylor e a atual chair do Fed, Janet Yellen. "Vou tomar minha decisão em breve, muito em breve", disse ele à Fox Business Network em uma entrevista que foi exibida nesta segunda-feira.
  • O Federal Reserve vai elevar os juros em dezembro e mais duas vezes no próximo ano, de acordo com uma pesquisa da Reuters com economistas, que agora se preocupam que o banco central dos Estados Unidos desacelere o ritmo de aperto monetário devido às expectativas de que a inflação permanecerá baixa. A maioria dos entrevistados esperava que a economia do país determine futuros aumentos dos juros, mas uma mudança de regime no Fed também pode afetar a política monetária.
  • Na Ásia, o índice Nikkei do Japão atingiu máximas de 21 anos nesta segunda-feira e fechou em alta pela 15ª sessão seguida, impulsionado pelo iene mais fraco depois que a coalizão do primeiro-ministro, Shinzo Abe, conseguiu a vitória nas eleições de domingo. O Nikkei fechou com alta de 1,1 por cento, a 21.696,65 pontos. O índice avançou 1,4 por cento na semana passada, chegando à sexta semana seguida de ganhos e a mais longa série semanal de ganhos em um ano, deixando os investidores se questionando sobre quanto tempo isso pode continuar.  A coalizão de Abe manteve sua "super maioria" de dois terços na câmara baixa, tranquilizando os investidores de que suas reformas econômicas continuarão, incluindo a política monetária frouxa do banco central, o que resultou em um iene mais fraco, beneficiando os exportadores (leia mais aqui). (leia mais aqui)
  • Na Europa, os mercados acionários tinham leve alta segunda-feira apesar da queda dos bancos e da pressão sobre o índice de espanhol devido ao aprofundamento da crise política da Catalunha. Às 7:59 (horário de Brasília), o índice FTSEEurofirst 300 subia 0,32 por cento, a 1.539 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhava 0,32 por cento, a 391 pontos. O índice IBEX da Espanha tinha queda, pressionado principalmente pelos bancos, incluindo o BBVA e o Banco Santander. "Neste momento, o que acontece na Espanha não está contagiando o mercado europeu de modo geral. A questão é vista como nacional e localizada", afirmou o chefe de estratégia de ações do Credit Suisse, Pierre Bose.
  • O Parlamento da Catalunha irá realizar uma sessão plenária na quinta-feira de manhã, disse um porta-voz do partido regional Juntos pelo Sim nesta segunda-feira, na qual irá discutir uma resposta a Madri após o governo central espanhol ter anunciado que irá impor regime direto sobre a região. Segundo o porta-voz, o partido pretende ingressar com uma ação judicial contra a aplicação pelo governo central do artigo 155 da Constituição, que retira poder da administração regional e prepare o terreno para novas eleições. O Senado espanhol deve aprovar o artigo 155 na sexta-feira (leia mais aqui).
  • Na Argentina, candidatos alinhados com o presidente, Mauricio Macri, tiveram vitórias esmagadoras na eleição parlamentar de domingo, fortalecendo a posição de Macri no Congresso e, ao mesmo tempo, reduzindo as perspectivas de um retorno político de sua antecessora, Cristina Kirchner. Cristina, que quase levou o país à falência durante seu governo (2007 a 2015), ficou em um distante segundo lugar em sua disputa pelo Senado representando Buenos Aires, a província mais populosa da Argentina. Com 98 por cento das urnas apuradas pelo Ministério do Interior, Esteban Bullrich, ex-ministro de Educação de Macri, tinha 41,34 por cento dos votos contra 37,27 por cento de Cristina na província que é casa para quase 40 por cento dos eleitores da Argentina (leia mais aqui).

 

 

 

 

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