Perspectivas animadoras para 2018

Na 11ª conferência anual da EuroFinance sobre “Gerenciamento Internacional de Tesouraria, Caixa e Riscos para Empresas no Brasil”, realizada nos dias 07 e 08 de novembro em São Paulo, o economista Fernando Honorato* discorreu em sua palestra de abertura do evento, “Em um Clima de Incerteza, Prepare-se para Tudo”, sobre a situação interna do Brasil, riscos geopolíticos e o que os próximos anos devem nos reservar em termos econômicos e políticos.
* Fernando Honorato é economista-chefe e diretor do departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

Quando o Brasil parecia estar saindo da recessão, surgiram novos escândalos, sacudindo a frágil estabilidade e diminuindo a confiança dos investidores. A incerteza e a volatilidade cambial voltaram a ficar em evidência e o custo de financiamento pode aumentar.

Mas a situação interna do Brasil não é a única preocupação. O preço das commodities, o risco geopolítico, como o impacto da administração de Trump, o Brexit e o terrorismo, estão criando instabilidade em todo o mundo. 

O que podemos esperar para o futuro? Para quais principais eventos importantes precisamos nos preparar? Como as moedas se comportam? O Brasil conseguirá aprovar as reformas necessárias para reacender o crescimento econômico?

Em meio a esse cenário de instabilidade, o economista Fernando Honorato, do Bradesco, realizou a palestra de abertura do evento procurando oferecer respostas para essas e outras questões que afetam as finanças, a tesouraria e a gestão de riscos das empresas. Conheça aqui os principais tópicos abordados em sua exposição: 

Recuperação econômica no horizonte

Fernando Honorato acredita que 2018 será um ano de recuperação econômica para o país liderado pelo consumo, e baseia essa convicção em 3 pilares: 
  • Melhora do balanço das famílias – “A recessão fez com que as famílias brasileiras passassem por uma mudança comportamental a partir de 2014. Com isso, começaram a poupar mais, e o consumo caiu bem mais do que a renda”, explica o economista. “Para se ter uma ideia, as vendas do setor imobiliário despencaram 60%, enquanto a renda das famílias desceram cerca de 8%”. Em consequência disso, o nível atual de endividamento das pessoas físicas encontra-se bem mais baixo do que nos anos anteriores. Conclusão: as famílias estão prontas para voltar a consumir em 2018.  
  • Melhora do balanço das empresas – Segundo Honorato, os estoques das empresas estão mais ajustados do que em 2014, e se o consumo das famílias crescer, elas terão que voltar a produzir para atender a demanda. E, para produzir mais, as empresas terão que contratar funcionários, pois nos últimos anos também fizeram ajuste de mão de obra.  
  • Ausência de pressão inflacionária no país – “Não haverá pressão inflacionária até o ano que vem”, afirma o economista. Ele ressalta que, como ainda há muita ociosidade na economia do país, basta que as empresas retomem a capacidade produtiva. “Há também muita ociosidade no mercado de trabalho, o que acarretou desaceleração de salários”, explica. Os reajustes dos salários serão contidos –em cerca de 4,5%, centro da meta da inflação.

Além disso, segundo ele, existe ainda muito espaço para se importar produtos sem pressionar a inflação, e não deveremos ver alta de juros em 2018, o que provavelmente levará a Selic a 6,75% (taxa de juros menor do que a do México!). Honorato destaca que com a queda de juros, as empresas terão mais fluxo de caixa disponível e em 2018 até 70 bilhões de reais a mais poderão entrar no bolso das famílias.     

Reformas essenciais

É importante frisar, no entanto, que para esses três pilares conseguirem direcionar o país para fora da recessão algumas reformas econômicas aprovadas recentemente tem se mostrado cruciais. Entre elas, Fernando Honorato destaca o ajuste do teto dos gastos do governo, a aprovação da TLP (Taxa de Longo Prazo) e a reforma trabalhista. 

“Inclusive, se a reforma trabalhista já estivesse em vigência na última crise econômica, cerca de dois milhões de empregos teriam sido poupados”, comenta.

Essas reformas contribuíram fortemente para a euforia vista recentemente nos mercados financeiros do país, com a bolsa de valores subindo, o risco Brasil desabando e o câmbio experimentando um período de relativa estabilidade.

Projeção para o PIB

Em um ambiente em que se espera maior criação de empregos, aceleração das vendas no varejo e aumento da produção industrial, estima-se que o PIB possa crescer 2,8% em 2018. 

“Já a partir de 2019, podemos esperar taxas de 3%, 3,5%. Se pensarmos que nos anos de 2000, 2003 e 2009 fomos a quase 5%....”, lembra o economista.

Segundo ele, como o crescimento populacional do país não irá mais contribuir de forma relevante para o aumento do PIB, isso terá de vir por meio da produtividade. “A perspectiva é de que os investimentos estrangeiros retornem de maneira significativa já a partir de 2019”, afirma. 

Trajetória da dívida X PIB

O economista alerta que se o Brasil conseguir cumprir o teto dos gastos públicos, a tajetória de dívida do país em relação ao PIB deverá ser convergente (veja na tabela abaixo). 
Mas, importante: para não ultrapassar o teto estabelecido é vital reformar a previdência. “Essa despesa tem que ser equacionada até no máximo 2019. Só assim não precisaremos elevar impostos e a inflação permanecerá controlada”, explica. 

Cenário Global

Quando avaliamos o panorama global, podemos comprovar que o Brasil está num trilho de recuperação interessante (confira no infográfico abaixo).

“Isso porque, com a expansão das exportações mundiais e commodities subindo de preço, o país sai ganhando”, lembra Fernando Honorato. 

O economista ressalta ainda que, mesmo com o esperado aumento dos juros no Estados Unidos, o real não deverá se desvalorizar automaticamente.

“Se a queda dos juros no Brasil perdurar , favorecendo a solvência da dívida, atrairá fluxo de capital e o valor da nossa moeda será mantido”, diz. “Mas, para isso, não tem fórmula milagrosa: temos que fazer as reformas.” 

Fernando Honorato Barbosa é atualmente economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. É também vice-presidente do comitê de macroeconomia da Anbima, membro do conselho superior de economia da Fiesp, da Funcex e membro convidado do G100. Durante seus 15 anos na organização Bradesco, já ocupou diversas posições. Foi superintendente executivo e economista-chefe, além de responsável pelas áreas de pesquisa de credito e ações do Bradesco Asset Management (2011-2016), economista-chefe adjunto do Departamento de Economia do banco (2008-2011), economista-chefe do Bradesco BBI (2007-2008) e economista sênior do Bradesco de 2003 a 2007. 

 

 

 

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