Juro de um dígito no Brasil deve durar, impulsionando recuperação

Após décadas exibindo taxas de juros entre as mais altas do mundo, a baixa da Selic aparenta ser duradoura – fator crucial para tirar o país da recessão

Juros de um dígito provavelmente vieram pra ficar no Brasil, amparando a recuperação da economia após a recessão mais profunda em um século, mostrou pesquisa da Reuters nesta terça-feira.

São boas notícias para a maior economia da América Latina, que há décadas enfrenta juros que figuram entre os mais altos do mundo, preparando o palco para as eleições de 2018.

"Existe uma percepção de que a queda de juros é em alguma medida sustentável, o que estimula o crescimento", disse o economista do banco Nomura João Pedro Ribeiro. "Isso certamente é verdade para 2018, mas se continua sendo verdade dali para frente, vai depender em grande parte de quem vencer as eleições".

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 0,7 por cento neste ano e 2,3 por cento em 2018, de acordo com a mediana das projeções, acima dos 0,5 e 2,1 por cento apurados no levantamento anterior (leia mais aqui). Seria o fim definitivo da recessão, que derrubou o PIB em 8 por cento entre o quarto trimestre de 2014 e o fim de 2016.

Já o PIB do Brasil cresceu 0,2% no segundo trimestre deste ano sobre os três meses anteriores, enquanto que na comparação com o segundo trimestre de 2016 houve expansão de 0,3%. 

Maior poder de compra à vista

O consumo deve liderar a recuperação, com os juros baixos reduzindo o gasto das famílias com dívida e a inflação contida aumentando o poder de compra (leia mais aqui). O investimento, no entanto, não deve melhorar tão cedo, com as empresas focadas em reduzir dívida. Incertezas ligadas às eleições também devem inibir a maioria dos projetos de longo prazo, pelo menos por enquanto (leia mais aqui).

A Selic deve cair ao recorde de 7 por cento e permanecer nesse nível até o fim de 2018, mostrou ainda a pesquisa. Hoje, a taxa básica de juros está em 8,25 por cento ao ano.

Isso não deve, porém, gerar pressões inflacionárias significativas, com o IPCA subindo 3,5 por cento em 2017 e 4 por cento em 2018, abaixo do centro da meta do Banco Central de 4,5 por cento (leia mais aqui).

As projeções sugerem que os economistas estão reduzindo suas estimativas para a taxa de juros estrutural –a taxa que nem estimula, nem reduz a inflação—, abrindo o caminho para juros mais baixos no longo prazo.

Economistas do Credit Suisse estimaram que a taxa de juros estrutural era de 6,9 por cento no fim de 2016. A esse nível, o BC ainda seria forçado a elevar os juros quando a economia aquecer a partir de 2019.

Necessidade de reformas estruturais

O BC vem afirmando que consolidar os juros nas mínimas históricas depende da implementação de reformas estruturais, como a da Previdência (leia mais aqui).

O presidente Michel Temer tem perseguido alguns desses esforços. Mas a austeridade, aliada aos escândalos de corrupção, derrubaram sua taxa de aprovação e drenaram boa parte de seu capital político, transferindo o fardo para seu eventual sucessor.

Se confirmado, esse ritmo de crescimento econômico deve alçar o Brasil a níveis compatíveis ao crescimento mexicano. De fato, a pesquisa mostra o Brasil crescendo mais do que o México em 2018 pela primeira vez desde 2013.

Preocupações com as negociações do NAFTA, além de intensas dúvidas sobre as eleições mexicanas de 2018, devem deprimir os investimentos e pesar sobre o PIB da segunda maior economia da América Latina, que deve ter expansão de 2,2 por cento no próximo ano, segundo analistas consultados pela Reuters.

 

 

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