Estratégia do Fed para escapar da crise pode chegar a beco sem saída

Desconforto do mercado pode levar o banco central norte-americano a alterar o plano de reduzir pela metade sua carteira de 4,5 trilhões de dólares nos próximos 4 anos

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Pouco tempo atrás, o Federal Reserve esperava cortar quase pela metade sua carteira de 4,5 trilhões de dólares até 2022, deixando pouco rastro dos passos extraordinários necessários para enfrentar a crise financeira. Mas um inesperado desconforto do mercado pode forçar a instituição a abandonar o plano dois ou três anos antes e deixar o banco central norte-americano com 1 trilhão de dólares a mais do que gostaria.

O Fed vem fazendo ajustes à medida que as necessidades aparecem e mantém suas opções em aberto. "Eu não acho que seja problemático de forma alguma" deter o processo "um pouco antes", disse no mês passado William Dudley, ex-presidente do Fed de Nova York e principal arquiteto da estratégia de portfólio.

No entanto, se o maior detentor mundial de títulos dos EUA abandonasse o plano de vôo e efetivamente assumisse uma postura mais acomodatícia, o resultado poderia ser um alívio generalizado dos custos de empréstimos no mercado, no valor do dólar em moeda estrangeira e nas tensões crescentes nos mercados emergentes.

"A evidência que temos sugere que o tamanho final do balanço será maior do que o esperado."

Matthew Luzzetti, economista sênior do Deutsche Bank Securities

Estratégia de recuperação econômica

Tudo isso equivale ao capítulo final da decisão sem precedentes do Fed ao longo da última década de comprar cerca de 3,5 trilhões de dólares em hipotecas e treasuries, em um esforço para aumentar investimentos de maior risco, gerar empregos e recuperar a economia.

Em um aceno a uma economia mais forte dos EUA, o Fed desde 2015 elevou a taxa de juros bem acima de zero (veja no gráfico abaixo). E, desde outubro do ano passado, começou a encolher seu balanço para um tamanho mais normal, mas ainda não especificado.

O desconforto do mercado é, em parte, responsabilidade do Fed.

Para cada dólar em títulos que o Fed deixa vencer, as chamadas reservas excedentes exigidas dos bancos privados se tornaram mais escassas. Enquanto isso, o aumento de gastos do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, este ano sugou a liquidez do dólar, com o governo emitindo mais títulos e depositando mais no banco central.

 

Demanda por reservas bancárias

O resultado foi um salto acentuado na demanda por excesso de reservas bancárias, que explodiu durante a crise quando o Fed elevou a compra de títulos, mas que caiu cerca de 350 bilhões de dólares nos últimos nove meses, à medida que reduziu seu portfólio.

Isso, por sua vez, ameaçou pressionar a taxa básica do Fed acima do intervalo de 1,75 a 2 por cento. Em junho, o banco central respondeu com uma solução de curto prazo que pode apenas atrasar um cálculo de longo prazo.

Alguns economistas agora estão prevendo que o Fed terá que parar de vender títulos em um ou dois anos e, quando terminar sua "normalização de balanço" pós-crise, terminará com uma portfolio de aproximadamente 3,5 trilhões de dólares.

O montante é maior do que as projeções de 2,3 a 2,9 trilhões de dólares previstas pelos economistas em setembro, e bem acima dos 900 bilhões de dólares que tinham antes da crise de 2007 a 2009. As projeções de setembro indicaram que o processo se encerraria em 2022 ou 2023.

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