Compliance com a MiFID II: o que vem pela frente?

Enquanto as organizações se preparam para atender às complexas exigências da iminente MiFID II, uma nova pesquisa da Thomson Reuters aponta quais são as principais preocupações durante esse processo

Embora tenham se adaptado bem à contínua onda de novas regulamentações desde a crise financeira de 2008, o maior desafio para as empresas e instituições financeiras ainda está por vir.

A MiFID II (Markets in Financial Instruments Directive II ou, em português, Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros II) que entra em vigor no início de 2018, mudará completamente a forma como os mercados de capitais operam na Europa, e as consequências disso serão sentidas em todo o mundo. Suas exigências são múltiplas e de grande alcance; variam de novos locais de negociação e maior transparência a uma maior proteção ao investidor e necessidade de demonstrar a melhor execução.

À medida que empresas e instituições financeiras se preparam para a sua implementação, nossa pesquisa com mais de 1.100 executivos ao redor do globo –todos afetados pelo novo regulamento, fornece um panorama detalhado (e fascinante) sobre os pontos nevrálgicos e os potenciais benefícios da MiFID II.

 

Falta de Informação

Embora os profissionais estejam bem conscientes sobre a implementação da MiFID II, a pesquisa revela uma significativa falta de conhecimento sobre seus detalhes. Apenas 46% dos entrevistados descrevem-se como "conhecedores” da MiFID II. Além disso, é grande a disparidade entre os 49% da União Europeia e os 44% de outros locais que se declararam bem informados. A Ásia, no entanto, superou todas as outras regiões, com 52% dos participantes dizendo que estavam totalmente por dentro da MIFID II. Já em continentes com menor probabilidade de serem afetados pelas mudanças, como América Latina e Oceania, apenas um quarto dos profissionais fez essa afirmação.

A preocupação com a MiFID II é maior do que a com qualquer outra regulação, incluindo desafios recentes como a Anti-Money Laundering, AML (Diretiva Anti-Lavagem de Dinheiro), e as General Data Protection Rules (Regras Gerais de Proteção de Dados) da UE.

Os entrevistados da União Europeia e da Ásia foram os mais preocupados com a MiFID II, colocando-a bem à frente da AML.

Mais Suporte Necessário

Então, o que causa apreensão na MiFID II?

A resposta mais comum para esta questão foi: pressão sobre os custos e compliance. Em seguida vieram possíveis danos à indústria e medo de não conseguir cumprir com as regras. Curiosamente, foram os profissionais de fora da UE que mostraram-se mais preocupados com estas três questões. E os que se descreveram com maior conhecimento acerca da nova regulação também se mostraram os mais preocupados. Mais de um terço dos entrevistados da Ásia temiam não ter tempo suficiente para conseguir cumprir com os regulamentos.

Diante de toda essa preocupação, o papel dos reguladores na educação dos profissionais e no apoio das organizações pode ser crucial. 

Afinal, apenas quatro em cada dez participantes da pesquisa afirmam que os reguladores estão fornecendo a orientação que eles precisam; quase metade considera que é necessário trabalhar mais de perto com os responsáveis pelas novas regras.

Globalmente, aproximadamente 11% acreditam que os regulamentos não são claros e mais orientação é necessária. Essa percentagem sobe para 18% na União Europeia.

Com o prazo acabando, muitos não estão prontos

O ditado diz que falhar no preparo é, na verdade, preparo para o fracasso. Portanto, até que ponto os profissionais e organizações estão prontos? Trinta e sete por cento sentiam que suas organizações não estavam preparadas por completo, mas esse número caiu para 21% entre os que se descreveram como plenamente conhecedores da MiFID II. Em vista do pouco tempo que falta para que a regulação entre em vigor, é evidente que ainda há muito trabalho a ser feito.

Os profissionais que responderam à pesquisa mostraram-se ainda mais pessimistas em relação a outros grupos envolvidos no MiFID II.  Para eles, 46% dos reguladores não estavam preparados. Além disso, 50% dos entrevistados sugeriram que a indústria (como um todo) não estava pronta. Mas o grupo considerado o menos preparado de todos foi o dos clientes: 59% dos entrevistados disseram que seus clientes não estavam preparados –percentagem que subiu para 63% na UE.

Isso pode estar estreitamente relacionado ao fato de que os clientes de serviços financeiros geralmente esperam que os prestadores de serviço dessa área arquem com todo o peso do compliance. Com a chegada da MiFID II, essa postura pode se tornar bastante perigosa, já que o buy-side terá suas próprias obrigações a cumprir, como, por exemplo, nos relatórios de transações.

Mais recursos para a área de compliance

Diante das questões citadas acima, não é de se estranhar que 72% dos respondentes esperem que suas organizações dediquem mais tempo e atenção no preparo para a MiFID II, enquanto 26% acreditam ser necessário muito mais tempo e atenção. A Ásia surge na frente de novo quando se trata dessa questão: 31% esperam gastar muito mais tempo e atenção com o compliance do MiFID II do que estão fazendo no presente.

E nada disso sairá barato: segundo a pesquisa, os custos com compliance estão previstos para aumentar 28% nos próximos 12 meses – e devem permanecer nesse nível pelos próximos três anos.

Os profissionais de fora da UE revelaram expectativas de custo ligeiramente mais elevadas do que os da UE.  Mas são aqueles que alegam ter um maior conhecimento sobre a MiFID II, no entanto, que vislumbram gastos mais altos com compliance, sugerindo uma despesa média de 158 milhões de dólares nos próximos 12 meses.

Dados: uma questão-chave

Diante do amplo escopo da MiFID II, os nossos entrevistados podem escolher à vontade como investir os recursos destinados a compliance – desde aumentando a proteção dos investidores e acessando novos locais de negociação até garantindo maior transparência e demonstrando a melhor execução. Mas em todos esses desafios há algo em comum: dados.

Para operar de forma eficiente em um mundo pós-MiFID II, as organizações precisarão ser capazes de criar, acessar, absorver e agregar dados a partir de uma variedade de fontes. Apesar disso, 40% dos participantes não se sentiam confiantes de que teriam os dados necessários para cumprir com as novas regras. Os principais desafios citados por eles foram o volume, a complexidade e o abastecimento de dados. Muitos entrevistados (40%) vêem a Thomson Reuters, o maior fornecedor de dados de referência financeira do mundo, como uma provedora de soluções para a MiFID II.

No final, valerá a pena?

Apesar das diversas preocupações e custos envolvidos, nossa pesquisa revelou que o esforço deverá valer a pena. Mais de dois terços dos entrevistados acreditam que a MiFID II trará benefícios para suas organizações – com esse número chegando a três quartos entre os ditos “conhecedores” da nova regulamentação. Os maiores benefícios citados foram mais proteção para os investidores e aumento da transparência nos mercados financeiros. 

As empresas de Fintech e Regtech também devem sair ganhando, pois os participantes da pesquisa acreditam que a necessidade de encontrar novas soluções para compliance impulsionará esse tipo de negócio em sua região.

Transformando desafios em oportunidades

Ao mesmo tempo em que nossa pesquisa aponta a existência de problemas, ela também mostra que estes estão sendo abordados – com mais dinheiro, tempo e esforço para o compliance. E revela que, apesar do sofrimento inicial, a MiFID II deixará a indústria e seus clientes mais protegidos.

É importante lembrar que compliance não é algo puramente defensivo; ele pode significar uma vantagem competitiva. Como líder reconhecido no mercado e aliado confiável, a Thomson Reuters está fortemente posicionada para apoiar as organizações à medida que elas abordam as complexas necessidades de dados e enfrentam os principais desafios da MiFID II.

Para saber mais sobre MiFID II, acesse mifidii.com

 

 

 

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