Semana começa com expectativa por dados de inflação; exterior tem maior apetite por risco

A semana começa com expectativa em torno da divulgação da inflação em 2017 e de dados de atividade no Brasil, com os mercados no exterior apresentando maior apetite por risco

MACROECONOMIA

  • O IBGE divulgará na quarta-feira os números de dezembro do IPCA e o acumulado no ano passado, com grandes chances de que a inflação tenha ficado abaixo da meta do governo e confirmando a necessidade de o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, redigir carta explicando o motivo de descumprimento.
     
  • Também são esperados os números do varejo e de serviços, ambos relativos a novembro, respectivamente na terça e na sexta-feiras.
     
  • O governo do presidente Michel Temer divulgou nesta segunda-feira o calendário de pagamento das cotas do PIS/Pasep para pessoas com mais de 60 anos, com início em 24 de janeiro, em mais uma medida para estimular a economia e prevendo a injeção de 7,8 bilhões de reais. Em nota, o ministério do Planejamento informou que a iniciativa beneficiará 4,5 milhões de cotistas do PIS e do Pasep. No ano passado, o governo já tinha anunciado medida igual, mas voltada para homens com mais de 65 anos e mulheres com mais de 62 anos, estimando a injeção de 15,9 bilhões de reais na economia (leia mais aqui)
     
  • Na pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira, as expectativas para a inflação e para a atividade econômica sofreram ligeiros ajustes, com a estimativa para os juros básicos neste ano permanecendo em 6,75 por cento. A estimativa para a alta do IPCA em 2017 agora é de 2,79 por cento, de 2,78 por cento na pesquisa anterior, permanecendo abaixo da meta de inflação, que é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O IBGE divulga na quarta-feira o resultado do IPCA do ano passado. Para 2018, o ajuste também foi de 0,01 ponto percentual, mas para baixo, a 3,95 por cento. A meta de inflação para este ano é a mesma do ano passado (leia mais aqui).
     
  • Veja abaixo as principais projeções do mercado para a economia brasileira, de acordo com a pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 100 instituições financeiras:
  • Nos EUA, o Federal Reserve deve elevar as taxas de juros três vezes neste ano, uma vez que a economia já forte receberá um novo impulso a partir de cortes de impostos, podendo levar a instituição a agir de maneira mais ou menos agressiva, se necessário, afirmou um representante do banco no sábado. Em uma entrevista, o presidente do Fed de São Francisco, John Williams (foto), desenhou uma imagem positiva para a maior economia do mundo, que estará operando ou irá operar perto de sua capacidade total nos próximos anos. Enquanto seus colegas do banco central norte-americano veem o desemprego um pouco além de 4,1 por cento atualmente, Williams prevê que ele cairá para 3,7 por cento este ano, sem qualquer risco de um salto preocupante na inflação (leia mais aqui).

MERCADOS FINANCEIROS LOCAIS

  • O principal índice da bolsa paulista tinha leves variações nesta segunda-feira, ensaiando algum ajuste em dia de agenda econômica mais esvaziada e após renovar recordes na primeira semana do ano e fechar acima dos 79 mil pontos pela primeira vez na sexta-feira, embora o otimismo continue a rondar os negócios. Às 12:17, o Ibovespa subia 0,01 por cento, a 79.081 pontos. O giro financeiro era de 1,6 bilhão de reais. Operadores veem o cenário mais favorável a ativos de risco, diante da manutenção do otimismo no exterior, e também estão apostando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será condenado em segunda instância, aumentando as chances de ficar de fora da corrida presidencial deste ano. O forte fluxo de entrada de investimento estrangeiro neste início de ano também ajuda o mercado a manter a visão mais favorável para a bolsa. Apenas nos dois primeiros pregões de 2018, o saldo externo era positivo em 1,2 bilhão de reais, após fechar o ano passado com entrada líquida de 13,4 bilhões de reais (leia mais aqui).

 

Confira abaixo o desempenho da Bovespa nos últimos dez dias:

  • O dólar passou a registrar leves oscilações ante o real nesta segunda-feira, com profissionais apontando para fluxo de ingresso de recursos influenciando os preços em dia de volume um pouco mais fraco e agenda doméstica esvaziada. Às 12:35, o dólar avançava 0,05 por cento, a 3,2352 reais na venda, depois de acumular perdas de 2,44 por cento na semana passada, anulando a alta de 1,99 por cento vista em 2017 todo. Na máxima, a moeda foi a 3,2462 reais e, na mínima, a 3,2315 reais. O dólar futuro subia cerca de 0,2 por cento. "O mercado também pode estar antecipando o ingresso de recursos para alguma captação", acrescentou o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado ao destacar que "o investidor não quer pagar muito caro pelo dólar, de olho no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva" (leia mais aqui).

 

  • As taxas dos contratos futuros de juros de longo prazo abandonaram a leve correção ensaiada pela manhã e passaram a cair nesta segunda-feira, com fluxo de venda, enquanto os DIs mantinham pequenas variações. "O volume financeiro está menor nesta segunda-feira, e um fluxo pontual de venda acaba tendo força para mudar a trajetória", comentou o profissional da mesa de renda fixa de uma corretora nacional. Mais cedo, as taxas dos juros futuros em geral subiram em movimento de correção, ajudado pelo comportamento do dólar frente ao real. Na semana passada, a taxa do DI com vencimento em janeiro de 2021, um dos mais líquidos, recuou 0,17 ponto percentual.

 

Veja as taxas dos principais contratos de DIs às 12:12 desta segunda-feira: 

  • Os treasuries de 10 anos operavam em queda, a 2,4691%, ante 2,476% no dia anterior; o Global 26 também apresentava queda, a 4,1981%, ante 4,199% no dia anterior.

CENA EXTERNA

  • No exterior, a segunda-feira era de maior apetite por risco, com os mercados acionários mundiais em máximas recordes, em meio à combinação de forte crescimento global e inflação baixa. A recuperação global sincronizada tem levado bancos centrais em todo o mundo a seguir o Federal Reserve e adotar política monetária mais apertada nos últimos meses.

 

  • Na Ásia, os principais índices acionários da China fecharam na máxima em seis semanas nesta segunda-feira, avançando pela sétima sessão seguida diante dos fortes ganhos em empresas imobiliárias uma vez que as principais construtoras divulgaram vendas excepcionais em 2017. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,52 por cento, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,54 por cento. O subíndice do setor financeiro avançou 0,47 por cento, o de consumo ganhou 1,12 por cento, o imobiliário subiu 3,33 por cento e o de saúde ganhou 0,58 por cento.

 

  • No restante da região os mercados também avançaram acompanhando Wall Street, depois que as ações norte-americanas registraram o melhor início de ano em mais de uma década, com o crescimento econômico acelerado e a inflação benigna sendo uma potente mistura para o apetite por risco (leia mais aqui).

 

  • As reservas cambiais da China subiram para o nível mais alto em mais de um ano em dezembro, superando as estimativas de economistas, com as regulações rígidas e o iuan forte desencorajando a saída de capital, segundo o banco central do país. Chegando ao 11º mês seguido de ganhos, as reservas subiram 20,2 bilhões de dólares em dezembro, para 3,14 trilhões de dólares, nível mais alto desde setembro de 2016 e o maior aumento mensal desde julho. Em novembro o aumento foi de 10 bilhões de dólares. Economistas consultados pela Reuters projetavam que as reservas subiriam 6 bilhões de dólares.

 

  • Na Europa, os mercados acionários atingiram o nível mais alto em mais de dois anos nesta segunda-feira uma vez que a confiança acerca do crescimento global continuava a alimentar o apetite por ações globais. Às 7:29 (horário de Brasília), o índice FTSEEurofirst 300 subia 0,26 por cento, a 1.566 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhava 0,27 por cento, a 398 pontos. Um forte setor automobilístico, novos acordos e dados melhores do que o esperado da fabricante de chips Dialog Semiconductor também ajudavam no sentimento, levando o STOXX 600 a níveis que não eram vistos desde agosto de 2015 mais cedo na sessão.

 

  • A chanceler alemã, Angela Merkel, disse no domingo estar otimista de que seus aliados conservadores e os Social Democratas (SPD) possam concordar em unir forças no momento em que se iniciam cinco dias de negociações para reviver a "grande coalizão" que tem governado a Alemanha desde 2013. Convencer o SPD a se aliar à ela é a melhor aposta de Merkel para formar um governo estável na maior economia da Europa e estender seus 12 anos no cargo, após sua tentativa de formar uma aliança com dois partidos menores falhar no ano passado. Na chegada à sede do SPD para discussões mais de três meses após uma eleição nacional, Merkel disse que as partes tinham muito trabalho para fazer nos próximos dias, mas que pretendiam resolvê-lo rapidamente, acrescentando: "Acho que pode ter sucesso" (leia mais aqui) (leia mais aqui).

 

  • A Opep está monitorando a tensão política no Irã e a crise na Venezuela, mas o cartel só elevará a produção caso ocorram interrupções significativas e consistentes na oferta por parte desses países, disse uma fonte sênior da organização que representa um grande produtor do Oriente Médio. Os problemas econômicos da Venezuela atingiram a produção de petróleo do país, que está no menor nível em 30 anos, mas a oferta do Irã ainda não foi afetada por uma onda de protestos contra o governo. Operadores dizem que a tensão política no Irã, terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, tem puxados para cima os preços da commodity. O petróleo Brent subia 0,14 dólar, ou 0,21 por cento, a 67,76 dólares por barril, às 8:48 (horário de Brasília). O petróleo dos Estados Unidos avançava 0,3 dólar, ou 0,49 por cento, a 61,74 dólares por barril.

 

  • Nesta manhã, duas pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, em um incêndio ocorrido perto da cobertura da Trump Tower em Manhattan (foto), informou o Departamento de Bombeiros de Nova York. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava em Washington no momento do incidente. Apesar de a mídia local ter inicialmente relatado que não havia feridos, uma pessoa sofreu um ferimento grave, possivelmente com risco de morte, e outra teve uma lesão menor, de acordo com o Departamento dos Bombeiros (leia mais aqui).

 

  • Enquanto isso, o governo Trump está perto de completar um novo plano comercial que pedirá a adidos militares dos Estados Unidos e a diplomatas que ajudem a angariar bilhões de dólares a mais em negócios no exterior para a indústria de armas norte-americana, além da assistência que fornecem atualmente, disseram autoridades norte-americanas. O presidente Donald Trump deve anunciar já em fevereiro um esforço de “todo o governo” para aliviar regras de exportação sobre compras por países estrangeiros de equipamentos militares produzidos nos EUA, de caças e drones a navios de guerra e artilharia, de acordo com pessoas familiares ao plano. Trump busca cumprir uma promessa da campanha eleitoral de 2016 de criar empregos nos Estados Unidos ao vender mais bens e serviços para o exterior para reduzir o déficit comercial dos EUA de um recordo em seis anos de 50 bilhões de dólares (leia mais aqui).

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