Rota 2030 e o futuro da Indústria Automotiva Brasileira

Em substituição ao Inovar-auto, programa vigorará a partir de 2018 e visa competitividade global.
por Rodrigo Superti

A indústria automotiva global vive um ciclo de profunda transformação. A expectativa é que em 2025 já tenhamos frotas de carros autônomos circulando pelo mundo. Fato é que o ciclo de desenvolvimento e inovação que está em andamento hoje é que moldará o futuro da mobilidade para os próximos 100 anos.

Nesse contexto, a indústria automotiva brasileira veio se modernizando nos últimos tempos para reduzir sua dependência do mercado interno, que somente agora dá sinais de recuperação após três anos de severa recessão, e transformar-se em um polo de produção global mirando as exportações. Notícias de redução nas vendas, ociosidade de plantas, diminuição de turnos de produção, lay-offs, demissões em massa, quebras contratuais, e uma infinidade de desafios tiveram que ser enfrentados e ainda produzem reflexos no segmento.

Entretanto, notícias mais animadoras começam a aparecer, segundo dados da unidade de negócios de comércio exterior da Thomson Reuters, no mês de setembro a indústria automotiva brasileira registrou um aumento de 25% sobre o mesmo período do ano passado, representando 155 mil veículos emplacados. Além disso foram registrados sucessivos recordes de exportações, algo em torno US$ 17 bilhões anuais, incluindo autopeças.

O fim do Inovar-auto, política automotiva nacional que vigorou pelos últimos 5 anos, também pode ser dado como certo. O programa foi duramente criticado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por ser considerado protecionista – especialmente pela prática do adicional de 30 pontos de IPI para veículos importados e necessidade de conteúdo local nos veículos produzidos.

O Rota 2030, programa do Ministério do Desenvolvimento, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) em parceria com a indústria automotiva, propõe-se a ser um plano de desenvolvimento de longo prazo que têm como pilares a eficiência energética, redução de emissões, maior segurança e inovação tecnológica.

Também faz parte do programa a simplificação tributária, através da mudança na forma de recolhimento de tributos federais – o pagamento de Imposto de Importação e PIS/COFINS ocorrerá somente no final da cadeia produtiva – reduzindo drasticamente a quantidade de fornecedores que deverão ser fiscalizados. Além disso, há também discussões de incentivos fiscais a quem antecipar investimentos em engenharia, sem contar nos benefícios já existentes que podem não estar sendo aproveitados, como os regimes RECOF e RECOF-SPED.

O Rota 2030 deve ser lançado em breve através de medidas provisórias e tem potencial para capitalizar todas as mudanças que a indústria automotiva precisou fazer nos últimos anos para manter-se relevante, afinal, 20% do PIB da indústria de transformação vem do setor. Trata-se de uma oportunidade para que toda a cadeia automotiva possa se tornar mais competitiva, aumentando a participação de veículos e peças nacionais no mercado externo.

Sobre o autor:

Rodrigo Superti, Territory Manager do Segmento Automotivo e Metalurgia/Mineração. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS e pós-graduado em Compliance pela Trevisan.

 

 

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